No total, estimam executivos do setor, umas 25 empresas disputam as vendas de processos químicos. Mas não mais que sete abocanham algo como 80% dos negócios. O segmento onde há a maior concentração é o de pré-tratamento. A Henkel, que não revela seus números, é a líder absoluta. Seus concorrentes dizem que ela é responsável por mais de 75% das vendas no segmento. Inovações - Mas é no pré-tratamento
de superfície onde ocorrem as mais dinâmicas transformações
do setor, no momento. E, onde há mudanças, há oportunidades.
Nos últimos meses foram anunciados lançamentos de novos
processos de pré-tratamento que se apóiam na nanotecnologia
e colocam em xeque paradigmas dos processos a base de fosfato. (veja box).
O primeiro destes lançamentos foi da própria Henkel. A empresa iniciou no primeiro semestre a comercialização no país do Bonderite NT-1, um produto desenvolvido a partir de pesquisas em nanocerâmica, que utiliza compostos químicos à base de fluorziconica para o pré-tratamento de metais.
Outra vantagem é que o tratamento com a nova tecnologia é
realizado a frio, ao contrário do que ocorre nos sistemas tradicionais,
e portanto possibilita economia de energia. Apesar do Bonderite NT-1 custar
até 10 vezes mais que seus concorrentes, o processo completo de
pré-tratamento é mais econômico, em 20% a 30%, como
informa Lars Andreas Müller, gerente para a América do Sul
dá área de negócios Indústria Geral da Henkel.
A expectativa da empresa é alta com o lançamento. O foco
dos negócios com o novo processo são os setores de eletrodomésticos,
principalmente linha branca, e móveis metálicos. Müller
diz que atualmente 40 empresas no Brasil já realizam testes com
o produto. E a previsão é que até o final do ano
pelo menos duas linhas de eletrodomésticos já estarão
realizando pré-tratamento com o produto. Na Alemanha, diz o executivo, o ritmo de adesão ao processo com
o Bonderite NT-1, que foi lançado naquele mercado em setembro de
2004, é de uma nova linha de produção por semana.
"Nossa expectativa no Brasil é de que no segundo semestre
de 2006 já teremos um volume de negócios suficiente atraente
para iniciar a produção local do Bonderite", diz Müller. Outra empresa que anunciou o lançamento de um produto desenvolvido
com o suporte da nanotecnologia foi a Chemetall. É o Oxsilan, uma
linha de pré-tratamento de superfície a base de silano e
também isenta de metais pesados. A aposta da Chemetall nessa linha
de produtos também é alta. João Carlos Grecco, supervisor
do departamento técnico, informa que a performance anti-corrosiva
do composto a base de silano já corresponde a algo entre 90% e
95% do desempenho do fosfato tricatiônico. "Mas já há
pesquisas em desenvolvimento para uma nova geração de soluções
em silano. Em cinco anos, a qualidade final da aplicação
será superior à da fosfatização", diz
Fernando Morais dos Reis, gerente-técnico da Chemetall. Na Europa, a solução já está em uso em 16
empresas que atuam em áreas diversas, como linha branca, móveis
de aço e autopeças. Em setembro, uma montadora alemã
inicia os testes com o produto. A industria automobilística é
a principal usuária de pré-tratamento de superfície.
E também a mais exigente. "Havendo uma homologação
de uma montadora para o silano, as vendas vão deslanchar rapidamente",
diz Grecco. O executivo está confiante com o sucesso do silano. Ele acredita
que os novos processos desenvolvidos a partir da nanotecnologia têm
o potencial de substituir completamente a fosfatização para
pré-tratamento de pintura em um prazo de 10 a 15 anos em mercados
de ponta, como o europeu. Na América Latina, ele avalia que a substituição
ocorrerá ao longo dos próximos 30 anos.
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