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TiO2 Suprimento apertado eleva preço Forte concentração da demanda mundial entre abril e agosto, somado à insperada recuperação de vendas,consumiu estoques e iniciou um ciclo de alta nos preços do principal opacificante e pigmento branco Marcelo Fairbanks
Informações prestadas pelos principais fornecedores locais e mundiais justificam os aumentos por um descompasso entre oferta e demanda, gerado a partir da rápida e não prevista recuperação econômica dos Estados Unidos, a partir do final de 2003. Do outro lado do mundo, a China manteve seu ritmo forte de desenvolvimento, absorvendo generosas porções do material.
“Acontece que a indústria de titânio em 2003 amargava uma fase de preços deprimidos e demanda fraca iniciada em 1999”, explicou Ciro Marino, diretor-geral e comercial da Millennium Chemicals para a América Latina. Dada a sazonalidade do consumo (60% realizado de abril a agosto), as indústrias precisam formar estoques nos primeiros três meses do ano, a fim de atravessar o restante do período sem problemas. Segundo Marino, como a expectativa de negócios para 2003 era ruim, os estoques formados foram pequenos e deram conta da demanda, encerrando o ano com estimativa de reservas para 70 dias.
Marino observa que a escassez de outros produtos importantes para o setor de tintas, como acrilato de butila e estireno, ajudaram a conter o consumo do dióxido de titânio. Várias outras linhas, ligadas diretamente à cadeia petrolífera, apresentaram escalada de preços ainda mais íngreme, nem sempre absorvidos pelos consumidores finais. No quadro mundial, a demanda pelo material havia caído ligeiramente em 2003, mas apresentou forte recuperação neste ano, da ordem de 7%, chegando a 4,3 milhões de t. As projeções para os próximos cinco anos apontam evoluções mais modestas, na faixa de 2% ao ano. Já os investimentos em produção ficam muito abaixo disso. “Praticamente, a expectativa é de atender o mercado com ampliações das unidades produtivas existentes, que também serão aproveitadas ao máximo”, informou Marco Aurélio Barboza, gerente de vendas e marketing da Du Pont Titanium Technologies pa- para a América do Sul. A indústria considera os preços, apesar da alta recente, ainda insuficientes para bancar a construção de uma nova fábrica mundial, que deveria ter capacidade, pelo menos, para 150 mil t/ano de TiO2, orçada em US$ 500 milhões. “Foram vários anos de preços deprimidos, ninguém tem caixa para pensar nisso agora, basta mencionar que fábricas ainda estão sendo fechadas no mundo”, comentou. Ciro Marino avalia em 112 mil t/ano a capacidade produtiva do óxido fechada no mundo, equivalente a 2% da capacidade mundial e a 6% da capacidade total com base na via sulfato.
A consolidação de fornecedores por meio de fusões e aquisições, durante a década de 1990, tornou o mercado mais previsível, encurtando a distância entre picos e vales no gráfico de preços. Essa estratégia de negócios foi adotada depois que os produtores do pigmento ficaram espremidos entre dois blocos fortes, o das mineradoras e o dos produtores de tintas, perdendo rentabilidade. Mesmo assim, o produto não voltou a despertar o interesse dos analistas dos principais financiadores mundiais.
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