Agroquímica Saúde animal movimenta R$ 2 bilhões
no Brasil A indústria química direcionada à saúde animal,
principalmente a produção de medicamentos para a pecuária,
movimenta aproximadamente R$ 2 bilhões por ano no Brasil. A parte
da nutrição responde por mais uns R$ 200 milhões.
Dessa forma, os principais laboratórios para desenvolvimento de
remédios, vacinas, vitaminas e alimentos suplementares marcam presença
na Expointer, a maior feira expositora da pecuária no Sul do Brasil.
Na edição finalizada em 5 de setembro foram comercializados
R$ 6,2 milhões entre bovinos, eqüinos, suínos, caprinos,
gado de leite altamente selecionados para o aprimoramento genético
das raças. Dos 190 milhões de bois em condições de abate no
Brasil 14 milhões pastam pampa afora. Por conseqüência,
quase 10% do mercado de fármacos e componentes para alimentação
são consumidos no Rio Grande do Sul. Mas o público da Expointer
reúne também uruguaios, argentinos e catarinenses, tornando
o evento ainda mais atrativo. A Bayer Healthcare mostrou suas três
linhas básicas de produtos na Expointer: formulações
antibióticas; os antiparasitários para combater vermes,
bernes, carrapatos, moscas, larvas, pulgas e piolhos; mais a linha de
especialidades: fortificantes, complexo B 12, cálcio, antiinflamatórios
e anestésicos.
As embalagens agora vêm com as fotografias dos animais para os
quais as formulações estão dirigidas. A menina dos
olhos é o Baymec Prolong, nome comercial da Ivermectina a 1,0g
em 100 mililitros de excipiente, com ação prolongada, apresentado
como endectocida (combate das parasitoses internas e externas). Trata-se
de novo conceito oferecido pela indústria farmacêutica por
atacar as verminoses, carrapatos, bernes, moscas e bicheira pós-castração
numa só tacada, segundo Wellington Artur Rossito, chefe regional
de produtos veterinários da divisão saúde da Bayer.
O Rio Grande do Sul, tende a consumir esses produtos em maior quantidade,
uma vez que as raças criadas no Estado são provenientes
da Europa e estão mais propensas ao ataque de carrapatos e bernes,
em decorrência da umidade e do forte calor do verão. O problema
com as parasitoses no Sul do País é tão grave que
a Pfizer chegou a desenvolver um projeto denominado “Programa de
Controle Estratégico Integrado de Parasitoses Internas e Externas”
para bovinos, desenvolvido em conjunto com a Embrapa de Bagé e
a Universidade para o Desenvolvimento de Santa Catarina (Udesc). São projetos específicos para os dois estados no combate
a verminoses gastrintestinais diferenciadas e com picos de época,
no caso o inverno. Os outros sistemas de controle nem sem sempre são
feitos no período adequado. A estratégia do controle integrado
consiste na aplicação de dois produtos em conjunto o Dectomax,
marca comercial da doramectina, uma molécula exclusiva da Pfizer,
combinada com o Albazen, um vermífugo com cobalto na composição,
o qual elimina nematódeos gastrintestinais, pulmonares, cestódeos
e formas adultas de trematódeos. Pode até ser aplicado em
animais debilitados.
Conforme os estudos realizados pelas duas universidades, os resultados
têm sido excelentes, proporcionando peso adicional e antecipando
o abate. “O controle estratégico alia as condições
epidemiológicas ao que há de mais moderno no controle de
parasitoses sendo denominado sistema inteligente por ser preventivo e
por estar associado às condições mais adequadas de
manejo e de alimentação e oferece melhor relação
custo-benefício”, defende o gerente regional de vendas da
Pfizer, Airton Costa. O cronograma traçado pela Pfizer e as duas instituições
de pesquisa define as doenças a serem enfrentadas. O tratamento
de agosto visa controlar o pico de helmintoses. Em dezembro defende o
rebanho de bernes e a primeira geração de carrapatos. Em
fevereiro, mantém o rebanho imune a essas doenças e previne
contra a segunda geração de carrapatos. Em maio, a associação
dos medicamentos reforça a saúde justamente no período
em que a temperatura cai na região, combinada com o aumento de
umidade relativa do ar, mas com intervalos de calor pela entrada de correntes
de ar quente do Norte. Nessa época, a principal ocorrência
de larvas do carrapato é eliminada antes de o parasito chegar à
última etapa da metamorfose. O laboratório Intervet explora o mercado com outra estratégia.
