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PETROBRÁS
A sétima rodada de leilões de blocos de exploração de petróleo a ser promovida pela ANP em 17 e 18 de outubro terá por objetivo declarado fortalecer a produção de gás natural no País. A inscrição de mais de cem companhias, incluindo todas as de porte relevante no mundo (as chamadas majors), permite ao setor alimentar expectativas muito otimistas no aumento da atividade exploratória. A sétima rodada, no entanto, pode ter resultados frustrantes, caso os participantes considerem que o potencial geológico dos blocos seja insuficiente para superar problemas tributários e a rigorosa exigência de conteúdo nacional mínimo agora imposta aos investimentos realizados em todas as etapas de exploração e produção. Enquanto isso, a Petrobrás consegue produzir mais petróleo do que o País consome, alcançando volumes recordes tanto nos campos quanto nas refinarias, pelo menos durante alguns meses. Para garantir o abastecimento seguro do mercado nacional, a empresa revisou o Plano Estratégico de Negócios com vista a 2010. Nele foram intensificados investimentos em E&P e também na adequação do parque de refino aos tipos mais pesados de petróleo, que não podem ser processados nas instalações atuais, o que implica a importação de óleos leves para compor blends aceitáveis. A partilha dos investimentos favoreceu levemente a área de exploração
e produção que, no plano anterior, receberia US$ 16,2 bilhões
entre 2006 e 2010, ou seja, 59% do total de US$ 34,5 bilhões.
O acréscimo de US$ 11,8 bilhões é justificado pela despesa de capital referente aos projetos com afretamento de unidades de exploração e produção nos campos de Golfinho I, II e III, RJS-409 e Piranema (US$ 1,2 bilhão); antecipação da plataforma P-55 (módulo 3 de Roncador), Golfinho III e BS-500; e US$ 3,1 bilhões para novos projetos, como investimentos em blocos exploratórios adquiridos na sexta rodada de leilões da ANP, novos projetos de avaliação exploratória, Peroá fase 2 – gás no Espírito Santo, novos projetos em campos terrestres e na parte madura da Bacia de Campos com o intuito de reduzir o declínio de produção, além de iniciativas de saúde, segurança e meio ambiente e infra-estrutura logística para atender as Bacias de Campos e Espírito Santo. “É preciso considerar também US$ 3,9 bilhões referentes ao aumento de custos de bens e serviços provocados pela elevação das cotações do petróleo”, explicou José Luiz Marcusso, gerente-geral corporativo da área de E&P da Petrobrás. Em todo o mundo, a indústria de petróleo contrata serviços e aluga equipamentos altamente especializados, como sondas perfuratrizes, navios-plataformas, etc. Os conflitos do Oriente Médio reduziram a oferta, enquanto a China mantém altas taxas anuais de crescimento econômico, puxando para cima a demanda e, entre outros fatores, fizeram com que as cotações do petróleo disparassem. O tipo Brent pulou da faixa de US$ 35-40 por barril para US$ 65-70, estimulando várias empresas a intensificar trabalhos de pesquisa, desenvolvimento e exploração de petróleo. Com isso, os bens e serviços contratados foram valorizados, exigindo corrigir a previsão de investimentos. De acordo com o plano de negócios da Petrobrás, o custo de extração de um barril de petróleo cairá dos atuais US$ 4,88 para US$ 4,48 em 2010. A revisão anterior do plano estimava uma queda maior, para US$ 3/bbl. Marcusso observa que a elevação de custos já mencionada influi na variação, também explicável pelo fato de quatro grandes projetos (FPSO do módulo 3 de Golfinho, P-57 de Jubarte fase 2, P-55 de Roncador módulo 3, e o complemento de Albacora) entrarem em operação apenas em 2010. “De 2005 a 2010 esses projetos representarão grandes despesas, sem a contrapartida do incremento de produção, que só chegará à plena carga depois desse ano”, explicou. A tendência ainda é de redução do custo médio, atribuída à exploração de poços muito mais produtivos.
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