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Petroquímica – A expectativa de duplicação da petroquímica brasileira nos próximos 10 anos contrasta com a previsão de que pouco avançará a produção local de nafta até 2012. Portanto, será necessário aumentar a importação, com risco de as compras no exterior até quadruplicarem. E nesse panorama, Coelho afirma ser pouco provável que as indústrias façam investimentos baseados em elevada importação de matériaprima. Ele aponta algumas saídas. A Rio Polímeros, primeiro projeto brasileiro que dispensa a nafta, seria uma delas, embora a produção de gás natural seja limitada. É pouco provável que a produção de gás atenda as necessidades futuras da petroquímica. Além disso, quando se processa o gás (etano), a conversão em eteno é próxima a 80%, mas se faz pouco propeno, e ainda são necessários alguns aromáticos (benzeno, tolueno e xileno), que podem ser produzidos nas refinarias por reforma catalítica. A escassez de propeno, segundo Coelho, é um problema mundial, por que a maior parte das novas capacidades de eteno consomem gás. Os novos projetos, por exemplo, na Venezuela e Bolívia, também usarão gás natural. Outra origem possível para o propeno, que começa a ser explorada no Brasil mas já é mais popular ao redor do mundo, são as refinarias. Quando se produz gasolina, os crakers catalíticos originam coprodutos mais leves, uma fração gasosa contendo propeno, propano, butano e buteno, em parte vendida como GLP, já que a sua demanda no País também é alta e exige importação. Um dos caminhos seria fracionar esse propeno para que ele tivesse uma utilização mais nobre na petroquímica, em valor agregado e destino. Essa saída, porém, é limitada. Coelho avalia entre 400 mil e 500 mil toneladas o propeno não utilizado nas refinarias da Petrobrás. Mas, como a escassez é um problema mundial, é provável que se desenvolva uma tecnologia para específica para essa olefina. Algumas dessas tentativas incluem a mudança dos catalisadores usados no craqueamento, para aumentar a conversão em propeno acima dos atuais 5%, mas nenhum avanço expressivo foi até agora alcançado. A alternativa mais avançada, ainda em testes, é o deep catalytic cracker, um tipo de crack catalítico mais profundo, que produz maior volume de propeno. Seguiu-se à apresentação de Armando Guedes Coelho a explanção de Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobrás .
A demanda por gasolina cresceu 1,1% no período, pois tem concorrentes (principalmente gás natural é álcool); QAV e diesel cresceram 2,3%. O GNV (gás natural veicular) fechou 2003 com 3,6 milhões de m3/dia, e a demanda já está acima de 4 milhões, com previsão para 2010 de 14 milhões de m3/dia para veículos leves (ciclo Otto) e pesados (ciclo Diesel). A capacidade instalada de refino da Petrobrás é de cerca de 2 milhões de barris por dia no País, mas também possui refinarias na Bolívia e na Argentina, somando um total de 2,1 milhões de barris de capacidade de refino. A última refinaria posta em operação foi a do Vale do Paraíba (Revap), no início da década de 80. Desde então, têm ocorrido diversos revamps nas refinarias, responsáveis pelos aumentos de capacidade nesses 24 anos. Hora do gás – Para falar da estruturação do mercado de gás no Brasil, foi convidada a Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, que iniciou a palestra abordando a crescente convergência entre os mercados de eletricidade e de gás em todo o mundo, onde predominam mercados com fornecimento de energia térmica, ao contrário do Brasil, onde prevalece a hídrica.
As características singulares do sistema brasileiro (interdependência entre os rios, coordenação das bacias hidrográficas, e a integração entre as bacias e os sistemas sub-regionais) permitem que bacias úmidas transfiram água para as bacias secas em busca do ponto ótimo de operação. O conceito permite uma complementação térmica que aumente a previsibilidade do sistema. As térmicas não são o único elemento utilizado para esse fim (um dos principais deles é a água estocada nos grandes reservatórios) e funcionariam como reservatórios virtuais, ou reais, mantendo de fato níveis de reservatório. Os ganhos sinérgicos dessa integração poderiam chegar a 20% da energia disponível. O sistema hidrelétrico tem baixo custo operacional e abundante oferta de energia na maior parte do tempo, mas em pequena parte isso não ocorre e, por esse motivo, as térmicas “sempre foram encaradas como uma possibilidade de tornar o sistema hídrico mais seguro”. Ao contrário do mercado de energia baseado em térmicas, o mercado hídrico brasileiro é previsível, pois opera com um conjunto de modelos em que é avaliada a probabilidade de falta de água. Instaladas aqui, as térmicas seriam acionadas em ocasiões de necessidade de maior despacho de energia, mas não durante todos os dias do ano, em anos sistemáticos. “Mas elas ficariam à disposição do sistema, durante o tempo ocioso. E, obviamente, isso não é econômico para o setor elétrico nem para o setor de gás. Já se constatou que haverá uma crescente participação de capacidade termelétrica a gás na expansão do parque gerador brasileiro. Entretanto, a oferta hidrelétrica no horizonte de médio prazo continuará crescente e majoritária, e o sistema hidro-térmico brasileiro apresenta ótimos níveis de armazenamento durante a maior parte do tempo e adequados níveis de previsibilidade das afluências de águas. Por isso, a Ministra vê a necessidade de um modelo baseado na flexibilidade e na integração desses dois mercados, de modo a assegurar a possibilidade de que o gás colocado à disposição tenha dois tipos de contrato: um firme e outro interruptível. “Esse deve ser o grande desafio: como o setor elétrico pode dar suporte para a expansão do mercado de gás, que ainda é frágil? Há restrições de oferta tanto do combustível quanto da capacidade”, afirmou Dilma. O modelo previsivo brasileiro permite aproximações bastante razoáveis do consumo de energia, e portanto, é possível vender o gás fora do período em que ele é usado com um grau de confiança bastante rigoroso (o setor trabalha com margem de erro de 5%). Para quem ainda tem medo dos apagões, Dilma Roussef disse que o racionamento não ocorreu por falta de previsão, nem por problemas de seca, pois o sistema está dimensionado para enfrentar secas, mas pelo atraso no cronograma de obras e a falta de investimento combinado à seca severa.
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