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Apesar da automação de um sistema de resfriamento poder ser feita por qualquer empresa especializada, o fato de um tratador de água possuir um sistema próprio facilita a vida do usuário, segundo Aguiar. “A lógica do sistema será mais apropriada ao tratamento, por incluir o conhecimento químico e as necessidades da operação”, afirma. Aliás, a outra concorrente, a GE Water Technologies, conseguiu unir esses dois casos: por pertencer ao grupo General Electric, a empresa aproveita as sinergias com o braço específico de automação do grupo americano, a GE Fanuc Automation. Em processo de aperfeiçoamento de sistemas oriundos da Betz, como o Pacesetter Platinum, de controle de dosagem, e com softwares, como o Insight, de supervisão de operação à distância, a empresa pretende intensificar a “automação da água”.
Já o PaceSetter Platinum funciona como um sistema de automação e gerenciamento de dados que otimiza a dosagem de produtos químicos, controla o processo e comunica-se diretamente ao sistema de controle da planta. Havendo alteração na água, as dosagens são alteradas. O sistema VerifeedTM, também parte do pacote, verifica continuamente o tratamento, para evitar a subdosagem ou sobredosagem de produtos químicos. “Estamos implementando essas ferramentas no Brasil, fazendo os ajustes para operar com as variáveis da água local”, diz. Dióxido de cloro? – Os aperfeiçoamentos no tratamento de água para torres de resfriamento não se resumem ao campo do controle e automação. Na parte química do processo, ainda o coração do tratamento, também há movimentações interessantes no mercado.
O apelo
principal do dióxido de cloro é o seu alto poder de desinfecção
oxidante, com capacidade de controlar além de algas e microrganismos,
também nitrogênio amoniacal, ferro, manganês e fenol, entre outros
contaminantes. Também pesa a seu favor o fato de ele agir de forma estável
independente de pH, reduzindo o consumo de insumos para correção. E isso
somado a outra característica importante: ele não reage com a água,
como o cloro ou o hipoclorito, permanecendo como um gás dissolvido. Já
os outros dois desinfetantes formam o ácido hipocloroso (HClO), que
apesar de ser o agente de desinfecção pode ser dissociado em íon
hipoclorito (não desinfetante) e ainda reagir com compostos orgânicos,
amônia e fenol, formando subprodutos indesejáveis, como organoclorados
em geral, clorofenóis, trialometanos ou as cloroaminas, além de também
gerar mau odor e variação de cor. Esses
atrativos fizeram algumas indústrias importantes passarem a empregar a
tecnologia em seus sistemas de resfriamento. O caso mais emblemático
ocorre na Petroquímica União (PqU), em Mauá-SP, que utiliza há cerca
de três anos, com tecnologia a partir do clorito de sódio, dois
geradores de dióxido de cloro, um de 1,5 mil g/hora e outro de 6 mil g/h,
para duas torres de resfriamento. Um outro caso ocorre na refinaria
vizinha Recap, que passou a empregar o dióxido de cloro em sua ETA 1,
responsável pelo abastecimento de suas torres de resfriamento. O fato de
serem empresas vizinhas não é coincidência: ambas utilizam a poluídissima
água do Rio Tamanduateí, com grande concentração de contaminantes orgânicos
(ver QD-426, pág. 22).
A PqU usa o sistema porque recebe água da ETA 2 da Recap, não coberta
pelo dióxido de cloro na refinaria. O dióxido
de cloro é obtido por várias rotas químicas, mas duas delas são mais
importantes, abundantes e viáveis comercialmente: a partir da reação do
clorito de sódio com ácido clorídrico ou, então, por meio do ácido
sulfúrico com uma solução de clorato de sódio e peróxido de hidrogênio,
esta última tecnologia exclusiva da EKA Chemicals. Por ser um gás verde
e amarelo muito instável, solúvel em água mas nesse ambiente estável
por poucos dias, ele não pode ser armazenado ou comprimido e precisa ser
gerado no local da aplicação por geradores específicos. Em concentrações
acima de 300 g/m3 corre risco de explosão. A tecnologia do clorito de sódio é dominada e fornecida principalmente pela Clariant, produtora do insumo principal em Suzano-SP. É inclusive a empresa que fornece para os dois casos citados: na PqU em contrato com a GE Betz, responsável pelo tratamento da torre, e na Recap, de forma direta, tendo em vista que há cerca de dois anos a Clariant também passou a ser fornecedora de tratamento e serviços para água industrial, por meio de divisão própria. Aliás, na Recap, segundo o gerente da área na Clariant, Magno Meliauskas, em breve o dióxido de cloro será empregado, em conjunto com o gás cloro, também para tratar a água da torre K318, de 8 mil m3 de recirculação. “Queremos elevar o ciclo de concentração da torre de seis para oito, em um primeiro estágio, e depois para dez”, diz. Segundo ele, o ciclo alto será possível em virtude da desinfecção mais enérgica do dióxido de cloro e ao fato de a tecnologia ser menos agressiva corrosivamente na metalurgia da torre. É bom lembrar que os seis ciclos de concentração se tornaram viáveis depois que o dióxido foi empregado na ETA, juntamente com o coagulante PAC, o que também gerou economia de 20 mil m3 por mês à refinaria, segundo Meliauskas. Mesmo ainda com esses poucos exemplos em torres, os “vendedores” de dióxido de cloro acreditam na expansão do mercado. Fornecedores principalmente para branqueamento de celulose, aplicação responsável pelos grandes volumes de consumo, e também para desinfecção de água de bebidas (principalmente cervejas), as empresas do ramo confiam no mercado de saneamento em geral, e no de torres de resfriamento em específico, como futuros bons compradores.
Fornecedor principal dos geradores, inclusive responsável pelos três em operação em Mauá-SP e por mais de 140 unidades em outras aplicações pelo Brasil (50% em indústria de bebidas e o restante em frigoríficos e saneamento), o gerente da Prominent acredita que é uma questão de tempo para o mercado compreender as vantagens em comparação ao cloro, principalmente em grandes consumidores de gás cloro, como indústrias petroquímicas.
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