|
As expectativas para 2005 também precisam ser
cautelosas, na opinião do presidente da CSBM. Além da contínua escalada
de preços e juros, os motivos para cautela ainda são os mesmos de muitos
anos. Bombas importadas do Extremo Oriente continuam a chegar ao País com
preços baixos, em virtude das vantagens que seus países de origem
oferecem, com juros de até 3% ao ano em financiamentos de exportação,
contra uma média de 3% ao mês no Brasil. “Essa desvantagem competitiva
tem potencial duplicado com a nossa atual taxa de câmbio, que favorece ao
extremo o importador e impossibilita nossa participação no mercado
externo”, diz. “Isso sem falar que o câmbio também favorece a compra
de instalações completas em regime de turn-key, com seus acessórios
todos incorporados.” Nem mesmo a novidade do Modermaq, para Vallo, atenua a
sua leitura crítica de 2005. Para ele, embora seja uma idéia boa, a
demora na implementação, a burocracia e a tramitação difícil para
conseguir os financiamentos têm prejudicado o uso da linha. “Nenhum de
nossos associados utilizou o Modermaq”, revela o dirigente. Além disso,
no seu entender, a taxa de juros empregada (14,95% ao ano) não é
propriamente de “pai para filho”, mas ainda superior às praticadas no
exterior. Apesar do aparente desânimo, Corrado Vallo acredita em
negócios interessantes para 2005. Há grandes investimentos anunciados em
todos os setores, sobretudo em petróleo e gás (refino e produção),
petroquímica, açúcar e álcool, siderurgia e papel e celulose. Com relação
à Petrobrás, as expectativas são especiais. Afinal de contas, com seu
plano total de investimentos de quase US$ 70 bilhões até 2010, do qual
uma parte já foi aplicada, dá para se imaginar uma grande quantidade de
bombas em oleodutos e plataformas. “Não é possível esquecer também
que neste ano saem as primeiras licitações destinadas ao refino, que
ampliará o leque de fornecedores de bombas para a estatal”, diz.
Segundo ele, somente na ampliação da Refinaria do Vale do Paraíba
(Revap), de São José dos Campos-SP, haverá um investimento de US$ 800
milhões. Como maior compradora de bombas do País, responsável por cerca de 20% das vendas dos fabricantes, a Petrobrás terá condições de movimentar bem o segmento, mas não será a única a atrair a atenção.
Dinheiro
parado – De acordo com o presidente do Sindicato Nacional de
Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental (Sindesam), Gilson
Cassini Afonso, mais do que de crescimento, 2005 tem chances de ser um ano
de recuperação. Isso porque, ao contrário do restante do mercado de
equipamentos, 2004 foi o pior ano da história da indústria de
saneamento. Os motivos são a ausência de projetos, de licitações das
companhias estaduais e das municipalidades.
Mas a chance de 2005
pelo menos tirar da ociosidade os fabricantes de equipamentos para
saneamento público e privado não é gratuita. Por ser um ano pré-eleitoral,
Cassini acredita que a partir do primeiro semestre as licitações começarão
a surgir. “As obras em saneamento demoram no mínimo doze meses, por
isso os governantes só começariam a colher os frutos eleitorais em
2006”, diz. Levando em conta a urgência para a população carente em
contar com o esgoto tratado e água encanada, é triste saber que o setor
funciona ainda assim. Aliás, a urgência
desses investimentos, para Cassini, também serve para os fornecedores de
sistemas e equipamentos. “Estamos correndo o sério risco de
desmobilizar tecnologicamente o setor”, diz. E o pior, segundo ele, não
é o lado fabril tornar-se ocioso e com o tempo obsoleto, mas
principalmente a desmotivação do pessoal da área. Afinal de contas, com
a falta de trabalho, a mão-de-obra qualificada começa migrar para outros
meios de ganhar a vida. “O Brasil demorou no mínimo trinta anos para
formar técnicos e engenheiros para saneamento, que já começam a mudar
de ocupação”, completa Cassini. Também diretor da
Aquamec, fabricante nacional de sistemas e equipamentos para água e
esgoto, de São Paulo, Cassini afirma que, no caso das fábricas, o que
vem ocorrendo é a migração de serviços para outros setores. A Aquamec,
por exemplo, tem procurado aumentar as vendas de equipamentos para mineração.
Outras empresas da área, de origem multinacional, procuram aumentar a
venda inter-company para suas matrizes. Além da sonhada recuperação com as obras de saneamento, o presidente do Sindesam soma a seu otimismo a retomada da indústria. Sua esperança é a de que ainda no primeiro semestre a fase de investimentos em ampliações, em curso em algumas indústrias de transformação, chegue ao fim-do-tubo, ou seja, nos efluentes. “Primeiro as indústrias aumentam a capacidade e depois começam a ampliar as estações para tratar a maior quantidade de efluentes gerados”, diz. Com as perspectivas delineadas, basta esperar para ver se o otimismo do executivo se transforma ou não em obras.
|
|||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||