Até o final deste ano, a Carbono Química começará
a vender produtos alinhados com as mais modernas tecnologias mundiais
para a fabricação de defensivos agrícolas. As novidades
satisfazem tanto a necessidade de banir produtos potencialmente perigosos
da atividade agrícola, como o desejo da distribuidora química
de ampliar seu campo de atuação, ainda muito dependente
dos segmentos de tintas e vernizes e adesivos. “Os agroquímicos devem evoluir em três tendências:
as microemulsões, os microencapsulados e as susp-emulsões”,
explicou o químico Claudinei Luiz Quaglio, especialista de aplicações
da Carbono Química, com quase vinte anos de experiência em
empresas como Basf e Oxiteno. Essas tendências têm por base
o abandono dos tradicionais solventes hidrocarbonetos pesados, como xilol
e AB-9, usados para dissolução de princípios ativos. A alternativa proposta pela Carbono surgiu a partir de contatos com a
Huntsman, com quem já mantém relacionamento comercial. “A
Hutsman entrou em tensoativos para agroquímica em 2003, a partir
da compra de uma unidade fabril da antiga ICI na Austrália”,
informou Quaglio. O protfólio da companhia americana contém
alguns itens, como catalisadores epóxi (etilenoaminas) e intermediários
para poliuretano, que são de utilidade para as novas apresentações
de defensivos. Segundo o especialista, microencapsulados são formados com o uso
de poliuretano e tensoativos, de modo a formar pequenos grânulos
estáveis contendo ativos sofisticados, tornando-os disponíveis
na hora mais adequada para aplicação. A formação de microemulsões também exige
tecnologia avançada em tensoativos, de modo a aposentar as conhecidas
apresentações de concentrados emulsionáveis, fortes
usuárias de solventes e também de nonilfenol etoxilado.
“Esse tensoativo, apesar de eficiente, está em fase de banimento
no mundo, pois um de seus resíduos de degradação
no ambiente é um disruptor endócrino”, explicou. Sem o nonilfenol etoxilado, é preciso modificar até as
especificações dos óleos minerais, segundo Quaglio.
A Carbono pretende trazer óleos brancos especiais feitos pela norte-americana
Calumet, associando-o a um tensoativo específico da Huntsman, de
modo a satisfazer as necessidades dos aplicadores de defensivos. Há
óleos brancos específicos também para a lavagem de
frutas nas packing houses, para posterior consumo in natura. “A
linha da Calumet tem custo e especificação adequados para
disputar mercado no Brasil, mas vamos entrar pelas commodities e depois
trazer especialidades”, explicou. As susp-emulsões exigem combinar princípios ativos com
diferentes comportamentos em meio solvente, uma tendência atual
do mercado agroquímico, de combinar moléculas já
aprovadas pelos órgãos de saúde e meio ambiente em
vez de bancar o desenvolvimento de novos itens. “O difícil
é estabilizar essas susp-emulsões”, afirmou. Isso
é conseguido com o uso intensivo de surfactantes, e nem sempre
se consegue eliminar totalmente o uso de solventes orgânicos. Quaglio mencionou a disponibilidade de alternativas aos hidrocarbonetos pesados em várias aplicações, substituindo-os por carbonatos orgânicos, produtos inodoros que não pegam fogo, nem agridem a saúde dos usuários e operadores. “Servem para as linhas agro e até para cosméticos”, disse. O consumo nacional de solventes hidrocarbonetos aromáticos pelo setor de defensivos agrícolas fica entre 7 mil e 8 mil m³/mês.n M. Fairbanks
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