Borracha

Brasil fica com fábrica de mangotes para petróleo

A Goodyear do Brasil inaugura em outubro uma unidade industrial no município de Santana de Parnaíba-SP para produzir mangotes marítimos para sucção e descarga de óleo em instalações de exploração de petróleo em alto mar.

Os mangotes levam a marca Seawing, pertencente à Divisão de Produtos de Engenharia da empresa.

Divulgação

Fábrica se Santana de Parnaíba quer suprir 25% do mercado mundial

 

A nova fábrica concentrará a produção mundial de mangotes marítimos da Goodyear no Brasil. O produto, que a empresa começou a fabricar recentemente em caráter experimental em algumas fábricas que mantém no planeta, apresenta mercado mundial de aproximadamente 6 mil peças por ano. A operação começa com 150 funcionários e capacidade para 500 peças por ano.

Tanto o número de trabalhadores quanto a capacidade instalada devem no mínimo dobrar a partir do final do próximo ano ou do início de 2007.

Divulgação

Mangotes de carça dupla são mais seguros

 

O projeto consumiu investimentos de US$ 13 milhões na primeira fase e conta com uma verba complementar de US$ 2 milhões, que será utilizada até a capacitação plena da fábrica, prevista para dentro de aproximadamente 15 meses. Com a iniciativa, a multinacional espera que sua participação mundial nesse mercado, que hoje não chega a 2%, salte para de 12,5% a 15% a curto prazo. A partir de 2007, deve se aproximar de 25%.

Quando estiver com sua capacidade máxima, a perspectiva de faturamento da empresa com a comercialização do produto será de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões por ano, com expectativa de exportar entre 65% e 75% dos mangotes. No Brasil, o grande cliente da empresa é a Petrobrás.

De acordo com Renaldo Calderini, diretor-geral de produtos de engenharia para a América Latina e África do Sul da multinacional, o mercado de mangotes marítimos apresenta excelente potencial. Ele ressalta o fato de a exploração de petróleo offshore ter crescido de forma significativa nos últimos anos em todo o mundo, gerando demanda estável para o produto, utilizado tanto em novas instalações, quanto nas substituições das peças já instaladas – estima-se que a duração média de um mangote seja de cinco anos.

A espantosa velocidade com que a unidade industrial foi construída demonstra o interesse da Goodyear em participar desse mercado. “As obras se iniciaram no dia 13 de abril e cinco meses depois já fazíamos o start-up”, conta o diretor-geral. Ainda em setembro, a empresa comercializou 30 peças.

Um aspecto importante da construção da nova fábrica, que ocupa aproximadamente 15 mil de um terreno de 42 mil m², é que todos os equipamentos foram projetados e fabricados no Brasil. A maior atração é a autoclave que vulcaniza a borracha utilizada na fabricação dos mangotes. Com 14 metros de comprimento e volume interno de aproximadamente 140 m³, é o segundo maior equipamento do gênero instalado no País. A planta conta laboratórios específicos para os testes indicados para esse equipamento e foi instalada a partir de projeto desenvolvido com rigorosos cuidados ecológicos.

Alta tecnologia – Para conseguir aumentar de forma significativa sua participação no mercado mundial de mangotes, o diretor da Goodyear garante que a empresa conta com forte diferencial, o desenvolvimento tecnológico dos produtos Seawing. Toda a linha segue as normas Ocimf (Oil Companies International Marine Forum), reconhecidas internacionalmente para componentes utilizados em instalações de exploração de petróleo offshore.

Os modelos mais sofisticados são os de carcaça dupla, que nos próximos anos devem substituir os de carcaça simples, muito utilizados no passado. Essas carcaças são fabricadas a partir da sobreposição de camadas de borrachas resistentes a óleos e seus derivados – localizadas na parte interna dos mangotes –, arames de aço, tecidos e outros materiais sintéticos. Os mangotes projetados para flutuar no mar recebem ainda uma camada externa de borracha ou de poliuretano, o que não acontece nos desenhados para atuar no fundo do mar.

A vantagem que as carcaças duplas oferecem consiste na proteção extra que proporcionam ao meio ambiente. Se, por qualquer motivo, houver um vazamento na carcaça interna, a externa evita que o óleo ou derivado se espalhe no mar. Os mangotes de carcaça dupla são dotados de sensores que chamam a atenção dos operadores da linha no caso de vazamentos.

Os mangotes Seawing, com carcaças simples ou duplas, são oferecidos em comprimentos de entre nove e catorze metros. Essas são as medidas recomendadas pelas normas internacionais, mas os mangotes podem ser acoplados uns aos outros se houver necessidade, de modo a formar um conjunto extenso. Seus diâmetros internos vão de seis a 24 polegadas e os externos podem atingir cerca de um metro. Eles estão aptos a agüentar pressões internas entre 15 a 21 bar.n José Paulo Sant’Anna

 

 
  <<< Anterior
Próxima >>>