Tintas
crescem – A indústria brasileira de tintas espera crescer
5%, em faturamento, durante 2005, segundo Dilson Ferreira, presidente da
Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). Em 2004, a
recuperação de negócios acarretou crescimento de 14% no faturamento,
alcançando total líquido estimado em US$ 1,5 bilhão. Na linha imobiliária,
a tendência é de crescimento de vendas, ao redor de 5%, motivada
pela expansão do crédito imobiliário, que passou a contar com maior
volume de recursos, além da expansão dos limites financiados para também
favorecer a classe média. O segmento, que detém 60% do volume produzido
no País, pleiteava essas mudanças há anos. Na parte industrial, o setor automotivo, maior cliente do
setor, obteve bons resultados em 2004. Só não foram melhores porque foi
grande a exportação de veículos no regime CKD (desmontados, com pintura
no destino). A partir da recuperação do poder aquisitivo local, as
vendas internas devem ser reforçadas, com bons reflexos para os
fornecedores de tintas, que esperam aumentar suas vendas em torno de 5%. Entre os fatores negativos da economia nacional, Ferreira
destaca os juros e os impostos muito acima do razoável, impedindo melhor
desempenho de todas as atividades produtivas. “Também os nossos
insumos, como o aço, dióxido de titânio e os derivados de petróleo,
apresentam demanda mundial aquecida, com constantes elevações de preços”,
afirmou. Como o mercado nem sempre aceita o repasse direto dos custos, a
indústria acaba absorvendo-os, cortando a lucratividade. Petroquímica desperta – O setor petroquímico deixou para trás mais um longo período sem investimentos e inicia novo ciclo de inversões justificado pela elevação dos preços mundiais e dos índices de ocupação de capacidades produtivas existentes.
Com base nessa disponibilidade de matérias-primas, a
Companhia Brasileira de Estireno (CBE), do grupo Unigel, pretende duplicar
a capacidade produtiva atual de 120 mil t/ano de monômero de estireno,
instalada em Cubatão-SP. “A demanda interna já superou a marca de 520
mil t/ano em 2004, exigindo importação de aproximadamente 100 mil t/ano
do monômero”, explicou Roberto Noronha Santos, diretor de
desenvolvimento e novos negócios do grupo. Seus dados apontam uma tendência
de aumento do consumo de estireno de 5% a 7,5% ao ano. A produção de resinas termoplásticas (poliestireno)
consome perto de 60% da oferta local do monômero. Outros usos importantes
se encontram na fabricação de borracha sintética (SBR), látices
(estireno-butadiênicos) e na obtenção de resinas para revestimentos.
Todas essas aplicações estão em fase de ampliação de produção.
“No campo dos polímeros existe ainda capacidade ociosa a ocupar”,
comentou. Além da ampliação da oferta, o projeto da CBE, que
inclui a substituição da linha atual de produção do etilbenzeno por
uma unidade maior, trará vantagens do ponto de vista ambiental.
“Estamos buscando fornecedores das tecnologias mais modernas do mundo,
tanto no etilbenzeno, quanto na produção do monômero”, afirmou
Santos. A unidade de EB usará zeólitas em fase líquida, alternativa
mais amigável que a atual, com cloreto de alumínio. Já a obtenção do
monômero contará com desidrogenação catalítica moderna, que também
será aplicada na unidade antiga, após atualização. “Faremos o dobro
dos produtos com volume de emissões muito menor “, informou o diretor.
Essa melhoria é fundamental, inclusive, para a obtenção das licenças
ambientais. O investimento total previsto é de US$ 70 milhões, em parte
a financiar, e as operações estão sendo conduzidas de modo a paralisar
a produção por, no máximo, 45 dias, em julho de 2007, acompanhando o
cronograma da PqU. No ano passado, os preços do estireno dispararam depois
de terem amargado anos de baixa constante. O movimento pode ser explicado
pela ocorrência de dificuldades operacionais em alguns produtores e também
pela forte valorização do benzeno. O aromático recuperou mercado na
formulação de gasolina nos EUA, depois de ter sido ameaçado de
substituição pelo MTBE. “Os americanos voltaram atrás e desistiram do
MTBE provocando uma alta do benzeno que afetou toda a cadeia produtiva
dependente do aromático”, explicou. No caso do Brasil, o suprimento de benzeno não deve ser
problema, pois a gasolina nacional não o emprega como componente, sendo o
País um exportador significativo. Nem no mercado de solventes o benzeno
tem vez: foi proibido por determinação dos Ministérios da Saúde e do
Trabalho. Há disponibilidade do produto nas refinarias da Petrobrás, nas
centrais petroquímicas e nas coquerias siderúrgicas. Já o eteno depende das expansões petroquímicas.
“Nosso fornecedor único da olefina já é e continuará sendo a PqU”,
afirmou. Em ambos os casos, Santos prevê que os preços acompanhem as
tendências internacionais. O grupo Unigel também atua no campo dos acrílicos,
produzindo tanto o monômero metacrílico (MMA), quanto o polímero (PMMA)
e chapas, além de acrilatos. A Proquigel Química, instalada em
Candeias-BA, ampliará até o final deste ano a produção de MMA, das
atuais 30 mil para 40 mil t/ano. “A médio prazo pretendemos dobrar essa
capacidade”, informou Santos. A linha de PMMA, de 15 mil t/ano, também
deve ser duplicada. O diretor comenta que 2004 foi muito bom para a cadeia
metacrílica, tanto nas chapas, quanto na resina, muito consumida para a
fabricação de autopeças. Distribuição animada – Depois de fechar 2004 com aumento de 27,7% no faturamento, as distribuidoras de produtos químicos no Brasil iniciam 2005 com esperança de ampliar tanto o faturamento quanto a participação no comércio total de produtos.
Ele justifica o entusiasmo pelo bom desempenho
industrial, em especial o de produtos destinados a outros países, e também
como resultado da revogação da cumulatividade dos impostos PIS e Cofins,
embora estes tenham sido majorados. “A incidência em cascata nos tirava
competitividade; agora podemos oferecer mais serviços aos fabricantes”,
explicou. Também ajudará muito a melhoria da imagem setorial a partir da
implantação do Programa de Distribuição Responsável (Prodir). Medrano explica que a perda de valor do dólar frente ao
real foi compensada pela elevação das cotações internacionais dos
produtos químicos. Ele prevê a estabilização do câmbio na faixa entre
R$ 2,70 e R$ 2,80 por US$ ao longo de 2005. “Para o comércio, não
importa muito a cotação, ruim é a excessiva volatilidade da moeda, que
representa um risco elevado para as operações”, explicou. Junto com as entidades representativas da atividade
comercial, o comércio químico desenvolve campanha contra a alta carga
tributária, porém propõe a mudança do enfoque. “Não há como
reduzir essa carga a curto prazo porque as despesas do País são muito
altas”, disse. “Por isso, é preciso reduzir o ‘Custo Brasília’,
os gastos excessivos dos três poderes, e aumentar sua eficiência
geral.” A elevação da taxa primária de juros pelo Banco Central é classificada de medida excessivamente cautelosa. “Se acabar com a inflação, talvez valha a pena; prefiro dar um voto de confiança ao governo nesse ponto”, afirmou.
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