Também ligada ao grupo dos derivados de silício, a japonesa Chisso buscou ampliar a penetração de seus produtos no mercado americano. Pertencente a um grande conglomerado com atuação em vários segmentos industriais, divulgou óleos de silicone reativos e agentes ligantes à base de silanos, isto é, produtos que favorecem a agregação de materiais inorgânicos aos solventes orgânicos usados em tintas e adesivos. 

Informou Masao Imamura, gerente do escritório americano localizado em Nova York, que sua empresa foi a primeira no Japão a desenvolver o processo de produção de silício de alta pureza e seus derivados, como o tricloreto e tetracloreto de silício, empregados na produção de fibras ópticas. Desde então a empresa dedica-se à pesquisa e produção de silico-derivados.   Maria Sìlva Martins de Souza
Imamura: pionerismo  no silício japonês e derivados

“Além de melhorar a ancoragem do revestimento, a linha Sila-Ace de agentes ligantes aumenta a força mecânica e melhora as características elétricas, quando isso for desejável, como nos circuitos impressos”, disse Imamura. Mostram excelente desempenho quando aplicados como primers, melhorando a adesão de tintas, adesivos e selantes aos substratos aos quais são aplicados, tais como metais, vidro, concreto e outros. “Melhoria na resistência à água e ao calor também são conseguidas”, complementou.

A linha Silaplane compõe-se de silicones reativos, isto é, compostos de silicone modificados, tendo nas moléculas, grupos funcionais terminais reativos. Esses produtos são usados para modificar resinas, por exemplo, quando se quer conferir a elas as características típicas dos silicones, tais como, resistência à abrasão, lubricidade, repelência à água, resistência ao calor e remoção facilitada de moldes.

“Temos produtos com um grupo terminal reativo ou com dois”, disse Imamura. Os chamados biterminais são adequados para introduzir componentes de silicone nas cadeias principais dos polímeros, e os monoterminais, para introduzi-los como ramificações da cadeia polimérica principal. As figuras 3 e 4 esquematizam os produtos e os polímeros deles derivados.

“Estamos na ICE pela 4ª vez e nossos produtos têm sido bem aceitos”, disse Imamura. “A Chisso não tem até o momento representantes no Brasil”, complementou. 

A Grace Davison, líder global na produção de sílica e derivados, como sílica gel e precipitada, sílica coloidal, sílicas usadas em colunas cromatográficas, e outras, divulgou na feira um novo agente fosqueante da linha Syloid. A marca Syloid foi introduzida no mercado em 1949 como o primeiro agente fosqueante sintético fabricado no mundo. Desde lá, foram desenvolvidos vários tratamentos aplicados na superfície da sílica, aliados à tecnologia em moagem, que permitiram a introdução de novos produtos à linha, que hoje contém grande variedade de produtos para atender às mais variadas aplicações.

A gerente global de marketing para tintas Susanne Kühne relembrou como o efeito fosqueante é obtido. Quando a película de tinta cura, as partículas do fosqueante criam uma superfície com microirregularidades. A luz incidente é refletida de forma difusa por essa superfície, dando a impressão de baixo brilho ou de opacidade. A figura 5 ilustra esse fenômeno. Três fatores importantes determinam a eficiência do fosqueante: a porosidade, o tamanho das partículas e o tratamento aplicado à sua superfície.

Alguns produtos da linha Syloid têm suas superfícies tratadas com produtos orgânicos e inorgânicos para prevenir decantação e formação de sedimentos duros, especialmente em revestimentos claros de baixa viscosidade, como os vernizes. Além disso, esses tratamentos contribuem para melhorar outras propriedades do filme, como resistência ao risco. Na feira, três novos membros da linha estavam sendo lançados: o Syloid RAD para tintas curadas com radiação; o C1007, uma sílica tratada com cera; e o C803, para filmes finos.

“Os produtos estarão em breve disponíveis na filial brasileira, localizada em São Paulo”, disse Susanne, informação confirmada pelo gerente de marketing para a América Latina Carlos Alberto C. Leibel, também presente ao estande.

Susanne informou que o Syloid C1007 é uma sílica tratada com cera, que resulta num fosqueante de alta performance, com capacidade de suspensão superior, prevenindo a formação de depósitos, mesmo por longos períodos de estocagem. É especialmente indicado para o uso em vernizes para madeira. Não provoca amarelecimento e é facilmente dispersável no processo de produção do verniz.

