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Custo preocupa mas
não inibe crescimento
O mercado de tintas em pó cresce acima do PIB e pode dobrar. O difícil é sobreviver às
reduzidas margens de lucro.
Domingos Zaparolli
Tendo como perspectiva o longo prazo, o
horizonte do mercado brasileiro de tintas em pó tem aparência azul
celeste. É um segmento de negócios que cresce acima do PIB industrial
brasileiro e a incorporação de novas soluções pode incrementar as
vendas com a ampliação do leque de aplicações do revestimento.
Mas, quando se olha para o curto prazo, a aparência do mercado ganha
tonalidades cinzentas. Os custos das matérias-primas sobem
vertiginosamente. Há excesso de capacidade instalada entre os
fabricantes. E, para piorar, as políticas de juros e impostos no Brasil
inibem a economia como um todo, desestimulando consumo e
investimentos.
O resultado é que, no momento, a margem de lucro dos fabricantes está deprimida a ponto de sufocar alguns players. A questão que se coloca no mercado de tintas em pó é saber quantos, e quais, competidores conseguirão superar a cinzenta barreira conjuntural e alcançar o céu de brigadeiro que se avista ao longe.
Não há estatística oficial sobre o mercado de tintas em pó no País. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) trabalha com uma estimativa que aponta uma produção brasileira total de 30 mil toneladas/ano. Sendo que algo como 26 mil toneladas são destinadas ao mercado interno e as demais 4 mil toneladas vendidas para países vizinhos, principalmente Argentina, Chile e Colômbia.
Dilson Ferreira, presidente executivo da Abrafati, avalia que o mercado brasileiro de tintas, como um todo, cresceu 6% em 2004. O segmento de tintas industriais evoluiu 4%, mas o de tintas em pó, 8%. “Nossa expectativa é de um crescimento de 5% em 2005”, diz Antonio Roberto Cruz, diretor da Abrafati e da
Isocoat. O otimismo também é compartilhado por Carlos Claro, diretor geral da
Cytec. Ele estima que a produção brasileira de tintas em pó chegue a 32 mil ou 33 mil toneladas em 2005. A norte-americana Cytec se transformou em um dos principais fornecedores de resinas para o mercado brasileiro de tintas após a compra, em fevereiro último, em nível mundial, da divisão Surface Specialities da belga
UCB. Um negócio de 1,5 bilhão de euros.
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Cuca Jorge |
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| Ferreira: segmento em pó cresceu 8% |
Margens rasas - Se a curva de vendas traça uma trajetória de alta, movimento oposto percorre os indicadores financeiros dos fabricantes de tintas. “A margem de lucro do fabricante está muito baixa. A conseqüência é que há uma deterioração do mercado. Alguns estão reduzindo a qualidade de seus produtos, o que prejudica o setor como um todo. Outros estão trabalhando no limite, quase sem lucratividade”, adverte Luiz Augusto Totti, gerente de produtos Tinta em Pó, da PPG, para a América do Sul. Uma declaração que resume o que foi ouvido por Química e Derivados de todos os entrevistados desta reportagem.
Um conjunto de fatores determina a situação de depressão das margens de lucro. O mais evidente deles é a extraordinária alta dos custos dos principais insumos do setor, as resinas. Segundo informa Antonio Roberto Cruz, em um ano, entre maio de 2004 e maio de 2005, o custo das resinas à base de epóxi subiu de US$ 1,70 o quilo para US$ 3,20. O poliéster, no mesmo período, foi de US$ 1,60 o quilo para US$ 2,25. E o dióxido de titânio, de US$ 1,70 para US$ 2,20 o quilo. Matéria-prima, lembra Cruz, representa 70% da estrutura de custos da tinta em pó.
| Cuca Jorge |
Os fornecedores de resinas também não estão confortáveis com a inflação da cadeia produtiva do setor. Paulo
Intelizano, gerente de vendas para América do Sul da Huntsman, e Carlos Claro, da
Cytec, informam que suas matérias-primas registraram altas acima de 50% em um ano. Em alguns casos, como o benzeno, a alta chegou a 130%. “Não há possibilidade de negociação com nossos fornecedores. Compramos commodities, cotadas internacionalmente. E há escassez no mercado”, diz Claro. |
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| Lavini: pigmentos sofrem com a alta dos preços
do petróleo |
O pano de fundo desta alta é de conhecimento geral: a extrema volatilidade do mercado internacional de petróleo, que teve seu preço dobrado em um ano e o boom de consumo asiático.
O aumento de custos inflacionados pela alta do petróleo também afeta outro insumo importante do setor, os pigmentos, como informa Vitor Lavini, coordenador de negócios coatings & colarants da Degussa. Alívio mesmo só nas demais especialidades químicas que formam a cadeia de insumos da tinta em pó, aditivos de fluidez, agentes de cura, reticulantes que, segundo Lavini, não estão pressionando os custos do fabricante de tinta.
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