Outra opção são as de poliéster, indicadas
para componentes que ficam expostos aos raios ultravioletas. Já
as de poliuretano são similares às de poliéster,
mas com um acabamento mais liso. Como o nome já diz, as tintas
em pó híbridas foram desenvolvidas a partir de proporções
balanceadas de epóxi e poliéster. Sua principal característica
é a maior resistência à calcinação. Pintura eletroforética – As-sim como as
tintas em pó, a pintura por eletrodeposição é
mais utilizada pela indústria automobilística, de autopeças
e de eletrodomésticos. O processo de pintura por eletroforese,
também conhecido como processo de eletrodeposição
catódica ou pintura KTL, consiste na deposição de
um filme de tinta, normalmente à base de resina epóxi, por
meio da aplicação de uma corrente elétrica contínua
em peças metálicas imersas em um banho aquoso de tinta.
Normalmente, as peças são previamente submetidas a etapas
de limpeza (desengraxe, decapagem e enxágües) e a uma fosfatização,
que consiste na formação de uma película de fosfato
metálico na superfície da peça e que proporciona
melhor aderência da tinta. Uma vez pintadas, as peças são
enxaguadas em água de alta pureza e, a seguir, submetidas a um
processo de cura ou secagem da tinta em estufas. Luiz Antônio Santos, da central de vendas e marketing corporativo
da fabricante de equipamentos Brasimet, diz que a pintura eletroforética
apresenta uma taxa de eficiência de transferência de material
maior que a obtida por qualquer outro sistema de pintura. “A uniformidade
de espessura e a eficiência da aplicação são
excepcionais”, garante. Como o sistema é à base de água, “este tipo
de pintura é um dos mais seguros no que se refere à emissão
de solventes, ou seja, em média, de 1% a 3% de solventes orgânicos
voláteis são encontrados neste processo”, explica
Santos. Outra grande vantagem é seu alto poder anticorrosivo. Com filmes
em torno de 20 e 25 micrômetros, a pintura por eletrodeposição
pode ser aplicada sobre diversos tipos de substratos, como o aço
laminado, o alumínio, o aço galvanizado e o aço pré-revestido
com ligas de zinco. João Carlos Magarotto, supervisor de produção da Arpint Pinturas Técnicas, diz que o revestimento eletroforese catódico pode ser completado com mais uma camada de tinta em pó poliéster ou híbrida. “O substrato, com uma espessura de 15 a 25 micrômetros como fundo anticorrosivo, aliado a uma tinta em pó, poderá resistir acima de mil horas em uma câmara de névoa salina (salt spray) ou 2 mil horas em câmara de umidade”, o que traz mais resistência a risco, boa aderência e flexibilidade’, afirma Magarotto. Tripé da eficiência – Para o pintor
de fim de semana, a principal preocupação é ir até
uma loja de tintas escolher a cor que mais combina com o quarto da família
ou com a fachada da casa e colocar mãos à obra. Mas quando
o assunto é pintura industrial anticorrosiva, a conversa é
bem diferente. Para que um sistema anticorrosivo tenha sucesso, ou seja,
proteja o aço contra a corrosão, é fundamental o
conhecimento técnico da tinta que será aplicada, o preparo
de superfície e a aplicação. Sem isso, invariavelmente
o sistema não funcionará. A escolha da tinta deve ser criteriosa e deve resistir à agressividade
do ambiente à qual será imposta. Para cada tipo de setor
– químico, petroquímico, papel e celulose e hospitalar
– por exemplo, uma determinada tinta com resinas, pigmentos, solventes
e aditivos específicos deverá ser levada em consideração.
Outro cuidado importante é a preparação da superfície,
o que quer dizer, tirar materiais que não pertencem ao substrato
para receber uma nova pintura. Qualquer material solto ou ligado com a
base prejudica sua aderência à superfície. Os métodos
mais usados para o preparo da superfície são limpeza manual,
mecânica, jateamento abrasivo e hidrojateamento. Como o próprio nome diz, a limpeza manual é feita com ferramentas
como espátulas, raspadores, escova de arame, lixas e mantas não-tecidas
impregnadas de abrasivos. Este método é o mais simples e
remove apenas ferrugens. Como a carepa é um material fortemente
aderido, as escovas manuais não conseguem removê-la. A limpeza
mecânica é executada com ferramentas mecanizadas como escovas
rotativas e lixadeiras elétricas ou pneumáticas. Neste caso,
a carepa só é removida com as lixas, mas com pouco rendimento.
