Tanto foi assim que algumas importantes indústrias químicas iniciaram por conta própria um trabalho de aceitação do Prodir. A Dow Química, a Copesul, a Eastman e a Basf são os principais exemplos e, até pela posição de liderança que estes grupos possuem dentro do programa da Atuação Responsável, da Abiquim, não fica difícil supor que o caminho deve ser seguido pelos demais produtores. "Os elos da cadeia precisam se fechar, porque na ocorrência de um acidente químico todos são afetados", explica o presidente da Associquim, Rubens Medrano. "E a importância para o produtor é ainda maior, já que a marca dele sempre estará em jogo, desde as etapas fabris, passando pela logística e distribuição até o consumo final", completa o dirigente, proprietário de uma importante distribuidora, a Makeni Chemicals, de Diadema-SP.

Segundo Medrano, esse espírito de colaboração entre as entidades extrapola a relação com a Abiquim. Há contatos bastante frutíferos com várias outras associações de classe, órgãos de governo e grupos privados, todos eles interessados em passar a recomendar o Prodir a seus distribuidores. Cuca Jorge
Medrano: a marca do produtor está em jogo

A Associação Brasileira da Indústria de Álcalis e Cloroderivados (Abiclor) estuda a recomendação a associados e também a Cetesb, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) já vêem com bons olhos o processo, sendo que esta última já avalia a possibilidade de recomendá-lo na distribuição de solventes.

Já a etapa que Medrano considera como a próxima a ser seguida para integração da gestão com a cadeia produtiva é a de aproximação com os clientes dos distribuidores, os consumidores finais dos produtos, como os setores de tintas, farmacêutico, metalúrgico, entre outros. Os contatos têm sido comuns, até mesmo para começar a atender as práticas de gerenciamento de produto do Prodir, que visam estimular o controle do ciclo de vida de cada insumo químico. "Estamos tentando aperfeiçoar os cuidados de manuseio e armazenagem com os clientes e, de forma geral, divulgar mais o Prodir, para que eles consigam perceber o diferencial de gestão de quem usa o processo", explica. O presidente da Associquim considera fácil dialogar nesse sentido, por exemplo, com o setor de tintas, cuja associação de fabricantes, a Abrafati, implementa no Brasil o Coatings Care, programa internacional de responsabilidade nos moldes do Prodir.

Menos auditorias - A expansão e a aceitação mútua dos programas de responsabilidade de saúde, segurança e meio ambiente por toda a cadeia produtiva são benéficos não apenas para prevenir ocorrências negativas advindas da má gestão. Há também vantagens puramente práticas, com potencial maior de seduzir de vez os indecisos a adotarem os programas. A principal delas, boa tanto para os produtores como para os distribuidores, é a considerável diminuição no número de auditorias de qualificação.

O motivo para a redução é evidente. Ao aceitar o Prodir como um sistema de qualificação suficiente, o produtor dispensa as necessárias auditorias, normalmente semestrais, realizadas no distribuidor. Os ganhos aí são para ambos os lados: o auditado ganha produtividade, por diminuir o número de vezes em que precisa ser submetido a checagens, e o auditor da empresa distribuída, da mesma forma, pára de deslocar pessoal para fazer as averiguações externas. Não custa lembrar que os distribuidores, por trabalharem na maioria das vezes com muitos produtores, passam vários dias do ano sendo auditados.

Foram essas vantagens evidentes que fizeram a Basf passar a recomendar, a partir de 2005, a suas várias áreas de negócios no Brasil, a isenção de auditorias em distribuidoras certificadas com o Prodir. Trata-se aí de um convite indireto para que distribuidores ainda não candidatos ao processo da Associquim pensem seriamente em se filiar à entidade para se submeter à preparação e futura certificação. Não por menos, conduta similar da Dow fez cerca de cinco distribuidoras se filiarem recentemente à Associquim.

"A orientação é os responsáveis pelos negócios de distribuição solicitarem o certificado, para averiguar a sua validade e adequação às auditorias de manutenção, e a partir daí dispensarem a empresa dos processos de qualificação internos da Basf", explicou a sua coordenadora do programa Atuação Responsável, Maria Stella Agostini, avalista do processo de aceitação do Prodir na empresa. Essa determinação significa que a Basf ainda continua a fazer auditorias apenas em distribuidoras sem o certificado.
O aval da Basf ao certificado da Associquim também não significa que a empresa deixou totalmente de lado seus procedimentos de qualificação, muito ligados inclusive com o Atuação Responsável e com seu sistema de gestão integrado. Há casos de distribuidoras em que a empresa acrescenta algumas condutas de avaliação. Segundo explica Maria Stella, as distribuidoras que realizam misturas, sobretudo diluição de produtos e reenvases, precisam se submeter a um questionário e/ou auditoria complementar. "A preocupação da empresa com essas etapas engloba riscos de processos industriais, o que extrapola as exigências do Prodir", diz. Isso quer dizer, por exemplo, que a Basf averigua se há controle de sobrepressão de reatores ou se ocorrem reações exotérmicas nas misturas realizadas por algumas distribuidoras.

Cuca Jorge
Stella: Basf não

 

 
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