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Ambiente
Desmobilização comprova segurança
de aterro
Em maio de 2005 terminou o pro-cesso de desmobilização das
quatro pri--meiras valas do aterro industrial Ecosistema, de São
José dos Campos-SP. Inauguradas em 1986, e finalizadas em 1989,
as cerca de 600 toneladas de resíduos perigosos (classe 1) contidas
em cada vala foram removidas e levadas para outras áreas mais novas
do aterro. A desmobilização, iniciada em 1998, foi feita
de forma voluntária pelo Ecosistema, para acondicionar os resíduos
em um sistema de impermeabilização e monitoramento mais
moderno.
| Além de ter adaptado todo o
aterro aos atuais padrões de disposição, a remoção
dos resíduos em São José dos Campos também
ganha importância para os interessados na história e
até na arqueologia do gerenciamento ambiental brasileiro |
Cuca Jorge |
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| Gianesi nota retração nos resíduos classe 1 |
. É curioso saber, para começar, que na época do
aterramento, na década de 80, sequer havia exigência oficial
de impermeabilização. Bastava haver no local solo argiloso,
natural ou artificialmente transportado. No caso do Ecosistema, o terreno
conta com camada natural de 6 a 8 metros de argila roxa, a melhor delas
por ter permeabilidade de 10-7 cm/s (mais do que o exigido por norma,
de 10-5 cm/s).
| A despreocupação da época,
e o fato de contar com a argila roxa, não foram suficientes
para convencer o aterro a não preparar o solo para dispor os
resíduos. |
Cuca Jorge |
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| Vala esvazida, após vinte anos de uso: lona de PVC resistiu |
Por garantia, as valas foram revestidas com mantas de PVC flexível.
Revestimento proibido em 1991 - com o surgimento das melhores mantas de
polietileno de alta densidade (PEAD), com mais resistência mecânica
e a componentes orgânicos voláteis e com sistema de solda
mais fácil de ser controlado -, ele porém mostrou-se eficiente
durante o período de confinamento do lixo industrial. Com a remoção
dos resíduos, provou-se não ter havido nenhuma fissura ou
desgaste nas mantas, e o solo e lençol freático (a 19 metros
de profundidade) permaneceram livres de contaminações.
"Chamamos quatro diferentes laboratórios para analisar o PVC
e todos os resultados comprovaram que as mantas estavam com as mesmas
características originais", afirma o diretor do Ecosistema,
João Gianesi Netto. Essa estanqueidade, já de fato conhecida
tanto pela empresa como pelo órgão ambiental, não
demandaria a desmobilização em caráter oficial. Com
as duas novas mantas de PEAD, porém, o local passou a ter o mesmo
tipo de monitoramento do restante do aterro, com dreno testemunho entre
os dois pontos de soldagem. E toda a área passará a ser
uma nova célula única para resíduos classe 2.
Futuro - Quando entrou em operação
em 1986, depois de dois anos de pleito junto à prefeitura de São
José dos Campos, o Ecosistema visou principalmente receber a areia
de fundição (classe 2) da filial da General Motors daquela
cidade. Apenas a partir de 1987, para atender também a demanda
das montadoras do Vale do Paraíba (ainda a Volkswagen de Taubaté)
e de indústrias de autopeças e químicas, a empresa
começou a receber os resíduos perigosos (classe 1). Hoje,
cerca de 60% da área operacional de 182 mil metros quadrados são
destinados para os perigosos.
Atualmente, com área total de 760 mil m2, depois da compra de vários
terrenos na vizinhança, o Ecosistema reservou mais 100 mil m2 para
a operação futura, deixando o restante para uso interno
e de proteção ambiental. Com a expansão, segundo
João Gianesi, haverá mais cerca de 18 anos para a operação
com resíduos classe 2 industriais, completando quase 40 anos de
aterro, e mais de 8 a 9 anos para os de classe 1. A opção
em destinar maior área para os não-perigosos, segundo seu
diretor, tem fácil explicação: "Há uma
retração no mercado do classe 1, tanto por causa de novas
tecnologias de destinação, como em virtude de mudanças
nos processos dos clientes, que reduziram a geração",
diz. Segundo ele, enquanto em 2000 o aterro recebia cerca de 1.200 t/mês
de resíduos classe 1, hoje o volume caiu para 750 t/mês.
O foco em resíduos classe 2 também conta com a perspectiva
de que uma lei municipal (4404/93) de São José dos Campos
seja revogada. Trata-se de restrição criada em 1993 para
limitar a atuação do aterro a empresas do Vale do Paraíba
e do litoral norte paulista. Válida de fato apenas depois de 2001,
já que o aterro recorreu logo após sua primeira promulgação,
alegando direitos adquiridos, a lei visa proibir a entrada de resíduos
indesejados de outras localidades. O problema é que a mesma legislação,
de forma contraditória, permite apenas às empresas instaladas
na região trazerem resíduos de suas filiais para destinar
no Ecosistema. "Isso é inconstitucional e estamos brigando
na Justiça", explica Gianesi. Adotada como resultado de uma
celeuma na região ocasionada pela disposição de resíduos
da Baixada Santista, do famoso caso Clorogil-Rhodia, a lei tem grandes
chances de cair, segundo o diretor do Ecosistema.
Com a possível revogação da lei, a expansão
da área do aterro para receber mais resíduos classe 2 ganha
relevância, estendendo o raio de atuação para vender
a destinação. Apenas a demanda do Vale do Paraíba
não é suficiente para alimentar previsões de crescimento
muito animadoras, apesar de se tratar de uma região industrializada.
Só para se ter uma idéia, em 10 de maio de 2001, um dia
antes da vigência da lei passar a valer definitivamente, o Ecosistema
possuía 192 clientes. No dia seguinte, este número despencou
para cerca de 55 empresas.M. Furtado
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