Em 2004, o setor de fertilizantes apresentou ligeira queda no volume comercializado. Segundo Daher, essa redução foi explicada pelo fato de 2003 ter sido excepcional para o setor, inclusive porque muitos produtores anteciparam suas compras para formação de hedge. Além disso, em 2004 ocorreram problemas logísticos, o maior deles representado pela falta de navios para fretes no Atlântico Sul, quase todos atraídos para a região da China.   Cuca Jorge
Ferreira: Insumos das tintas ficaram mais caros

Tintas crescem – A indústria brasileira de tintas espera crescer 5%, em faturamento, durante 2005, segundo Dilson Ferreira, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). Em 2004, a recuperação de negócios acarretou crescimento de 14% no faturamento, alcançando total líquido estimado em US$ 1,5 bilhão.

Na linha imobiliária, a tendência é de crescimento de vendas, ao redor de 5%, motivada pela expansão do crédito imobiliário, que passou a contar com maior volume de recursos, além da expansão dos limites financiados para também favorecer a classe média. O segmento, que detém 60% do volume produzido no País, pleiteava essas mudanças há anos.

Na parte industrial, o setor automotivo, maior cliente do setor, obteve bons resultados em 2004. Só não foram melhores porque foi grande a exportação de veículos no regime CKD (desmontados, com pintura no destino). A partir da recuperação do poder aquisitivo local, as vendas internas devem ser reforçadas, com bons reflexos para os fornecedores de tintas, que esperam aumentar suas vendas em torno de 5%.

Entre os fatores negativos da economia nacional, Ferreira destaca os juros e os impostos muito acima do razoável, impedindo melhor desempenho de todas as atividades produtivas. “Também os nossos insumos, como o aço, dióxido de titânio e os derivados de petróleo, apresentam demanda mundial aquecida, com constantes elevações de preços”, afirmou. Como o mercado nem sempre aceita o repasse direto dos custos, a indústria acaba absorvendo-os, cortando a lucratividade.

Petroquímica desperta – O setor petroquímico deixou para trás mais um longo período sem investimentos e inicia novo ciclo de inversões justificado pela elevação dos preços mundiais e dos índices de ocupação de capacidades produtivas existentes.

A Rio Polímeros, associação entre os grupos Suzano, Unipar e Petrobrás, inicia operações comerciais em alguns meses, na Baixada Fluminense, com potencial para fazer 500 mil t/ano de polietilenos a partir de gás natural.  

Além disso, o pólo petroquímico paulista recebeu apoio explícito do Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, para a muito aguardada (e sempre postergada) ampliação, agora prevista para 2007. Combinando suprimentos de gás natural, gases de refinaria e nafta (importada), a Petroquímica União poderá acrescentar 240 mil t/ano à sua capacidade nominal de 500 mil t/ano de eteno. Como prevê aumento também da pirólise de cargas líquidas, os derivados aromáticos também apresentarão maior oferta na região.

Cuca Jorge
Santos: estireno paulista crescerá com a PqU

Com base nessa disponibilidade de matérias-primas, a Companhia Brasileira de Estireno (CBE), do grupo Unigel, pretende duplicar a capacidade produtiva atual de 120 mil t/ano de monômero de estireno, instalada em Cubatão-SP. “A demanda interna já superou a marca de 520 mil t/ano em 2004, exigindo importação de aproximadamente 100 mil t/ano do monômero”, explicou Roberto Noronha Santos, diretor de desenvolvimento e novos negócios do grupo. Seus dados apontam uma tendência de aumento do consumo de estireno de 5% a 7,5% ao ano.

A produção de resinas termoplásticas (poliestireno) consome perto de 60% da oferta local do monômero. Outros usos importantes se encontram na fabricação de borracha sintética (SBR), látices (estireno-butadiênicos) e na obtenção de resinas para revestimentos. Todas essas aplicações estão em fase de ampliação de produção. “No campo dos polímeros existe ainda capacidade ociosa a ocupar”, comentou.

