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PETROQUÍMICA
Suzano paga à Basell para
ficar com a Polibrasil
A Suzano Petroquímica pagou à Basell International Holdings
a quantia de US$ 253,8 milhões no dia 1o de setembro, cumprindo
acordo anterior para ficar com a participação dessa empresa
na Polibrasil (50%). O valor total da negociação era de
US$ 276,8 milhões, mas foi descontada a quantia de US$ 23 milhões
referente à Norcom Compostos Termoplásticos do Nordeste,
transferida integralmente para a Basell.
Os US$ 253,8 milhões desembolsados foram obtidos com a colocação
de títulos de crédito, sendo US$ 40 milhões em Notas
de Crédito à Exportação (NCE) negociadas com
o Banco Votorantim, com vencimento em dez anos e custo total de 8,7% ao
ano. O restante foi levantado com Notas Promissórias vendidas em
31 de agosto, no valor de R$ 540 milhões, vencíveis em 180
dias, renováveis por mais 180 dias, com juros de 0,6% ao ano acima
do CDI.
Segundo o diretor-financeiro e de relações com o mercado
João Pinheiro Nogueira Batista, a operação faz parte
de amplo pacote financeiro que visa equacionar o novo e o antigo endividamento
da companhia em bases mais satisfatórias, aproveitando a disponibilidade
de capital internacional. O pacote financeiro inclui um financiamento
de US$ 160 milhões obtido junto a um sindicato (grupo) de bancos
(ainda em formação) associado ao International Finance Corporation
(IFC), com prazo de 12 anos, incluindo períodos de carência,
com remunerações variáveis por tranche, no máximo
de Libor + 2,65% anuais, além de 1,5% de comissões. Outras
fontes de recursos serão um pré-pagamento de exportação
junto ao Banco ABN Amro Real, de US$ 25 milhões, com prazo de sete
anos e taxa de Libor + 1,8% ao ano. Há ainda uma NCE com o Bradesco,
equivalente a US$ 40 milhões, com prazo de 6,5 anos, 5,5 anos de
carência e custo total de 105,5% do CDI.
Como a companhia mantém o plano de expansão da produção
nas unidades de Duque de Caxias-RJ e Mauá-SP, no total de mais
250 mil t/ano em polipropileno, além das atuais 625 mil t/ano (incluindo
a unidade de Camaçari-BA), foi preciso garantir outros US$ 40 milhões
junto ao IFC e um financiamento com o BNDES de R$ 111,13 milhões
com prazo de dez anos.
Ao mesmo tempo, a companhia está liquidando antecipadamente dívidas
antigas de US$ 89,9 milhões e R$ 38,7 milhões junto a agentes
financeiros internacionais, nacionais e BNDES. “Com isso, o perfil
da dívida foi alongado de 2,5 anos para 6,4 anos, com custo financeiro
médio de 6,52%”, disse o diretor. Ele estima economizar mais
de dois milhões de dólares no período, após
concluídas as operações. A composição
da dívida está concentrada em dólares (82% do total).
“Temos hedge em fluxo de produtos ao exterior para assumir essa
dívida em moeda estrangeira”, explicou Batista.
A perspectiva de negócios com o exterior é favorável
também pela extinção de cláusula contratual
de não competição nos mercados de origem da antiga
Basell, justamente Europa e Estados Unidos. Ambos os mercados podem ser
atendidos a partir da produção brasileira, com preços
competitivos e remuneradores.
Finalizada a operação, a Suzano Petroquímica finalmente
conseguirá reorganizar-se estruturalmente, eliminando de seu organograma
razões sociais que só tinham sentido durante a fase de reserva
de mercado, anterior a 1990. A Suzano Petroquímica ficará
com 100% da Polibrasil, 33% da Rio Polímeros, 20% da Petroflex,
6,8% da PqU, além do controle integral da holding SPQ, detentora
de 33% na Politeno e da participação conseqüente na
Norquisa. Dessa forma, a companhia deixa de ser uma holding para tornar-se
operadora petroquímica.
Isso significa o desaparecimento de nomes como Polipropileno S.A. e Polipropileno
Participações, Suzano Química Ltda., Suzano Poliolefinas
Ltda., Polibrasil Participações e outros galhos da frondosa
árvore organizacional, a ser resumida em um elegante “L”.
Os minoritários receberão oferta pública para aquisição
de suas participações, com valores bem acima da média
de mercado do semestre. “Esperamos ter concluído todo o processo
até 30 de novembro”, comentou. M. Fa.
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