|
Carbocloro deve investir – Mesmo que na competição entre as três regiões mais atraentes para investimentos o Brasil fique em desvantagem, dificilmente não haverá novas inversões em cloro-soda no país. Com ocupação da capacidade instalada nos primeiros dez meses do ano alçada a 87,4%, sendo que em junho e julho tenha ultrapassado os 90%, o setor dá todos os sinais de que precisa e pode começar a promover expansões. Praticamente todos os principais produtores locais, muitos deles operando a plena carga (entre 98% e 99%), reconhecem estudar a possibilidade. Embora ainda mantendo segredo, alguns deles chegam a dar um pouco mais de detalhes do que pretendem fazer. O caso mais famoso é o da Carbocloro, terceiro maior fabricante do Brasil, joint venture entre a nacional Unipar e a americana Occidental, com unidade em Cubatão-SP.
Segundo o diretor, até maio ou junho de 2005 a engenharia básica, feita por técnicos da Occidental e da Carbocloro, estará pronta. A fase mercadológica do projeto, um pré-estudo para avaliar as necessidades da unidade, já está definida. Serão investidos por volta de US$ 100 milhões, com 40% dos recursos captados no BNDES e o restante como contrapartida da empresa. Isso significará mais um trunch de células eletrolíticas para produzir 112 mil t/ano de soda cáustica e 100 mil t de cloro, cuja entrada em operação se dará no início de 2008, caso realmente ao final do estudo se opte pela construção (o que Aníbal do Vale considera muito provável).
Como todo investimento da área, o da Carbocloro é guiado pelo mercado de cloro. Produtor em Cubatão também de dicloroetano (DCE), principal intermediário do PVC, o grupo confia no crescimento de 5% do mercado dessa resina, em 2004, a se repetir nos próximos anos, para dar o ok para as obras. “Ficamos quase 20 anos crescendo a uma média de 2,4% ao ano, o que não dava para fazer desembolsos no País com muita facilidade”, lembra Vale.
Dar uma olhada nos números produtivos da Carbocloro ajuda a compreender o interesse em investir. Com produção atual de 284 mil t/ano de soda cáustica e de 253 mil t de cloro, desde o início do ano a fábrica opera com 99% de nível de utilização. Além de ser complicado técnica e comercialmente trabalhar a plena capacidade, as células de diafragma (60% do total) e de mercúrio rayon (40%) já não têm como passar por desgargalamento (o último feito em 1999 conseguiu aumentar em 18 mil t a produção). “Nenhum outro período justificou tanto a ampliação como agora”, diz o diretor. Com a expansão, a Carbocloro também conseguirá aumentar consideravelmente a produção da unidade de dicloroetano. Com capacidade total de 140 mil t/ano, o nível de utilização dobrará dos atuais 45% para 90%. A meta aí será aumentar a exportação do DCE, das atuais 30 mil t/ano para 70 mil t/ano, continuando a vender o restante no mercado interno. Com o cloro garantido no mercado de PVC brasileiro (a Solvay, por exemplo, vai aumentar sua capacidade em 2005 para 280 mil t), a possibilidade da nova fábrica também se garante na equação com a soda cáustica, cujo bom desempenho do mercado mundial também tem sido aproveitado pela Carbocloro. Prova disso é que, além de vender toda sua produção local, a empresa tem importado soda para atender a demanda crescente de seus clientes brasileiros. Há quatro anos nesse ramo, a empresa aumenta o lote importado: de 30 mil t em 2003, passou para 40 mil t em 2004 e, para o próximo ano, a previsão é chegar nas 50 mil t. Com déficit nacional representado pelas 600 mil t de soda cáustica importada em 2004, e cuja curva é de crescimento para os próximos anos em virtude da falta de investimentos internacionais já anunciados, a Carbocloro ganha em competitividade com a expansão também por causa do tipo de soda que produzirá.
PVC puxa mercado – O descompasso no crescimento entre o consumo de soda e cloro no Brasil é também um dos fatores na protelação de investimentos. Tanto foi assim que, nem com o consumo aparente da soda crescendo 4,3% nos últimos anos, houve motivo para ampliações. Da mesma forma, se daqui para a frente projetos começarem a sair do papel, também não será pelo excesso da demanda de soda previsto pelos investimentos programados para o setor de alumínio no Brasil, seu maior cliente.
Nada mal para o setor, ao se saber que 1 tonelada de alumina, matéria-prima do alumínio, consome 85 kg de soda cáustica na metalurgia. A importância do cloro está no valor agregado à síntese das resinas plásticas PVC e o poliuretano. No primeiro caso, reage com o eteno dando origem ao dicloroetano (DCE), composto intermediário do monômero cloreto de vinila (MVC) para posterior polimerização. No poliuretano, o cloro tem função dupla: pelo processo cloridrina, gera o óxido de propeno, base dos polióis que, em reação com o TDI, também obtido com o halogênio, produz a resina largamente utilizada.
|
|||||||||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||||||||