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CIÊNCIA Encontro
valoriza pesquisa com
as macromoléculas O X Colóquio de Macromoléculas, realizado em Gramado de 10 a 13 de abril, serviu para abrir as portas da petroquímica para a nanotecnologia, a ciência microscópica da escala bilionésima do metro, a qual nos últimos dez anos passou a despertar grande interesse por parte da comunidade científica internacional. “Agora está na moda e as publicações passaram a valorizar o esforço dos pesquisadores dessa área”, atestou a coordenadora-geral do evento, Griselda Galland. Ela destacou ainda a forte participação de pesquisadores das diversas universidades federais brasileiras, do Chile, da Argentina, Estados Unidos, França, Canadá e Alemanha. Ao todo foram realizadas 49 apresentações orais, 207 resumos e 138 pôsteres. Ela ressaltou a forte participação de experiências com poliolefinas, sobretudo as experimentações com sínteses de substâncias na busca de novos plásticos reforçados, blendas, novas possibilidades de catálise entre outros aspectos. Sebastião Canevarolo, da Uni-ver-sidade Federal de São Carlos (UFSCar), parceira de primeira hora do evento, elogiou o caráter científico do colóquio, apesar de criticar o fato de a língua oficial permanecer o inglês. “O evento em inglês inibe a presença de público que poderia ser bem maior. Mas essa foi uma exigência dos alemães para patrocinarem”. Mesmo assim, Canevarolo considera o colóquio fundamental porque é a ponta da pesquisa tecnológica e científica quando o tema é o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos polímeros. Para o X Colóquio, Canevarolo apresentou sua mais nova invenção, um detetor que mede a intensidade da luz do plástico fundido para medir transparência, preocupado com a segunda fase de aparência leitosa. A finalidade é entender os níveis de dispersão, quando serão geradas as blendas e os reforços e pigmentos. O objetivo é projetar a durabilidade da peça. Seu trabalho foi desenvolvido no Brasil nos últimos seis anos. “Eu gostaria de mencionar o alto nível brasileiro, tanto no aspecto técnico, como científico. Eu estive no colóquio há 20 anos e agora. A evolução é brutal, da água para o vinho. Não perdemos para ninguém na pesquisa científica com macromoléculas”, comemorou o pesquisador de São Carlos-SP. Um evento como esse abre espaço para qualquer tipo de experimento. É o caso de um grupo de pesquisadores gaúchos da UFRGS que levaram ao plenário estudo relacionado com a obtenção de uma blenda de serragem de madeira com polipropileno. A experiência inclui a modificação estrutural do polímero. De acordo com esses pesquisadores, os plásticos reforçados com fibra natural encontram cada vez mais uso na indústria automotiva, principalmente no que tange o interior dos painéis e assoalhos do caminhão, e também nos equipamentos de playground. Esses compostos oferecem benefícios técnicos e ambientais, força e rigidez elevadas, densidade e abrasividade baixas. Dentre as vantagens ambientais Marco Aurélio de Paoli, da Unicamp, opinou que eventualmente os trabalhos do colóquio podem também obter aprovação rápida na indústria. No caso de sua proposta de estabilização do polipropileno em peças injetadas, o objetivo é justamente prolongar o efeito do negro-de-fumo nos pára-choques dos automóveis. “O que nós fizemos foi identificar a causa do problema e a partir desse ponto promover modificações de processos com a finalidade de minimizar a degradação da cor provocada pelo embranquecimento”. A solução proposta por Paoli envolve produtos já existentes no mercado como o negro-de-fumo condutor e as blendas estabilizantes. Faltava juntá-los, testá-los em laboratório e encontrar a melhor relação entre estabilizante e pigmento. “O sucesso dos trabalhos depende das possibilidades de gerarem lucro para as empresas e esse, do pessoal da Unicamp, poderá ter aplicação a curto prazo”, analisou um engenheiro da área técnica de um dos principais fabricantes de negro-de-fumo do País, proibido de se identificar pelas normas de conduta da corporação no relacionamento com a imprensa. Com relação ao destaque conferido aos trabalhos com nanotecnologia, o colóquio reservou a tarde do dia 12 para a exposição de sete linhas de pesquisas com mediação dos pesquisadores Silvia Guterres, da Faculdade de Farmácia da UFRGS, e Nelson Durán do Instituto de Química da Unicamp. Basicamente, os pesquisadores estão tentando obter estruturas em nanopartículas para a constituição de novas