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O material usualmente referido como solvente, a rigor, deveria ser dividido em solventes verdadeiros, diluentes e tíneres. No entanto, para a ocasião, interessa apenas salientar que cetônicos e ésteres acéticos apresentam melhores poderes de solvência, enquanto os hidrocarbonetos ficam no pelotão tecnicamente inferior, embora sejam os mais consumidos principalmente por causa de seu menor custo. A técnica e a arte dos formuladores consistem em elaborar misturas eficazes para cada situação, porém com o menor custo possível. Para enfrentar o acirramento da concorrência, vários ramos industriais transferiram para terceiros etapas de seus processos. A formulação de solventes é uma delas. “Para crescer, uma indústria de tintas precisa ampliar também a estocagem e as instalações para produzir as misturas, incorrendo em aumento de custos e ocupação de espaço, que poderia servir para ampliar a produção final”, comentou Cury, da Best Química. A distribuidora oferece o serviço de estocagem, administração desses estoques e as operações necessárias para elaborar o solvente de acordo com a fórmula solicitada pelo cliente, entregando-o na embalagem escolhida. “Em 2005, vamos ampliar nossa área de mistura de 15 mil litros/dia para algo entre 45 mil e 60 mil l/dia”, afirmou. Como a empresa vai ampliar também a área de depósitos em 1,5 mil m² para carga seca, será possível formular tíneres sob encomenda e embalá-los. Também a tancagem da Best está em ampliação, passando dos atuais 2 milhões de litros para 3,5 milhões, em boa parte para prestar serviço a terceiros. “Do final de setembro até o dia 10 de dezembro, tradicionalmente, há uma escassez de solventes por concentração da demanda”, considerou. Neste ano, segundo os diretores, a situação está sob controle, com suprimento adequado. “Além disso, as indústrias não param mais em janeiro e fevereiro, como faziam antigamente, e distribuem melhor o consumo”, disse Ana Maria. Ampliar a tancagem também é a palavra de ordem na Ipiranga, que inaugurou neste ano seu moderno centro de distribuição, em GuarulhosSP. “Antecipamos a montagem da segunda fase de tancagem, que será construída antes da parte administrativa”, comentou Chamma. Durante a primeira fase, a empresa pretendia apenas manter a capacidade física que operava na antiga base de OsascoSP, de 7 mil m³, obtendo mais flexibilidade para movimentar produtos por meio de dutos e sistemas de manobra instalados no CD. Como a prestação de serviços de armazenagem para terceiros se desenvolve a ritmo rápido, foi preciso antecipar o incremento da tancagem. “Isso nos permitirá também reforçar a atuação na formulação de solventes, que pode dobrar até 2006, das atuais 5 mil t/ano”, informou. Segundo ele, a demanda por formulados tem crescido acima do índice registrado para os solventes isolados. Normas questionadas – A estreita ligação com a indústria do petróleo ajuda e atrapalha o mercado de solventes. Em 2004, com refinarias e centrais petroquímicas operando a pleno vapor, o suprimento de produtos foi abundante, impedindo a explosão das cotações. “Os aromáticos são mais instáveis, porque o tolueno é componente da gasolina e uma parte da nafta também tem origem nessas frações”, comentou João Miguel Chamma. Já os alifáticos tendem a ser mais estáveis, subindo menos do que o petróleo. Ele salienta o fato de os novos investimentos brasileiros em petroquímica terem por base o gás natural, gerando apenas olefinas. “A oferta de aromáticos vai depender apenas dos investimentos nas refinarias”, concluiu. “O crescimento da demanda pode ser considerado apenas vegetativo, com 3% a 4% ao ano, próximo da estimativa da Abrafati para o desenvolvimento do mercado de tintas no Brasil”, comentou Cury, considerando bem equilibrado o quadro de oferta e demanda de hidrocarbonetos. Para este ano, os diretores da Best estimam a demanda brasileira de solventes de borracha entre 8 mil e 10 mil m³/mês; a de hexano em 5 mil m³/mês; tolueno, em 10 mil a 13 mil m³/mês; xileno, de 9 mil a 10 mil m³/mês, e de solventes pesados de 2,5 mil a 3 mil t/mês. A distribuição das vendas da Best indicam o direcionamento de 45% do aguarrás para tintas e vernizes, segmento que consome 17% do volume total de solventes, seguido pela indústria química, que absorve 14%, higiene e limpeza, com 12%, e cosmecêuticos, com 5%, adesivos, com 2,5%, além dos tíneres, com 14%, em boa parte direcionados para tintas. A escalada dos preços é apontada por Ana Maria Virginelli: de janeiro a setembro, o aguarrás subiu 34% (em reais); o tolueno, 31%; o xileno, 40%; mas o recorde ficou com o hexano, com 45% de majoração. “Enquanto isso, a gasolina subiu bem menos, coincidentemente no período eleitoral”, disse.
A regulamentação do comércio de hidrocarbonetos, disciplinada pela Portaria nº 41 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ainda apresenta falhas que redundam, entre outros efeitos, no desvio de solventes para mistura aos combustíveis. Por essa portaria, só podem retirar solventes nas bases de distribuição da Petrobrás e centrais petroquímicas as distribuidoras cadastradas. “Mas é preciso parar de cadastar empresas que não são de fato distribuidoras”, criticou Cury. Atuante no Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindisolv), ele defende a criação de uma comissão de abastecimento setorial, incluindo representantes da ANP, produtores e distribuidores, além de órgãos de classe, para definir os critérios para titulação de novos distribuidores e importadores no ramo. “Quando se fala em distribuição, presume-se diversidade de produtos e prestação de serviços, não pode ser um distribuidor mono-produto”, explicou. Além disso, o diretor verifica, a cada ano, a necessidade de ampliar a escala de negócios para atingir uma faixa mínima de rentabilidade. “Atualmente, quem trabalhar com menos de um milhão de litros por mês de solventes hidrocarbonetos não permanece no mercado”, afirmou. O sistema de cotas gerenciado pela ANP pode entrar em colapso nos próximos anos. Os problemas só não apareceram ainda porque 2003 foi fraco em negócios e 2004 teve apenas uma pequena recuperação. “Se a economia nacional crescer 5% em dois anos seguidos, as cotas atualmente em vigor não darão conta de suprir o mercado”, calculou Chamma, da Ipiranga, recomendando uma discussão ampla do mecanismo. Além dos fatores econômicos, ele considera importante verificar o atendimento das normas de meio ambiente e segurança, além de controlar melhor o destino dos produtos. “Solvente não é uma atividade para amadores”, afirmou. O controle das importações também dá pouca flexibilidade para os operadores.
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