Trata-se do endectocida “Solution” que associa os princípios
ativos ivermectina e abamectina a 2,25% e a 1,25%, respectivamente, totalizando
3,5% em solução. É produto novo, desenvolvido no
País e atende às necessidades tanto do rebanho zebuíno
do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste como os sensíveis bovinos
gaúchos. A aplicação deve ocorrer a cada 150 dias,
pois a concentração é produzida de tal forma a agir
por uma invernada inteira. Igualmente, o Solution age como vermífugo
e ectoparasito. Por sua vez, o laboratório uruguaio Microsules,
também fornecedor de medicamentos para todas as linhas veterinárias,
enfatizou a associação da ivermectina com prazicuantel para
enfrentar infestações em eqüinos, inclusive por tênia. Outra tendência ditada pela Expointer é o investimento da
indústria química voltada à nutrição
animal. Egon Hruby, da Tortuga, detentora de 75% do mercado nacional de
complementos alimentares consumidos pelo rebanho brasileiro aponta o gado
bovino como o grande filão dos negócios. Segundo ele, a
empresa faturou no ano passado R$ 179 milhões com a venda de nutrientes.
No seu entendimento, com o mal da vaca louca o Brasil irreversivelmente
será o campeão mundial em produção e comercialização
de carne bovina do mercado global. Por isso, os criadores precisam introduzir
proteínas e complexos de sais minerais e vitaminas como forma de
melhorar a qualidade e acelerar a engorda. O diferencial da Tortuga hoje é oferecer uma série de componentes
de alto poder nutritivo como selênio, enxofre, cobre, manganês
e cromo. Nessa combinação, o organismo do animal absorve
50% dos nutrientes. Da forma convencional apenas com sal, 40%. A Tortuga
detém ainda tecnologia com quelatados, os quais aceleram a digestão
em ruminantes e acarretam a assimilação mais rápida
das bactérias e proporciona crescimento acelerado. Com isso, o
boi fica pronto para abate em menos tempo. Conforme Hruby, a cultura gaúcha ainda não assimilou bem a modernidade em nutrição bovina à base de complementos e continua a colocar sal puro, pobre em cálcio, espalhado pelo pasto. Como o pasto sulino é naturalmente rico em nutrientes, a resistência em investir na alimentação adequada não chega derrubar os negócios, embora retarde a engorda. “Já no Centro-Oeste o solo é pobre e, sem as alternativas oferecidas pela indústria química, o gado morreria por desnutrição”, apregoa Hruby. A Tortuga atua no Brasil, na América Latina, e começa a abrir canais de distribuição na Europa. Deve montar uma segunda fábrica nos próximos anos. Também fabrica vermífugos, antibióticos e fortificantes. Animais atletas – Outra porteira aberta à
química industrial é a produção de nutrientes
para animais de competição. O nicho produziu até
um neologismo: a nutracêutica, que passou a ser explorada pelo Marcolab,
de Minas Gerais, que desembarcou na Expointer com uma bateria de lançamentos
composta por 13 marcas comerciais relacionadas com o desenvolvimento do
chamado “animal-atleta”.
