Borracha Brasil fica com fábrica de mangotes para petróleo
A nova fábrica concentrará a produção mundial
de mangotes marítimos da Goodyear no Brasil. O produto, que a empresa
começou a fabricar recentemente em caráter experimental
em algumas fábricas que mantém no planeta, apresenta mercado
mundial de aproximadamente 6 mil peças por ano. A operação
começa com 150 funcionários e capacidade para 500 peças
por ano.
O projeto consumiu investimentos de US$ 13 milhões na primeira
fase e conta com uma verba complementar de US$ 2 milhões, que será
utilizada até a capacitação plena da fábrica,
prevista para dentro de aproximadamente 15 meses. Com a iniciativa, a
multinacional espera que sua participação mundial nesse
mercado, que hoje não chega a 2%, salte para de 12,5% a 15% a curto
prazo. A partir de 2007, deve se aproximar de 25%. Quando estiver com sua capacidade máxima, a perspectiva de faturamento
da empresa com a comercialização do produto será
de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões por ano, com expectativa
de exportar entre 65% e 75% dos mangotes. No Brasil, o grande cliente
da empresa é a Petrobrás. De acordo com Renaldo Calderini, diretor-geral de produtos de engenharia
para a América Latina e África do Sul da multinacional,
o mercado de mangotes marítimos apresenta excelente potencial.
Ele ressalta o fato de a exploração de petróleo offshore
ter crescido de forma significativa nos últimos anos em todo o
mundo, gerando demanda estável para o produto, utilizado tanto
em novas instalações, quanto nas substituições
das peças já instaladas – estima-se que a duração
média de um mangote seja de cinco anos. A espantosa velocidade com que a unidade industrial foi construída
demonstra o interesse da Goodyear em participar desse mercado. “As
obras se iniciaram no dia 13 de abril e cinco meses depois já fazíamos
o start-up”, conta o diretor-geral. Ainda em setembro, a empresa
comercializou 30 peças. Um aspecto importante da construção da nova fábrica, que ocupa aproximadamente 15 mil de um terreno de 42 mil m², é que todos os equipamentos foram projetados e fabricados no Brasil. A maior atração é a autoclave que vulcaniza a borracha utilizada na fabricação dos mangotes. Com 14 metros de comprimento e volume interno de aproximadamente 140 m³, é o segundo maior equipamento do gênero instalado no País. A planta conta laboratórios específicos para os testes indicados para esse equipamento e foi instalada a partir de projeto desenvolvido com rigorosos cuidados ecológicos. Alta tecnologia – Para conseguir aumentar de forma
significativa sua participação no mercado mundial de mangotes,
o diretor da Goodyear garante que a empresa conta com forte diferencial,
o desenvolvimento tecnológico dos produtos Seawing. Toda a linha
segue as normas Ocimf (Oil Companies International Marine Forum), reconhecidas
internacionalmente para componentes utilizados em instalações
de exploração de petróleo offshore. Os modelos mais sofisticados são os de carcaça dupla, que
nos próximos anos devem substituir os de carcaça simples,
muito utilizados no passado. Essas carcaças são fabricadas
a partir da sobreposição de camadas de borrachas resistentes
a óleos e seus derivados – localizadas na parte interna dos
mangotes –, arames de aço, tecidos e outros materiais sintéticos.
Os mangotes projetados para flutuar no mar recebem ainda uma camada externa
de borracha ou de poliuretano, o que não acontece nos desenhados
para atuar no fundo do mar. A vantagem que as carcaças duplas oferecem consiste na proteção
extra que proporcionam ao meio ambiente. Se, por qualquer motivo, houver
um vazamento na carcaça interna, a externa evita que o óleo
ou derivado se espalhe no mar. Os mangotes de carcaça dupla são
dotados de sensores que chamam a atenção dos operadores
da linha no caso de vazamentos. Os mangotes Seawing, com carcaças simples ou duplas, são oferecidos em comprimentos de entre nove e catorze metros. Essas são as medidas recomendadas pelas normas internacionais, mas os mangotes podem ser acoplados uns aos outros se houver necessidade, de modo a formar um conjunto extenso. Seus diâmetros internos vão de seis a 24 polegadas e os externos podem atingir cerca de um metro. Eles estão aptos a agüentar pressões internas entre 15 a 21 bar.n José Paulo Sant’Anna
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