Indústria planeja nacionalizar insumos Palco de inovações para a fabricação de tintas e revestimentos, a Abrafati 2005, de 14 a 16 de setembro, ampliou as perspectivas para a indústria, cada vez mais preocupada com o suprimento local de matérias-primas, principalmente perante as altas demandas observadas na China. A intenção de aumentar ofertas locais tornou-se pública logo na sessão plenária inaugural do 9º Congresso Internacional de Tintas, durante a conferência proferida por José Eduardo Senise, presidente da Dow Brasil. Em sua apresentação, ele teceu breve panorama sobre a atuação direta da empresa no País, que remonta há quase cinquenta anos, revelando o interesse mais recente da companhia em acabar com o déficit do ácido acrílico e seus derivados, referindo-se ao projeto em curso para a instalação de fábrica local, que unirá em um único empreendimento a Dow, Petroquisa, Elekeiroz e Coteminas, com previsão de conclusão em 2008. Empregado basicamente na produção de acrilatos leves ou
pesados, sendo estes últimos utilizados intensamente pelo setor
de tintas, o ácido acrílico é produzido em vários
países, como Japão, Estados Unidos e China. Como seus derivados,
estão os acrilatos de butila, acrilatos de etila, acrilatos de
2 etil-hexila e os acrilatos de hidroxi-propila, matérias-primas
essenciais para a produção tanto de emulsões acrílicas,
como de resinas acrílicas, muito importantes para a formulação
de tintas imobiliárias, automotivas e industriais. Nesse sentido, foi bem oportuna a conferência de Gary Cianfichi, vice-presidente de marketing e vendas da Lyondell Chemical Company/Millenium Inorganic Chemicals, segundo maior produtor mundial do pigmento branco. Segundo Gary, países das Américas do Sul e Central já estariam demandando 229 mil toneladas por ano de TiO2, sendo 70% desse total destinados ao abastecimento das fábricas de tintas, dos quais 56% reservados ao consumo brasileiro, correspondendo a 125 mil toneladas/ano. A dinâmica do mercado mundial de TiO2, porém, segue em grande parte os ditames do consumo das indústrias na Ásia, responsáveis por 60% da demanda global. Mas convém observar, segundo o especialista, que enquanto os mercados sul-americano e central registram apenas 5% de crescimento no consumo do pigmento, de 1998 até 2004, na China a demanda no mesmo período dobrou, saltando de 250 mil para 500 mil toneladas, ocupando a segunda posição no mercado mundial, somente ultrapassada pelos Estados Unidos, cabendo à Alemanha e Japão a terceira e a quarta posições, respectivamente.
O grupo conta com mina de extração de minério de
titânio, em Mataraca-PB, e fábrica de TiO2 em Camaçari-BA,
com capacidade atual de produção de 60 mil toneladas/ano.
Segundo avaliou Gary, a demanda global nos próximos cinco anos
crescerá em torno de 2% e 3% ao ano, estimativa prevista pelas
indústrias.
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