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Tecnologia
Pesquisa usa nanocompósitos
para melhorar adesividade
Durante a Nanotec 2005, de 5 a 7 de julho, evento organizado para discutir
avanços e tendências da nanotecnologia, o diretor titular
do Instituto de Química da Unicamp Fernando Galembeck apresentou
estudos dedicados ao desenvolvimento de nanocompósitos para adesão
e antiadesão aplicados à indústria.
O esforço de pesquisa básica nesse ramo é muito grande.
As principais abordagens para tratar dos problemas de aderência
e antiaderência visam melhorar a compreensão das interações
de moléculas com superfícies e o conhecimento dos processos
químicos e eletroquímicos envolvidos. Ferramentas baseadas
na nanotecnologia estão ajudando os cientistas a enfrentarem problemas
em ambientes úmidos e corrosivos e, na antiaderência, muitas
patentes depositadas estão ligadas a produtos para uso médico
e farmacêutico, como inaladores, e a temas mais complexos, como
a construção de turbinas a jato, artes gráficas (impressão
de offset), conserto de defeitos em peças, tratamento de moldes
e fabricação de isolantes para linhas de tensão em
automóveis.
Uma solução recente se refere à adesão de
água em madeira. O desafio era criar madeira autolimpante, não
molhável e resistente ao ataque de fungos, sem o uso de vernizes
ou tintas e com aparência natural. Para isso, cientistas desenvolveram
uma camada de material hidrofóbico nanorrugoso quimicamente estável,
já que na madeira in natura a penetração da água
permite a proliferação de fungos e a fixação
de sujeira.
Desafio semelhante ocorre com moldes, como os utilizados na indústria
de plástico e borracha, em que se reveste a ferramenta com alumínio
e outros substratos. Uma empresa alemã anunciou superfícies
hidrofóbicas com ângulo de rolagem de 10o, ou seja, inclinação
de 10o nessa superfície provocam o rolamento das gotas de água.
O revestimento hidrofóbico permite o controle da aderência
e da rugosidade, além de ciclos de produção mais
rápidos, sem necessidade de reposição de desmoldante
ou reposição freqüente.
Em ambos os casos, o nanorrevestimento rugoso hidrofóbico compõe-se
de uma mistura de três tipos de componentes: agentes de deslizamento
(grafite, grafite fluorado, sulfeto de molibdênio ou sulfeto de
tungstênio), nanopartículas (sílica, titânio,
dióxido de zircônio ou alumina) e um polissiloxano (silicona),
responsável pela coesão da mistura. “Mas essa mistura
não é aleatória, e não pode ser usada qualquer
nanopartícula. A interação das nanopartículas
com as cadeias de siloxano forma uma rede coesa, e é essa coesão
que previne a adesão de materiais”, explicou Galembeck.
Parte dessa tecnologia, no entanto, é antiga. A novidade reside
nas novas técnicas de síntese das nanopartículas
e na maneira de integrá-las a polímeros. “O que é
realmente novo é o domínio cada vez mais fino de estruturas
complexas de metais, óxidos e polímeros, além da
formação de redes muito coesas, com rugosidade muito bem
controlada e excelente controle de interações entre superfícies.
Essas interações precisam ser controladas com alta resolução
espacial, pois é comum nas aplicações que áreas
contíguas tenham propriedades diferentes, principalmente na indústria
gráfica”, disse Galembeck.
Parte importante da pesquisa na área de adesão refere-se
a produtos têxteis. Em um dos exemplos apresentados pelo professor
Galembeck, nanopartículas de dióxido de titânio são
aderidas diretamente no tecido para catalisar a foto-oxidação
de substâncias orgânicas, principalmente as voláteis,
criando roupas que podem ser usadas novamente após exposição
à luminosidade mediana. Manchas também desaparecem sozinhas,
simplesmente pela exposição ao sol. Nesse caso, o polímero
nancompósito é o próprio tecido.
Uma das patentes apresentadas por Galembeck tratava de um produto para
competir com o politetrafluoretileno (PTFE, mais conhecido pelo seu nome
comercial, teflon). Pesquisadores desenvolveram camada com espessura de
um a mil nanômetros, formada por material antiadesivo (uma rede
de óxido metálico) e uma substância hidrofóbica,
destinada ao revestimento de panelas, aparelhos de microondas, estufas
e misturadores. O revestimento resiste à abrasão e não
altera a aparência do substrato. n
Márcio Azevedo
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