A concorrente Ineos Sílicas lançou o Zeocros E110, um extensor para dióxido de titânio (TiO2), para uso em tintas em pó. Trata-se de um novo silicato de alumínio sintético, que retém a cor e a opacicidade, não alterando a estabilidade aos raios UV, e nem as qualidades mecânicas e estéticas da tinta.

“Há redução de custo com o uso de nosso produto, porque ele substitui até 25% de TiO2 em formulações brancas, e nas coloridas torna possível a utilização de menos pigmento”, informou Stephanie Rose, técnica da divisão de papel e revestimentos.  

 

Salientando que os fabricantes de tinta do Brasil já têm esse produto disponível na sua filial brasileira, Stephanie disse que o Zeocros E110 tem alta pureza, umidade controlada e é produzido com rígido controle de tamanho de partículas e distribuição granulométrica. Pode ser usado em sistemas híbridos epóxi-poliéster e poliuretânicos.

Agribusiness brasileiro – Alguns expositores da feira mostravam insumos para tintas obtidos a partir de produtos agrícolas importados do Brasil. Um deles era a americana Cardolite Corporation, que se intitula a líder mundial na tecnologia de produção de derivados de castanha de caju. De acordo com Ryan Davis do departamento de vendas, a empresa é possuidora de duas fábricas, uma em Nova Jersey, EUA, e outra em Zhuhai, na China e vende para mais de 50 países, tendo como única matéria-prima a castanha de caju importada do Brasil. Aliás, pequenos pacotes da castanha brasileira eram oferecidos como brinde aos visitantes do estande.

Falando português fluente, aprendido nos anos que viveu em Portugal, Davis explicou que o maior constituinte do líquido extraído da castanha de caju é o cardonol (3-n-pentadecadienil fenol), cuja fórmula estrutural está na figura 6.

Sendo molécula mista, com componentes alifáticos e aromáticos, é bastante reativo, propiciando a obtenção de uma série de derivados, como as fenalcaminas. Essas aminas constituem-se de poliaminas alifáticas ligadas a uma cadeia aromática com cadeia alifática lateral. 

Essa estrutura peculiar dá a esses compostos uma combinação única de propriedades desejáveis para agentes de cura de sistemas epóxi. “São os únicos tipos de endurecedores epóxi que possuem a característica de cura rápida das poliamidas alifáticas, aliada a pouca volatilidade e à baixa toxicidade inerentes às poliamidas”, disse Davis.   Maria Sílva Martins de Souza
Susanne promete trazer os novos fosqueantes ao Brasil

As fenalcaminas permitem a aplicação do sistema epóxi a temperatura ambiente, ou em baixas temperaturas, e em ambientes úmidos, o que não ocorre com outros endurecedores. “Nossos produtos conferem ao sistema curado várias vantagens, como excelente resistência a ácidos, álcalis e à água salobra; flexibilidade a baixas temperaturas, resistência ao impacto, excelentes propriedades elétricas, baixa toxicidade e volatilidade”, afirmou Davis. Estamos voltados para os mercados americano, europeu e asiático, mas pretendemos em breve iniciar as vendas de nossos produtos acabados na América do Sul”, finalizou.

Outra empresa que baseia sua produção em matéria-prima agrícola importada do Brasil e da Índia é a também americana Caschem, do grupo Rutheford Chemicals LLC. A empresa produz óleo de mamona com várias especificações e graus de pureza, além de óleo de mamona polimerizado e desidratado. O gerente regional de vendas David A. Borowski recapitulou as propriedades do óleo de mamona, lembrando que ele contém cerca de 90% de ácido ricinoléico, um ácido C18 tendo dupla ligação na posição 9 – 10 e um grupo hidroxila no décimo segundo carbono. Quando esse grupo hidroxila e um hidrogênio adjacente são removidos numa reação de desidratação, uma dupla ligação adicional é criada, permitindo rápida polimerização e secagem, ou seja, o óleo de mamona originalmente não secante, uma vez desidratado torna-se um óleo secante de sabida utilização em vários tipos de tinta.

“Produzimos também uma linha de polióis derivados de óleo de mamona denominada Polycin, para uso em sistemas uretânicos”, disse Borowski. “Poliuretanas formuladas com estes novos polióis têm excelentes propriedades elétricas, baixa viscosidade, estabilidade térmica, excelente resistência à umidade e às baixas temperaturas, além de não conter VOCs”, informou. Segundo  Borowski, a Caschem exporta para vários países, inclusive para o Brasil.

 

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