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Cromatografia As boas novas do Colacro X O 10° Colacro destacou temas modernos de preparação de amostras e apresentou novidades em cromatógrafos, como os portáteis e os mignons Cerca de mil profissionais do meio acadêmico e de indústrias interessados em cromatografia compareceram ao 10º Congresso Latino-Americano de Cromatografia e Técnicas Afins (Colacro X), realizado de 20 a 22 de outubro no Arts & Convention Center, em Campos do Jordão-SP. Com uma edição a cada dois anos, o Colacro é o maior evento internacional realizado na América Latina envolvendo cromatografia e técnicas coligadas. Promovido pelo Comitê Latino-Americano de Cromatografia (CLAC), com apoio do Grupo de Cromatografia do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), o congresso teve como idealizador o professor Dr. Fernando M. Lanças, docente desse Instituto. No início da década de 80, Fernando Lanças atuou como professor visitante no Virginia Polytechnic Institute and State University, Virginia, EUA. Lá participou de encontros sobre cromatografia com organização esmerada, reunindo a comunidade científica e empresas, e imaginou implantar algo semelhante na América Latina. Segundo ele, o Colacro foi criado com o intuito de ser um amplo fórum de debates sobre os últimos desenvolvimentos na área de ciências da separação. A intenção é permitir o acesso às pesquisas acadêmicas, trazendo especialistas de destaque de várias partes do mundo e ao mesmo tempo complementar a parte científica, mostrando os avanços nos equipamentos graças à parceria feita com as empresas fabricantes. No início, o congresso tratou só de cromatografia, mas rapidamente incorporou outras técnicas analíticas coligadas, como espectrometria de massas e técnicas eletroforéticas. Depois da primeira edição em 1986, realizada no Rio de Janeiro, com forte apoio da Petrobrás, o evento tem percorrido a América Latina, com edições na Cidade do México, Buenos Aires e Concepción, no Chile. O Colacro engloba conferências plenárias apresentadas por pesquisadores líderes mundiais em suas especializações, mesas redondas envolvendo a discussão de assuntos temáticos, cursos e tutoriais ministrados por especialistas na área, e seminários técnicos organizados pelos fabricantes de equipamentos, que também expõem em área contígua às salas de conferência seus novos lançamentos, literatura e serviços voltados à cromatografia. Há ainda apresentação de pôsteres, resumindo trabalhos científicos realizados por pós-graduandos e pesquisadores das empresas. Nesta edição houve a apresentação de cerca de 320 trabalhos, incluindo temas bastante atuais, como “Estimativa da incerteza de medição em análise cromatográfica”, de Janaína et all da Divisão de Metrologia Química do Inmetro, e “Validação de colunas HPLC - Sua importância no desenvolvimento de métodos robustos”, de Carl L. Zimmermann, da MAC-MOD Analytical, Inc; e alguns curiosos, como “Investigação da contaminação por cocaína de papel moeda no Brasil utilizando a técnica de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas”, de Eurico Di Donato, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP. Preparação de amostras - Técnicas de preparação de amostra foram objeto de várias palestras, destacando-se a intitulada “Automação em extração em fase sólida”, proferida pelo próprio criador da técnica, professor Dr. Janusz Pawliszyn, da Universidade de Waterloo, Ontário, Canadá. Uma das etapas mais críticas envolvidas na análise cromatográfica de misturas complexas consiste no isolamento dos analitos de interesse. É necessário fazer uma extração para remover esses analitos da matriz. A preparação das amostras inclui também uma etapa de isolamento que visa à eliminação de interferentes. Na maioria dos métodos de análise, as duas etapas são feitas em separado. Pode-se também efetuar a extração por intermédio de solventes (extração líquido-líquido), e o posterior clean-up, por meio de uma coluna de cromatografia líquida operando à pressão ambiente. Esses procedimentos são caros, demorados, introduzem vapores de solventes orgânicos no ambiente, são de difícil automação e apresentam baixos níveis de repetibilidade/reprodutibilidade. Uma alternativa mais recente para contornar esses problemas tem sido a extração em fase sólida (Solid Phase Extration - SPE). A SPE é uma técnica de separação líquido-sólido.
Após uma etapa de condicionamento, a solução contendo o analito é colocada no topo do cartucho e aspirada de forma a nele penetrar com aplicação de pequeno vácuo.
A figura 3 apresenta uma comparação entre a extração líquido-líquido (LLE) e a SPE para a análise de pesticidas clorados em uma amostra de água. Enquanto a LLE envolve a manipulação do analito várias vezes, na SPE isto não ocorre. O tempo médio para a extração empregando LLE é de uma hora, contra apenas cinco minutos para a SPE. Além disso, o volume aproximado de solvente orgânico consumido nos métodos de extração é de 500 e 10 ml, para LLE e SPE, respectivamente. Outra vantagem é que a SPE pode ser automatizada, permitindo preparar dezenas de amostras simultaneamente, o que não ocorre com a LLE.
Ilustrando essa afirmação, na feira foi exibido o equipamento da Gilson capaz de realizar SPE de forma automática. Fabricado na França e distribuído no Brasil pela Nova Analítica, de São Paulo, o ASPEC XLi Ò inclui eluição com pressão positiva, o que elimina a necessidade de bomba de vácuo externa e permite controle para rápida e precisa reprodutibilidade. Após eluição ou filtração, o analito pode ser injetado diretamente num cromatógrafo líquido ou gasoso. O equipamento pode ser usado com cartuchos extratores de 1, 3 ou 6 ml e é capaz de processar até 108 amostras por batelada. Tem capacidade para acessar até 15 solventes diferentes pelas portas de transferência e oferece ainda pré-tratamentos da amostra, isto é, adição, diluição, homogeneização, etc, também automatizados. Presente ao estande da Nova Analítica, Luis Carlos Bravo, do departamento de vendas, informou que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), do Rio de Janeiro, e a Universidade Federal de Santa Maria-RS, já adquiriram esse equipamento.
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