Além da ampliação da oferta, o projeto da CBE, que inclui a substituição da linha atual de produção do etilbenzeno por uma unidade maior, trará vantagens do ponto de vista ambiental. “Estamos buscando fornecedores das tecnologias mais modernas do mundo, tanto no etilbenzeno, quanto na produção do monômero”, afirmou Santos. A unidade de EB usará zeólitas em fase líquida, alternativa mais amigável que a atual, com cloreto de alumínio. Já a obtenção do monômero contará com desidrogenação catalítica moderna, que também será aplicada na unidade antiga, após atualização. “Faremos o dobro dos produtos com volume de emissões muito menor “, informou o diretor. Essa melhoria é fundamental, inclusive, para a obtenção das licenças ambientais. O investimento total previsto é de US$ 70 milhões, em parte a financiar, e as operações estão sendo conduzidas de modo a paralisar a produção por, no máximo, 45 dias, em julho de 2007, acompanhando o cronograma da PqU.

No ano passado, os preços do estireno dispararam depois de terem amargado anos de baixa constante. O movimento pode ser explicado pela ocorrência de dificuldades operacionais em alguns produtores e também pela forte valorização do benzeno. O aromático recuperou mercado na formulação de gasolina nos EUA, depois de ter sido ameaçado de substituição pelo MTBE. “Os americanos voltaram atrás e desistiram do MTBE provocando uma alta do benzeno que afetou toda a cadeia produtiva dependente do aromático”, explicou.

No caso do Brasil, o suprimento de benzeno não deve ser problema, pois a gasolina nacional não o emprega como componente, sendo o País um exportador significativo. Nem no mercado de solventes o benzeno tem vez: foi proibido por determinação dos Ministérios da Saúde e do Trabalho. Há disponibilidade do produto nas refinarias da Petrobrás, nas centrais petroquímicas e nas coquerias siderúrgicas.

Já o eteno depende das expansões petroquímicas. “Nosso fornecedor único da olefina já é e continuará sendo a PqU”, afirmou. Em ambos os casos, Santos prevê que os preços acompanhem as tendências internacionais.

O grupo Unigel também atua no campo dos acrílicos, produzindo tanto o monômero metacrílico (MMA), quanto o polímero (PMMA) e chapas, além de acrilatos. A Proquigel Química, instalada em Candeias-BA, ampliará até o final deste ano a produção de MMA, das atuais 30 mil para 40 mil t/ano. “A médio prazo pretendemos dobrar essa capacidade”, informou Santos. A linha de PMMA, de 15 mil t/ano, também deve ser duplicada. O diretor comenta que 2004 foi muito bom para a cadeia metacrílica, tanto nas chapas, quanto na resina, muito consumida para a fabricação de autopeças.

Distribuição animada – Depois de fechar 2004 com aumento de 27,7% no faturamento, as distribuidoras de produtos químicos no Brasil iniciam 2005 com esperança de ampliar tanto o faturamento quanto a participação no comércio total de produtos. 

“Certamente não cresceremos tanto quanto em 2004, cujo resultado tem por base o fraquíssimo ano anterior, mas há espaço para conseguir entre 10% e 15% a mais”, comentou o presidente da Associquim/Sincoquim, Rubens Medrano. Cuca Jorge
Medrano: 'Custo Brasília' aumenta tributação

Ele justifica o entusiasmo pelo bom desempenho industrial, em especial o de produtos destinados a outros países, e também como resultado da revogação da cumulatividade dos impostos PIS e Cofins, embora estes tenham sido majorados. “A incidência em cascata nos tirava competitividade; agora podemos oferecer mais serviços aos fabricantes”, explicou. Também ajudará muito a melhoria da imagem setorial a partir da implantação do Programa de Distribuição Responsável (Prodir).

Medrano explica que a perda de valor do dólar frente ao real foi compensada pela elevação das cotações internacionais dos produtos químicos. Ele prevê a estabilização do câmbio na faixa entre R$ 2,70 e R$ 2,80 por US$ ao longo de 2005. “Para o comércio, não importa muito a cotação, ruim é a excessiva volatilidade da moeda, que representa um risco elevado para as operações”, explicou.

Junto com as entidades representativas da atividade comercial, o comércio químico desenvolve campanha contra a alta carga tributária, porém propõe a mudança do enfoque. “Não há como reduzir essa carga a curto prazo porque as despesas do País são muito altas”, disse. “Por isso, é preciso reduzir o ‘Custo Brasília’, os gastos excessivos dos três poderes, e aumentar sua eficiência geral.”

A elevação da taxa primária de juros pelo Banco Central é classificada de medida excessivamente cautelosa. “Se acabar com a inflação, talvez valha a pena; prefiro dar um voto de confiança ao governo nesse ponto”, afirmou.

 

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