As empresas que atuam no mercado brasileiro de biocidas equilibram seus negócios sobre duas certezas, uma positiva e outra não, e uma grande incógnita. O fato positivo é que o mercado consumidor de seus produtos cresce a um ritmo superior ao da evolução do PIB industrial. O negativo é que, mesmo assim, as margens de lucro estão significativamente reprimidas, colocando em questionamento a manutenção de algumas operações. A grande incógnita está em saber quando as autoridades
do País e os consumidores industriais vão se atentar para
a questão da segurança do homem e do meio ambiente e banir
substâncias prejudiciais à saúde pública, a
exemplo dos Estados Unidos, Europa e Japão. É fácil entender porque a proibição de substâncias agressivas gera tanta expectativa entre os fabricantes de biocidas. Apesar de não haver um número oficial sobre o mercado brasileiro, três fabricantes aceitaram fazer uma estimativa do faturamento do setor. As vendas nacionais de biocidas não agressivos, segundo esses cálculos, somariam hoje algo entre 80 e 100 milhões de dólares anuais. Poderia dobrar se fosse proibida a comercialização das substâncias que já se encontram fora de uso nos países desenvolvidos. A substância mais utilizada como conservante no Brasil é o formaldeído. Seu problema: é tido como cancerígeno. O formaldeído é utilizado numa gama diversa de produtos: de pastas dentais e cosméticos a produtos de limpeza e desinfetantes. A seu favor estão sua eficácia e custo baixo. Ele pode ser comprado por US$ 0,50 o quilo, enquanto seus concorrentes custam, no mínimo, três vezes mais. Outras substâncias cuja aplicação é proibida em alguns países, mas liberadas no Brasil, são o pentaclorofenol, popularmente conhecido como pó da China, e o tribromofenol, biocidas com larga utilização pela indústria madeireira. Além destes, há ainda uma série de produtos cuja aplicação já vem sendo questionada nos países mais desenvolvidos. Como os parabenos, o algicida diuron, as carbendazinas e os liberadores de formol. Os principais fabricantes de biocidas estão se preparando para uma nova realidade de mercado, se posicionando como fornecedores de produtos não agressivos. Afinal, por mais que demore essa tomada de consciência no País, a aposta geral é que, mais cedo ou mais tarde, ela ocorrerá. Como expuseram os executivos do setor ouvidos para essa reportagem, os indícios dessa mudança são fortes. Primeiro em decorrência da regulamentação estrangeira. Hoje as empresas brasileiras estão com os olhos postos no mercado externo. E quem quer exportar deve atender as normas do mercado consumidor. O segundo fator de pressão está em indústrias, principalmente
multinacionais, que estão adotando como norma banir o uso de substâncias
nocivas de seus produtos, independente da regulamentação
local. Além de ser uma atitude socialmente correta, a ação
é uma boa oportunidade de marketing. O quarto é que várias substâncias são sintetizadas no exterior e importadas por formuladores brasileiros. Na Europa, por exemplo, essa produção e comercialização depende da aprovação das autoridades locais, que exigem testes toxicológicos, que chegam a custar até 1 milhão de dólares. A tendência é a descontinuação da produção das substâncias mais suscetíveis a questionamentos.
“A substituição de substâncias nocivas é uma tendência irreversível. Hoje as questões da ética e da responsabilidade ambiental são preceitos cada vez mais adotados como norma no mercado mundial”, diz Sebastian Canto, gerente de negócios de biocidas da americana Arch, empresa que tornou-se líder mundial de biocidas após adquirir, no final de 2004, os negócios da Avecia (ex-ICI) no setor.
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