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Várias outras possibilidades de extração do hidrogênio podem se mostrar
viáveis. Uma bastante indicada para a geração de energia estacionária
dirigida a condomínios ou edifícios comerciais é a da instalação de
equipamentos voltados para a reforma do gás natural encanado. No caso da
ausência do gás natural encanado, os velhos e bons cilindros de hidrogênio
podem garantir o suprimento necessário do gás para o funcionamento das
unidades geradoras.
| divulgação |
A obtenção de hidrogênio para a geração de energia para veículos exige uma avaliação mais complexa. Não está descartada, por exemplo, a instalação nas garagens de empresas de transporte de equipamentos voltados para a realização da hidrólise. Outra alternativa vista com bons olhos para o abastecimento dos automóveis é a de instalação em postos de combustíveis de equipamentos projetados para extrair o hidrogênio do álcool, gasolina, diesel ou do gás natural. |
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| Protótipo de ônibus movido a célula
combustível |
Os protótipos de ônibus e automóveis já rodando com hidrogênio em
vários países são equipados com cilindros de hidrogênio mantidos a
uma pressão entre 200 bar e 300 bar. “O transporte e a utilização
de hidrogênio não são mais perigosos do que os de outros
combustíveis. Mas é lógico que precisam seguir determinadas
condições de segurança para que os acidentes sejam evitados”,
explica o gerente da EMTU.
O avanço da nanotecnologia pode vir a promover uma grande revolução
nessa prática. Em vários países estão avançadas as pesquisas
voltadas para a substituição dos cilindros por recipientes que se
utilizem de hidretos metálicos, sólidos que absorvem hidrogênio. A
alternativa permitirá o armazenamento do vetor energético em pressões
em torno dos 2 bar ou 3 bar, tornando todo o processo muito mais seguro.
A fórmula também tornará viável a geração de energia por meio
desta tecnologia para o funcionamento de aparelhos portáveis, como
computadores de mão, celulares e outros aparelhos
eletroeletrônicos.
Sonho antigo – O desejo de utilizar o hidrogênio para gerar
energia não é novo, vários estudos foram promovidos durante o
transcorrer do século 20. O primeiro modelo funcional de células a
combustível surgiu na década de 30. No final dos anos 60 teve início
o desenvolvimento das células a ácido fosfórico, chamadas PAFC (Phosphoric
Acid Fuel Cell), feito assinado pela norte-americana United Technology
Corporation e que representou um significativo progresso tecnológico
sobre os estudos realizados até então.
Nos anos 80 foi realizada nos Estados Unidos a primeira tentativa de
campo que obteve relativo sucesso. O projeto reuniu um sistema de 40
unidades geradoras dotadas com células a ácido fosfórico, que geravam
uma potência elétrica de 40 kW. As células alcalinas AFC (Alkaline
Fuel Cell) surgiram para possibilitar as viagens espaciais e são as
precursoras das células mais modernas.
A pouca viabilidade econômica foi um empecilho para a disseminação
dos protótipos construídos no século passado. Hoje, com o grande
investimento feito em pesquisas e o surgimento de vários materiais com
custo reduzido, apareceram vários outros tipos de células a
combustíveis, que funcionam a quente ou a frio e são mais
competitivas.
Entre elas está a chamada célula PEMFC (Proton Exchange Membrane Fuel
Cell), que opera a baixas temperaturas (até 90º C) e é apontada como
a alternativa mais promissora para impulsionar a substituição dos
motores de combustão interna, além de poder ser aplicada a unidades
geradoras de energia estacionárias. De forma resumida, a célula PEMFC
pode ser definida como uma espécie de bateria, que conta com duas
placas separadas por um conjunto chamado MEA (Membrane-Electrode-Assembly),
formado por membrana polimérica feita em perfluorado de
tetrafluorpolietileno e que serve de base para os eletrodos e elementos
catalisadores que a envolvem.
Em uma das placas ocorre um fluxo de hidrogênio alimentado
exteriormente, na outra um de oxigênio retirado do ar. Os catalisadores
ionizam as moléculas de hidrogênio e oxigênio, de forma que as
moléculas de hidrogênio sejam atraídas para a placa onde se
concentram as moléculas de oxigênio. Como o MEA é permeável apenas
aos prótons de hidrogênio, os elétrons desse elemento químico são
desviados e formam a corrente elétrica que gera a energia (veja o
esquema).
O uso comercial dessa célula era inimaginável até há pouco tempo, em
virtude da necessária utilização de uma grande quantidade de platina
na composição do MEA, o coração de todo o conjunto. A platina tem a
função de atuar como elemento catalisador, tanto na reação anódica
como na catódica. O avanço da nanotecnologia, porém, tornou viável o
uso da tecnologia. Hoje, são utilizadas nanopartículas do metal nobre
colocadas sobre um suporte de negro de fumo, fator que reduziu os custos
de produção do conjunto de forma drástica.
