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Fibra curta revela futuro promisor
Rose de Moraes O 37º Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel, o ABTCP 2004, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, de 18 a 21 de outubro, no Transamérica Expo, em São Paulo, revelou empresas químicas e de bens de capital cada vez mais comprometidas com o crescimento do setor. Grandes perspectivas são depositadas no crescimento do segmento de celulose, no qual o Brasil já ocupa a sétima posição entre os maiores produtores mundiais. Mas começam a se viabilizar também maiores chances de desempenho na produção de papéis não-revestidos, onde o País deverá consolidar melhores posições nos próximos anos. A capacidade de inovação da indústria brasileira de celulose branqueada de eucalipto parece, no entanto, não ter fim. Destacada pelo porte do empreendimento, a Veracel Celulose, de Eunápolis-BA, continua no foco das atenções do setor químico, o que ficou evidente pelo interesse despertado na ABTCP 2004 com o contrato de longo prazo firmado com a Eka Chemicals, visando pôr em prática um novo modelo de gerenciamento de insumos químicos. Batizada “ilha química”, ou “overthefence”, como preferem alguns, trata-se de acordo que resultou na criação em junho deste ano da Eka Bahia, empresa a ser instalada junto ao empreendimento de US$ 1,25 bilhão da Veracel Celulose, no sul da Bahia, que irá oferecer suporte total à produção, incluindo planta de clorato de sódio e unidades de dióxido de cloro e oxigênio. A planta de clorato de sódio terá capacidade para 50 mil toneladas/ano. Já as unidades de dióxido de cloro e oxigênio foram programadas para produzir 45 toneladas/dia e 69 toneladas/dia, respectivamente. Além de abrigar as fábricas, a ilha química irá abranger tancagens de todos os demais químicos necessários para produzir celulose, envolvendo 73 toneladas/dia de soda cáustica, 26 toneladas/dia de peróxido de hidrogênio, 67 toneladas/dia de ácido sulfúrico, 8 toneladas/dia de metanol, entre outras substâncias, como dióxido de enxofre e ácido clorídrico. Avaliada no valor de US$ 50 milhões, a ilha química entrará em operação a partir de maio de 2005 em regime just-in-time, mantendo todas as ligações via tubulações com o complexo da Veracel e prevendo o fornecimento de todos os insumos nos volumes determinados pelo ritmo da produção. “Estamos abertos ao diálogo com todas as empresas interessadas em participar desse novo projeto, que representa uma nova maneira de fazer negócios, possibilitando à Veracel se concentrar na produção de celulose, sem ter preocupação com o fornecimento de insumos químicos”, afirmou Nobuyuki Fujiwara, gerente comercial da área de químicos para celulose da Eka. Considerada líder mundial e local no fornecimento de clorato de sódio, matériaprima para a fabricação de dióxido de cloro, com 12 fábricas instaladas em várias partes do mundo, somando capacidade total em torno de 900 mil toneladas/ano – a 13ª fábrica será a baiana –, a Eka Chemicals instalou ao longo dos últimos dez anos novas plantas de dióxido de cloro em várias fábricas de celulose no Brasil, tendo já 15 plantas de dióxido de cloro atuando em sistema “overthefence”. Mas pela primeira vez concretiza projeto nesses moldes, para atuar como gerenciadora dos insumos para a produção. Com matriz na Suécia, a Eka Chemicals, que integra o grupo Akzo Nobel, sediado na Holanda, também fabrica químicos para papel, inclusive na fábrica de Jundiaí–SP, como agentes de colagem para uso interno nas massas e colagens superficiais, amaciantes para papéis tissue e celulose fluff, aditivos para “coatings”, agentes de retenção e drenagem, para resistência a úmido e para incremento da resistência a seco, entre outros. A empresa também possui fábricas focadas na produção de peróxido de hidrogênio na Suécia, Noruega, Estados Unidos e Venezuela, operando à capacidade de 250 mil toneladas/ano. Serviços customizados – Ofertar serviços de gerenciamento químico, visando unificar condutas e administrar toda a cadeia de suprimentos/fornecimentos, está se tornando prática no o setor de papel e celulose, conforme observado nos acordos entabulados pela GE Infrastructure Water & Process Technologies. Presente no ABTCP 2004, a empresa apresentou sua nova plataforma global de serviços customiza-dos, abrangendo desde manutenções até operações completas, com o propósito de oferecer soluções globais para sistemas de água pura e/ou provenientes de processos. Na divisão GE Betz, são ofertados programas de tratamento de águas de caldeiras, prevendo proteção contra deposição e corrosão em todas as aplicações, além de maior segurança e produções confiáveis de vapor por intermédio de tratamentos químicos com sistemas de dosagem, monitoração e controle. Em aplicações de separação de membrana, os programas incluem pré-filtração, antiincrustantes, biocidas, agentes de limpeza e produtos para regeneração. Na GE Osmonics, onde mais de cem patentes são colocadas a serviço das indústrias, existe uma ampla oferta de equipamentos e componentes para purificação de água, separação e manipulação de fluidos, como membranas de filtro cruzado, filtros desenvolvidos com tecnologias de osmose reversa, nano-filtração, ultrafiltração, micro-filtração e filtração de partículas.
