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Logística Ensaios certificam embalagem química Até o final de outubro será publicada a primeira Regulamentação de Avaliação de Conformidade (RAC) para embalagens de produtos perigosos, elaborada pelo Instituto Nacional de Metrologia e Controle da Qualidade (Inmetro).
O Modelo de Regulamentação – Recomendações
para o Transporte de Produtos Perigosos, mais conhecido pelo apelido de
Orange Book, da ONU, estabelece bases para a normatização
do setor, devendo ser adotadas por todos os países signatários,
como o Brasil. No entanto, o sistema internacional permite que cada país
adapte as recomendações às suas características
próprias. No caso brasileiro, o Ministério dos Transportes já havia
editado a Portaria 204 em 1997, exigindo testes de resistência para
embalagens dessa categoria, porém sem a previsão do regulamento
dos ensaios, atribuição específica do Inmetro. Em
fevereiro de 2004, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres
(ANTT), do mesmo ministério, editou a Portaria 420, revisada em
agosto pela Resolução 701, dando prazo até junho
de 2005 para que o uso de embalagens aprovadas se tornasse obrigatório,
agora prevendo a participação do Inmetro.
Ele elogia a disposição da ANTT em dialogar com todos os
interessados, no modelo de consultas públicas, para elaborar e
aperfeiçoar as normas. Ao mesmo tempo, ele avisa que as Polícias
Rodoviárias Estaduais e Federal e a Polícia Militar na região
metropolitana de São Paulo já qualificaram agentes para
a fiscalização, que só não é mais rigorosa
pela falta de normas de ensaio, que está sendo suprida. Nos modais de transporte marítimo e aeronáutico, as normas
da ONU são aplicadas usualmente, sendo os ensaios das embalagens
conduzidos sob supervisão e acompanhamento de equipes das armas,
que concedem certificados. Segundo Couto, as empresas exportadoras já
conhecem essas normas e as respeitam, porém no transporte terrestre
doméstico ainda há problemas. Do ponto de vista externo, as embalagens aprovadas ostentam marcação
com códigos da ONU que identificam sua resistência e indicação
de uso. Essa marcação deve ser estampada, no caso dos tambores,
na tampa ou na lateral, podendo ser também impressa com destaque
em local mais visível para facilitar a inspeção.
A parte complicada consiste na homologação da embalagem.
“Não basta pegar as amostras e colocá-las nos ensaios
previstos, é preciso também auditar a linha de produção
para ver se a qualidade se repete”, comentou Couto, profissional
com 23 anos de experiência no ramo, treze dos quais com produtos
perigosos, inclusive infectantes. Isso se faz para evitar que os pretendentes
levem para ensaios algumas “superamostras”, capazes de passar
nos testes, sem espelhar as características dos produtos que serão
colocados no mercado. A Concepta já conta com laboratório acreditado pela Inmetro
para ensaios de embalagens e está se preparando para conseguir
a acreditação junto ao órgão para tornar-se
também certificadora, auditando as linhas de fabricação.
“Investimos R$ 500 mil de capital próprio nos últimos
dois anos para qualificar o laboratório”, informou. Instalada
na Moóca, em São Paulo, a empresa pode ensaiar embalagens
de qualquer material, em baterias desde as mais simples verificações
de resistência a quedas (em vários ângulos), até
testes de longa duração, como os realizados com o empilhamento
de contenedores plásticos. As normas exigem ensaios nas condições mais críticas.
Antes de testar a resistência à queda de embalagens plásticas,
por exemplo, é preciso que elas estejam na temperatura de -18ºC,
na qual o stress é maior. “Alguns fabricantes jogam a embalagem
cheia de água no chão e acham que ela passa no teste, mas
quando isso é feito na temperatura da norma ela muitas vezes arrebenta”,
disse.