O jateamento abrasivo com areia é o melhor método de preparação
de superfície. O jato abrasivo provocado pelo ar comprimido proporciona
uma perfeita limpeza e cria a rugosidade ideal para a aderência
da tinta. Mas o bom desempenho tem um alto preço a pagar. Ao se
chocarem contra o metal, em velocidades variando entre 300 e 700 km/h,
os grãos de areia se partem resultando em pó. As partículas
contêm alto teor de sílica livre cristalina, prejudicial
à saúde das pessoas. O organismo não consegue eliminar,
via defesas respiratórias, partículas menores do que 5 micrômetros,
que acabam chegando ao pulmão. A aspiração do pó
provoca doenças graves como a silicose, irreversível e incurável.
Por causa disto, em 2004, uma portaria do Ministério do Trabalho
e Emprego proibiu a utilização de jateamento com areia seca
ou úmida como abrasivo. Apesar da proibição, o jateamento
úmido ainda é usado no país, mas com abrasivos não
poluentes, como a granalha de aço e abrasivos sintéticos,
que emitem pouco material particulado. Atualmente, o método considerado ideal é o hidrojateamento,
executado com água a altas pressões. Com um sistema de bombas
hidráulicas com mangueiras de alta resistência, o impacto
da água nestas condições (5 mil e 40 mil psi) consegue
remover a carepa, as ferrugens e as tintas velhas. Como não há
abrasivo na limpeza, a formação de rugosidade é prejudicada.
Por isso, o hidrojateamento é indicado para superfícies
já jateadas anteriormente. Os resíduos sólidos do hidrojateamento são 98,5%
inferiores aos do jateamento abrasivo. O grau de pureza (salinidade) da
superfície preparada com esta técnica é 85% maior
ao jateamento abrasivo. O único resíduo do hidrojateamento
é o óxido de ferro (oxidação), que em seu
estado inicial é inerte e não compromete o desempenho dos
produtos desenvolvidos para aplicação sobre esse tipo de
substrato. Com a superfície pronta, o passo final é a aplicação,
hora em que vários fatores devem ser cuidadosamente definidos.
Para a melhor aplicação da tinta, o cliente deve contratar
uma empresa especializada para fazer o serviço, uma vez que as
empresas de tintas não fazem este trabalho. “Este trabalho
é feito por empresas especializadas. Normalmente indicamos alguns
nomes de aplicadores e colocamos à disposição do
cliente uma equipe de assistência técnica para sanar qualquer
dúvida sobre a melhor maneira de aplicar nossas tintas”,
afirma Queiroz Junior. Para o gerente de vendas da Renner, a preocupação
com a utilização correta das tintas é fundamental
para manter a credibilidade da marca. “Se a tinta for mal utilizada,
ela não funcionará como deveria e a primeira reação
do consumidor é achar que o produto não é bom ou
não funciona. Temos que preservar nossos produtos e garantir a
sua melhor utilização”, completa. Com a equipe de aplicação contratada, os próximos passos são definir a metodologia de aplicação, a correta utilização das ferramentas, como rolos e pincéis, pistolas com ar sem ar, pulverização, e também o controle da espessura úmida e seca, os tempos máximos e mínimos de pintura entre camadas e repintura, a umidade relativa do ar, a temperatura ambiente e da peça, o ponto de orvalho, a correta mistura dos componentes das tintas, entre outros. A falta destes itens pode prejudicar o bom desempenho das tintas com a formação de bolhas, empolamento, escorrimento, enrugamento, porosidades e crateras. Aplicação depende do ponto de orvalho
O ponto de orvalho é literalmente o termômetro dos pintores,sejam
eles caseiros ou industriais. Ele corresponde à temperatura na
qual a umidade do ar condensa sobre a superfície. A aplicação
da tinta deverá acontecer apenas se a temperatura do substrato
estiver pelo menos 3ºC acima do ponto de orvalho. A quantidade de
umidade relativa do ar (UR), ou seja, a quantidade de vapor de água
presente na atmosfera, pode ser medida e na hora da aplicação
não deve ser superior a 85%. Petrobrás aumenta inspeções cional quando o assunto é tintas anticorrosivas. Com centenas
de plataformas, refinarias, gasodutos e embarcações, a estatal
investe em tecnologia para melhorar os sistemas anticorrosivos de seu
patrimônio e acaba instigando seus fornecedores a desenvolverem
novos produtos.
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