“Esses produtos melhoram o desempenho dos animais. São nutrientes
de última geração contendo aminoácidos e energéticos
com boa aceitação nos mercados da Europa e dos Estados Unidos
e visam à substituição de esteróides anabolizantes
e substâncias hormonais de maneira geral”, assinalou Lucienne
Mundim. Ela cita como exemplo o enxofre orgânico (metil sulfonil
metano), como fonte de energia química natural, presente nos organismos
vivos, para contração muscular, como forma de produzir maior
explosão, maior torque, disparos rápidos e ganho de velocidade
em toda a competição. Outras substâncias incorporadas
são, aminoácidos indicados para diminuir o tempo de recuperação
do animal entre as competições, por acelerar a eliminação
do ácido lático. Entre as 13 formulações apresentadas pelo Marcolab destaca-se
o Cartilagem-plus, um casamento de aminoácidos e minerais recomendado
para manter saudáveis as articulações e áreas
cobertas por cartilagem. Contém condroitina, glucosamina, metil
sulfonil metano, manganês, zinco, selênio e Vitamina E. Já
o Fast Horse é suplemento nutricional energético de uso
oral com cloridrato de dimetilglicina (DMG). Estimula as funções
do sistema imunológico, cardiovascular e neurológico. O Férrico B 12, suplemento vitamínico mineral com alta
concentração de ferro, age em favor da formação
de células vermelhas e da oxigenação do sangue. Há
ainda o Hemovera, um suplemento vitamínico formado pelos complexos
B1, B3, B5, B6, B 12 e vitamina K3, mais uma avalanche de aminoácidos
e proteínas. Melhora desenvolvimento, produtividade e combate a
anemia. O Locomovil é um suplemento nutricional à base de
aminoácidos e glicose, contém 24 substâncias ativas,
sendo indicado para animais portadores de cardiopatias e inflamações
hepáticas. Carrega na combinação marclazuril, vitaminas
B1, B12, C, E, ácido fólico, enxofre e o diclazuril. Atua
contra o protozoário causador da encefalomielite protozoária
eqüina. Já o Megaton C é uma combinação de enxofre,
magnésio, vitamina C e frutose. Ajuda na formação
da queratina, sendo considerado essencial para o desempenho desportivo
do animal. Aumenta a contração muscular em favor da explosão
e velocidade. A frutose atua como protetora do fígado e o magnésio.
Promove o relaxamento muscular, além de regular o ritmo cardíaco.
A vitamina C combate os radicais livres. O Miracle é recomendado aos animais submetidos a esforços
intensos, pois previne as contraturas e aumenta a potência da massa
muscular. Devido aos componentes como vitamina E, selênio, magnésio,
mais lisina, aciona o sistema de fortalecimento das células musculares,
melhorando o condicionamento físico. A suplementação
com vitamina E, além de sua ação antioxidante é
responsável pela integridade de eritrócitos, assim como
estimula o sistema imune. O MSM 100 – enxofre puro – é
apresentado como agente natural antiinflamatório, além de
estimular a produção de energia. O Turbolab Premix é a mais nova fórmula de suplementação
para eqüinos com alta palatabilidade, sendo uma combinação
de modernos nutrientes com aminoácidos e vitaminas. Age diretamente
na formação da condrotina e da queratina, também
de extrema importância para manutenção da saúde
do aparelho locomotor dos animais, uma vez que tem seu foco de ação
no tecido ósseo e as articulações. É composto
por glucosamina, enxofre, vitamina E, selênio, zinco e manganês.
O Twister é a creatina em estado puro. É importante fonte de energia química para contração muscular por aumentar a capacidade de explosão e age em favor da melhoria do desempenho atlético. O Vitabiotin combina vitaminas com bikotina. Há ainda uma composição combinada de enxofre, zinco, ácido pantotênico, niacina, metionina e ácido fólico. Produz esteródeis naturais e cortisona. Por conta desse bombardeio, a pecuária definitivamente ingressou na era do bicho turbinado. Só faltam as academias para produzir os Rambos sobre quatro patas. Fernando C. de Castro
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