As células a combustível que operam em altas temperaturas, cuja
principal aplicação é voltada à geração de energia em unidades
estacionárias, apresentam algumas vantagens. Por causa de suas
características, elas não necessitam de metais nobres como
catalisadores, apresentam maior eficiência de conversão da energia
química em elétrica e têm elevada capacidade de co-geração de
eletricidade e calor. Em compensação, têm deficiências como maior
propensão a processos de corrosão e fadiga dos componentes, entre
outros problemas.
No universo das células a quente, as do modelo SOFC (Solid Oxide Fuel
Cell), produzidas em materiais cerâmicos, encontram-se entre as de uso
mais promissor. Elas utilizam uma matriz de níquel metálico
sintetizado com óxido de zircônio como material de ânodo e um
composto de lantânio dopado com estrôncio como cátodo.
Ônibus nacional – A idéia de produzir no Brasil alguns
protótipos de ônibus movidos a hidrogênio nasceu há cerca de sete
anos. Na época, o Ministério de Minas e Energia começou a fazer
estudos com a intenção de aproveitar a energia hidrelétrica gerada
fora dos horários de pico e não utilizada. A idéia encontrou eco na
EMTU. A empresa, por exemplo, foi uma das pioneiras em todo o mundo na
utilização de gás natural e de etanol para movimentar os ônibus.
“Nosso objetivo foi o de permitir ao Brasil absorver conhecimento em
uma tecnologia com grande potencial de mercado”, conta Schettino. O
potencial a que se refere o executivo não se traduz apenas em um
recurso de retórica. O Brasil é o maior mercado e o maior produtor
mundial de ônibus, com fabricação estimada de 19 mil unidades por
ano. A frota da região metropolitana de São Paulo é a que concentra
maior número de veículos do planeta.
A partir de 1997, a EMTU passou a trabalhar na primeira fase do projeto,
que contou com o apoio do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD). A etapa consistiu na elaboração de um estudo
de viabilidade, que tinha como principal objetivo obter financiamentos
do Global Environment Facility (GEF), órgão de ajuda ao progresso
tecnológico ligado à ONU, e da Financiadora de Estudos e Projetos
(Finep).
O estudo foi aprovado pelos financiadores em abril de 2000. Começou,
então, uma nova fase, que previa a aquisição, operação,
manutenção e acompanhamento do desempenho de oito ônibus equipados
com célula a combustível. Esses ônibus deveriam rodar cerca de 1
milhão de quilômetros. Além disso, foi projetada a montagem de uma
estação de produção de hidrogênio e de abastecimento dos
ônibus.
Por questões orçamentárias, a frota prevista inicialmente foi
reduzida para cinco ônibus. Outro problema enfrentado pela EMTU foi a
dificuldade em encontrar parceiros da iniciativa privada interessados em
participar do projeto. Esse entrave provocou o atraso da execução do
plano, cujo cronograma previa a circulação dos primeiros protótipos
em 2004. “Nossa expectativa é de firmar contrato com as empresas
fornecedoras de produtos e serviços para a execução do projeto dentro
de um ou dois meses. O primeiro protótipo do ônibus deve ir para as
ruas no segundo trimestre de 2006”, informa o gerente da EMTU.
Os ônibus serão equipados com células a combustível do modelo PEMFC.
Eles também contarão com sistema de tração composto de motor
elétrico e comandos eletrônicos, além de um conjunto de equipamentos
auxiliares voltados ao gerenciamento da alimentação de ar e
combustível, bem como o controle da variação de potência.
A unidade de produção de hidrogênio e de abastecimento dos veículos
será construída dentro da garagem localizada na sede da empresa de
transportes urbanos. O vetor energético será obtido por meio da
instalação de um equipamento de eletrólise. “Uma das imposições
feitas pelo GEF exige que o hidrogênio seja produzido a partir de uma
fonte renovável”, justifica Schettino.
O fato da frota circular em um corredor de ônibus proporciona uma
série de vantagens à pesquisa. Nos corredores, os veículos carregam
um número de passageiros quatro vezes maior do que nas linhas normais,
particularidade que proporciona um custo operacional mais barato. Eles
circulam com velocidade média mais elevada do que os que se movimentam
nas ruas, o que permitirá melhores avaliações de desempenho. Além
disso, os corredores concentram maiores quantidades de emissões de
poluentes. “Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e China são os
países onde estão sendo testados os primeiros protótipos de ônibus.
Os veículos têm se mostrado limpos, silenciosos e com desempenho
bastante satisfatório”, conta Schettino.
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