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Capacidade ociosa - A simbiose entre e-coat e automóvel
não deixa de ser positiva para os fabricantes da tinta. Afinal,
a indústria automobilística está entre as mais dinâmicas
do mundo. Quando ela está em expansão, como ocorre hoje
no Brasil, onde a produção de veículos nos seis primeiros
meses do ano atingiu 1,2 milhão de unidades, 15,7% mais do que
no primeiro semestre de 2004, o fornecimento de e-coat cresce a um ritmo
de 5 kg por carro fabricado. Nada mal. O problema é que, quando
a indústria automotiva pisa no freio, os fornecedores de tintas
eletroforéticas sentem imediatamente o tranco.
| Foi o que ocorreu na última
década. A indústria automobilística saltou de
uma produção de 1,6 milhão de automóveis
em 1995 para 2 milhões em 97 |
Cuca Jorge |
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| Guindalini (esq.) e Sugai: DuPont substtitui o chumbo |
Foi o que ocorreu na última década. A indústria
automobilística saltou de uma produção de 1,6 milhão
de automóveis em 1995 para 2 milhões em 97. Esse crescimento,
ocorrido no auge do ganho do poder aquisitivo gerado nos primeiros anos
do Plano Real, levou as montadoras a projetarem um forte crescimento do
consumo no Brasil. As vendas, diziam, chegaria a um patamar de 3,5 milhões
de unidades em 2000. Esse otimismo levou os produtores de tintas automotivas
a investir em aumento de capacidade produtiva para atender tamanha demanda.
Mas as vendas de carros andaram ladeira abaixo. Caíram para 1,3
milhão em 99 e patinaram na casa de 1,7 e 1,8 milhão entre
2000 e 2003. Só voltaram a crescer em 2004, quando foram vendidas
2,2 milhões de unidades. Mesmo assim, um número muito aquém
dos 3,5 milhões previstos. O resultado para a indústria
de tintas automotivas foi desastroso. “Hoje, mesmo com a recuperação
das vendas, a capacidade ociosa do setor gira em torno de 40%”,
diz Roberto Akira Sugai, gerente de negócios automotivos da DuPont.
O aumento das encomendas também não foi capaz de garantir
bons resultados financeiros ao setor. O e-coat é composto de duas
matérias-primas principais, resinas à base de epóxi
e a pasta pigmentada. O epóxi, responsável por 75% da composição,
é uma commodity com preço atrelado ao petróleo. “Só
no primeiro semestre deste ano, o preço do epóxi subiu 50%
. Mas para repassar 10% do nosso aumento de custos para a indústria
automobilística é preciso muita negociação.
As margens de lucro do setor estão muito deprimidas”, diz
Destro.
Estratégias - Os três players possuem formas diferentes de
atuação no mercado brasileiro. A PPG, em sua fábrica
em Sumaré-SP, construída em 2000, optou por produzir no
Brasil apenas a pasta pigmentada, que além de atender o mercado
interno, é exportada para a Argentina e o Uruguai. O epóxi,
a PPG importa de suas unidades na Europa, México e Estados Unidos.
Entre seus principais clientes estão a GM de Gravataí-RS,
a Mitsubishi, Toyota, Fiat e Renault. Segundo Destro, a PPG é líder
nesse segmento de mercado no País. Mas a condição
de liderança também é reivindicada pela DuPont. A
empresa, que tem produção local, atende a Ford, aproximadamente
75% do consumo da Volks, Honda e, recentemente, passou a fornecer tinta
para um dos dois tanques de pintura por eletrodeposição
da Fiat em Betim-MG. E exporta parte de sua produção para
a unidade chinesa da DuPont.
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