Ambiente Caixa promete financiar R$ 300 milhões
A fonte de recursos, segundo explicou Tavares, será do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT), que deve até o final do ano dispor,
em uma primeira etapa, cerca de R$ 300 milhões para os primeiros
doze meses de projetos. Apesar de ter sido apresentada em seminário
da Firjan, a linha foi desenvolvida em conjunto com o departamento de
meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp), que procurou a Caixa para demonstrar a crescente
demanda por projetos desse tipo. De acordo com o superintendente nacional, apesar de não limitar
o público-alvo da linha de financiamento, a troca de informações
com a Fiesp foi importante para descobrir, por exemplo, que os recursos
são prescindidos sobretudo por empresas de médio e pequeno
porte, interessadas em melhorar a gestão ambiental, mas muitas
vezes sem onde obter crédito para realizar obras. Segundo Tavares,
a demanda, e também o foco de atendimento da linha, deve se concentrar
em grandes regiões metropolitanas do País, no Rio, São
Paulo e Belo Horizonte, principalmente. A explicação é
fácil: trata-se de locais onde a água de abastecimento é
escassa e portanto cara. O formato do crédito já está praticamente definido.
Voltado para indústrias ou operadores terceirizados, terá
carência limitada a no máximo 24 meses, contando o prazo
de execução da obra mais 6 meses. A amortização
será em até 100 meses e o contratante precisará entrar
com contrapartida mínima de 25% do valor total financiado. Com
taxa de juros TJLP+spread bancário, a linha aceitará como
garantias os sistemas de vinculação de receita, de fiança
ou de seguro de crédito. “Será no estilo project finance”,
explicou o superintendente da Caixa Econômica Federal. Considerada prioritária no banco, segundo explicou Tavares, a
linha de crédito também já tem definidos os tipos
de projetos que financiará. Poderão ser desde simples estudos
e projetos executivos até programas de elaboração
e implantação de sistemas, compra de equipamentos, serviços
e materiais, e reformulações de estações de
tratamento de efluentes e de gerenciamento de resíduos. As modalidades
de projetos deverão também obedecer algum dos seguintes
objetivos: minimizar o consumo de água, promover o reuso, visar
soluções corretas para disposição e tratamento
de resíduos e adotar sistemas de gestão ambiental. Com o passar dos anos, o valor inicialmente disponível para os projetos de reuso e gerenciamento de resíduos, ainda de acordo com Rogério de Paula Tavares, deve aumentar. “Esse número é só para começar”, diz. Ainda dependente do aval final do Conselho Deliberativo do FAT (Codefat) previsto até o término de 2005, a linha deve então dar um pouco mais de força à aplicação dos recursos dos fundos de origem popular. Isso porque, neste ano, o crédito disponível pela Caixa Econômica Federal para saneamento básico, do FGTS, de cerca de R$ 2,7 bilhões, está contingenciado pelo Conselho Monetário Nacional, com o propósito de cumprir as metas de superávit fiscal do Governo Federal. O mesmo ocorre com os recursos do FAT, disponilizados normalmente pelo BNDES. “Vai ter uma sobra enorme neste ano, já que os contratos fechados até o momento não passam de 270 milhões de reais”, explica Tavares. E mesmo assim, segundo explicou o superintendente da CEF, as liberações permitidas foram por meio de operações estruturadas, via projetos privados e por PPPs. Praticamente nenhuma operação foi diretamente com as companhias estaduais ou municipais de saneamento. Marcelo Furtado
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