Por outro lado, o empilhamento de embalagens plásticas também
é simulado sempre a 40ºC, no mínimo, por prazo de 28
dias. O efeito combinado do peso e da temperatura pode levar à
deformação dos materiais, quando inadequados. “Essas
condições não são absurdas, elas realmente
podem ser encontradas em porões de navios ou em pátios de
manobras de vários lugares do mundo”, explicou José
Couto, também diretor da Concepta. Na opinião dos especialistas, os fabricantes de embalagens e a
indústria de resinas termoplásticas devem ficar atentos
às normas de ensaios para evitar problemas. “Já vimos
diferenças gritantes de desempenho de embalagens feitas com lotes
diferentes das mesmas resinas”, alertou Sérgio Couto. A indicação
de contratipos dos grades aprovados das resinas deve ser feita com muita
cautela. Aliás, a empresa também faz ensaios com tanques
de combustível feitos de plástico. Segundo José Couto, o custo dos ensaios variem conforme o tipo
de produto e a necessidade dos clientes. Muitas vezes são feitos
pré-ensaios para verificar o comportamento de um artigo ainda fase
de desenvolvimento. “Em média, uma bateria de ensaios para
embalagens simples custa R$ 3 mil, enquanto as combinadas ficam por volta
de R$ 2,5 mil”, informou. Embalagem combinada é a que usa
dois ou mais tipos de envoltório para acondicionar o produto. Por
exemplo, bombonas de plásticos colocadas dentro de caixas de papelão
formam uma embalagem combinada. A bombona isolada é uma embalagem
simples. Uma divisão da Concepta monta embalagens combinadas para clientes
interessados em atender aos requisitos rigorosos de transporte, enquanto
outra área da empresa forma especialistas em embalagem e transporte
dentro das normas internacionais de aviação e navais. Os diretores da empresa esperam que a regulamentação do Inmetro traga benefícios para todos os segmentos da cadeia produtiva. Atualmente, cada modal conta com seus procedimentos de homologação específicos. “Isso implica obter uma certificação para cada modal de transporte, colocando na embalagem as marcações com os códigos correspondentes, embora os ensaios sejam os mesmos”, disse. Sendo norma oficial de âmbito nacional, a homologação e certificação pelo Inmetro tende a se fixar como única no mercado. Tintas exemplares – O setor de tintas foi o primeiro
a perceber o tamanho do problema que se avizinha. A Portaria 420 colocou
o setor em polvorosa, pois essa indústria usa embalagens de tamanhos
muito variados, desde o quarto de galão até carros-tanque.
“A norma tem redação um pouco obscura em alguns pontos,
que deram margem para discussões”, explicou Sérgio. Os fabricantes Basf e Tintas Coral (ICI Paints) pediram à Concepta
uma análise detalhada dos efeitos da normalização
no setor. Foram convidadas e aderiram ao estudo os dois maiores fabricantes
de embalagens metálicas para tintas, Brasilata e Prada. “Uma
análise cuidadosa da norma, confirmada com a ANTT, mostrou que
embalagens combinadas de recipientes plásticos ou metálicos
até 5 litros agrupados com filme plástico encolhível
ou acondicionadas em caixas de papelão dispensam homologação
prévia, desde que respeitem limite máximo de 40 kg por unidade”,
comentou Sérgio. “Esses recipientes formando pilhas paletizadas
não ficam sujeitos a esse limite.” Portanto, a maioria dos esmaltes e grande parte das tinta base água
para o consumidor final já está dentro das normas de transporte.
O problema ficou restrito às embalagens maiores, a começar
pelas latas até 20 litros, as mais usadas para látex, por
exemplo, bem como os baldes usados na indústria automobilística.
Com base nesses estudos, o Sindicato das Indústrias de Tintas e
Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) e o Sindicato da Indústria
de Estamparia de Metais do Estado de São Paulo protocolaram no
dia 10 de junho um pedido junto à ANTT para estender às
latas e baldes metálicos ou plásticos até 20 litros
o mesmo critério da categoria de menor volume. Já para as
embalagens para mais de 20 e até 200 litros foi solicitada dilação
de prazo de mais um ano para adequação. “Os pleitos
ainda estão sendo avaliados pela agência”, comentou
Sérgio Couto. Toda a cadeia produtiva espera pelo acolhimento das reivindicações.
Na categoria de 5 a 20 litros não existem latas disponíveis
no mercado nacional que possam atender à demanda. Os fabricantes
já apresentaram ao mercado produtos normatizados, já usados
para transporte naval, porém precisariam investir entre US$ 7 milhões
e US$ 8 milhões para montar uma só linha de produção
capaz de atender a apenas um grande fabricante de tintas no Brasil. Nos tambores de 200 litros, o especialista esclarece que apenas os modelos de tampas removíveis, indicados para produtos de alta viscosidade, encontram dificuldade para suportar os ensaios. “Os fabricantes desses tambores já estão se adaptando e devem apresentar novidades em poucos meses”, disse. No entanto, é preciso conceder um prazo para que sejam consumidas as embalagens em estoque junto aos clientes e resolver uma outra questão, ainda mais delicada: como lidar com as embalagens recuperadas. M. Fairbanks |
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