Em outra pesquisa, surgiram novas alternativas para se obter celulose com baixo impacto ambiental e alta alvura, utilizando-se peróxido de hidrogênio e estágios de dióxido de cloro a quente.
Alvura é total – Entre as novas tecnologias para produção de papéis, destacaram-se novidades apresentadas pela Clariant, com o lançamento da terceira geração de branqueadores ópticos dissulfonados (Leucophor APB) para aplicações em massa. Sucessora dos alvejantes tetrassulfonados, essa linha possui carga iônica mais neutra, permitindo não só fabricar papéis com altos níveis de brancura, mas também reduzir a contaminação no circuito das águas residuais das máquinas de papel. Com vários usuários no Brasil, no segmento de papéis para imprimir e escrever, como o grupo Ripasa, “a nova geração de alvejantes tornou-se especialidade extremamente necessária em virtude do alto grau de brancura alcançado pelos papéis brasileiros”, considerou Alexandre Baron, responsável técnico pela área de papel e celulose da Clariant. Preocupada com a oferta de alternativas aos fluorquímicos sobre os quais já pesam várias restrições mundiais, a Clariant também promoveu nova linha de fluorpolímeros, desenvolvida para acentuar a performance de papéis especiais e não-tecidos (nonwovens). Na linha de químicos mais amigáveis, levando em conta restrições ambientais também incidindo sobre as resinas à base de uréia formaldeído e melamina formaldeído, a Clariant decidiu produzir localmente resinas à base de zircônio e glioxal, para conferir maior resistência a papéis revestidos e elevar a resistência superficial a úmido de papéis e papelões. Entre os principais campos de aplicação dessa nova linha (Cartabond), que já possui aprovação americana do FDA e alemã do BGW, estão os papéis para impressão offset, antiadesivos, auto-copiativos, multiuso, além de papéis para embrulho, bem como direcionados a cartões revestidos por processos como sizepress e coatings. Novidades também foram apresentadas no segmento de corantes para papéis tissue, fine paper e kraft, onde a empresa colocou em produção nacional duas linhas de produtos, a Carta e a Cartasol. Classsificados como corantes diretos e com ampla gama de combinações de cor, podem ser empregados no tingimento de papéis colados ou não, sendo apropriados para tingir papéis e cartões com pouca ou nenhuma carga mineral, tanto em massas, como em sizepress. Quando empregados em papéis kraft, esses produtos dispensam fixadores, substituindo os corantes básicos, sujeitos às flutuações de cor e reversões. Em papéis tissue, as formulações aniônicas aplicam-se particularmente a papéis finos e produções envolvendo processos alcalinos, mantendo a alta fixação das cores. Concorrendo no segmento de tratamento de águas industriais com a oferta de tecnologias, produtos e serviços, a Clariant ainda destacou soluções para tratamento de caldeiras, incluindo produtos como sequestrantes de oxigênio, formulações com polímeros para controle de depósitos e inibidores de corrosão para linhas de condensado, bem como tratamentos específicos para água e efluentes. “Nossa tecnologia para tratamento de águas industriais, empregada em empresas como Petrobrás e setores de mineração e fertilizantes, está ao acesso do setor de papel e celulose, com biocidas, oxidantes e prestação de serviços de laboratório, monitoramento e controle de todas as etapas de produção”, destacou Baron. Outra presença de destaque neste ABTC foi a da Rohm and Haas, que apresentou amplo portfólio de produtos para o setor de papel, principalmente direcionados a revestimentos de papéis e cartões. “Nossa linha se tornou completa graças à joint venture firmada com a Omnova, originando a RohmNova”, declarou Max Yoshioka, gerente da área de papel da Rohm and Haas. FINAL DA TABELA PÁGINA 31 |
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