blendas, estruturas vinílicas e poliésteres. Nesta etapa dos estudos, há uma grande preocupação com a caracterização das moléculas dos materiais, obtenção das concentrações corretas, a escolha das matérias-primas mais adequadas, assim como a redução das partículas ao tamanho padrão nano. “As nanoesferas são estudadas desde o final da década de 1970 e as nanocápsulas desde meados da década de 1980, como carreadores de fármacos. As nanoesferas, assim como os lipossomas, são investigadas como carreadores de agentes antitumorais e as nanocápsulas, na atualidade, são muito utilizadas em formulações cosméticas”, explicou Adriana Pohlmann, da equipe da UFRGS, responsável pela obtenção de medicamentos nanoencapsulados. Segundo Pohlmann, todos esses ma-teriais são planejados por cientistas farmacêuticos e produzidos e testados com a ajuda de químicos e biólogos. “A área caracteriza-se pela grande interdisciplinaridade entre as ciências Química, Física e Biologia, assim como pela com sinergia entre os campos de aplicação tecnológica da farmácia, medicina e engenharia. Os nanomateriais são e serão importantes tanto na terapêutica, quanto em outras áreas como indústria de tintas, eletrônica e de instrumentação”, complementou Pohlmann. Na UFRGS, a pesquisa, em consonância com os avanços científicos internacionais, também está desenvolvendo trabalhos em nanobiotecnologia voltados à produção de nanomateriais com aplicações em cosmética e em terapêutica via oral. “Novos conceitos estão surgindo e, desta forma, estamos trabalhando simultaneamente em pesquisa fundamental e aplicada”, salientou. Exemplo desta abordagem, explicou Adriana Pohlmann, é um processo de secagem de suspensões poliméricas nanoestruturadas desenvolvido por sua equipe, a qual originou depósito de patente no INPI (PI9906081-7, 22/11/99) e na França (Patente 0015084, concessão 30/01/2003). Os produtos nanoestruturados obtidos por meio deste processo são viáveis tecnologicamente, pois apresentam características físico-químicas reprodutíveis e controladas, além de ampla gama de aplicações possíveis na indústria farmacêutica e cosmética. A historia do Colóquio de Ma-cromoléculas de Gramado remonta a 1988, coincidindo com as festividades de comemoração dos 65 anos do Professor H.-J. Cantow, diretor do Instituto de Macromoléculas (Freiburg) que foi o responsável pelo convênio firmado entre essa entidade e o Instituto de Química da UFRGS. Em 1989, se realizou o III Macromolecular Colloquium em Freiburg (Alemanha), contando, pela primeira vez, com a participação de cientistas de países da América do Sul (Chile e Venezuela) e Estados Unidos. Foi, entretanto, o sucesso do IV International Macromolecular em outubro de 1990, já em Gramado, que fez com que o Grupo de Polímeros do Instituto de Química da UFRGS assumisse a periodicidade de realização deste evento científico (a cada dois anos) e a responsabilidade integral das edições seguintes. Em 1992, foi realizada, então, a quinta edição deste evento também em Gramado com cerca de 130 pesquisadores entre profissionais de universidades, centros de pesquisa e da indústria, e alunos de doutorado, mestrado e graduação do Brasil, bem como pesquisadores de universidades já engajadas nas edições anteriores. Em 1994 aconteceu o VI International Macromolecular Colloquium em conjunto com o 4o Simpósio Latino Americano de Polí-meros e o 2o Simpósio Ibero-americano, confirmando Gramado como pólo irradiador das pesquisas com macromoléculas em escala mundial. Nesta edição a ABPol passou a participar como co-promotora do evento. A participação da comunidade científica foi extremamente expressiva: cerca de 500 congressistas, com 233 trabalhos apresentados na forma de painéis e 100 apresentações orais. Em 1996 e 1998 realizaram-se o VII e o VIII International Macromolecular Colloquium, os dois em setembro em Gramado e Canela respectivamente, sempre com grande sucesso. Isto permitiu que em 2001 se realizasse o IX International Macromolecular Colloquium em conjunto com o 6º Congresso Brasileiro de Polímeros da Abpol, o qual reuniu mais de 600 congressistas e 567 trabalhos. Ainda que realizado com na pes-quisa acadêmica, o Colóquio de Macro-moléculas é chancelado atualmente pelo primeiro escalão da indústria petroquímica brasileira. Assinaram como apoiadores do evento a Braskem, a Innova, a Politeno, a Polibrasil, a Petroflex, a Ipiranga Petroquímica, a Petroquímica Triunfo e a Polietilenos.n F. C.
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