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A abertura de novas regiões para a produção canavieira é acompanhada de perto pela Dedini S/A Indústria de Base, que opera fábricas nas cidades paulistas de Piracicaba e Sertãozinho (vinda do grupo Zanini, com o qual se fundiu na década passada), e também nos Estados de Pernambuco e Alagoas, conformando-se no maior fornecedor de equipamentos do setor. “Estudamos continuamente a abertura de novas unidades para atender às solicitações dos clientes em menos de 24 horas, dentro do nosso plano de reposição garantida”, afirmou José Luiz Olivério, vice-presidente de operações. A seqüência evolutiva é sempre a mesma: criação de estrutura para prestação de serviços, seguida da implantação de oficina própria, que servirá como embrião de nova fábrica, dependendo da demanda local. “Atualmente, a região de Araçatuba-SP apresenta volume de projetos que justifica a intensificação de nossas operações”, comentou, ressaltando o interesse na região Noroeste do Paraná, com grande potencial para atender aos contratos futuros de exportação de álcool. “A cana ocupa hoje aproximadamente 5 milhões de hectares no Brasil que apresenta uma área para possível expansão agrícola, reconhecida como tal pelo Ministério da Agricultura, da ordem de 90 milhões de hectares”, comentou. Pelo acompanhamento de Olivério, nos últimos anos o setor sucroalcooleiro conseguiu ampliar sua produção com incrementos de produtividade, mais do que com expansão da área cultivada. Os novos projetos do setor podem adicionar três bilhões de litros de álcool à oferta anual brasileira, com a ampliação de 650 mil hectares de canaviais. Dá para atender a demanda interna e também as exportações, com folga.
“Temos outros quatro projetos em análise até fevereiro de 2005”, informou Olivério, que pretende disputar 12 projetos anunciados de novas instalações para iniciar produção até 2008. Internacionalização – O setor sucroalcooleiro abandonou a postura isolacionista mantida durante décadas e já colhe os primeiros frutos de articulações com parceiros internacionais. “O setor produtivo do Brasil abre mercados por meio da atuação na Global Sugar Alliance, que congrega os principais produtores mundiais”, explicou Nastari. A recente vitória na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios oferecidos à produção de açúcar de beterraba na Europa, por exemplo, foi fruto de uma queixa oferecida em conjunto por Brasil, Austrália e Tailândia. A expectativa é romper barreiras contra a entrada de açúcar obtido de cana na União Européia, mas os resultados práticos devem demorar um pouco. Segundo o consultor, o relatório do painel de julgamento será divulgado para todos os membros da OMC em outubro, oferecendo prazo de 60 dias para os países afetados apresentarem apelação, cujo julgamento demora, em média, seis meses. “Depois do julgamento das apelações, sendo confirmadas as posições do painel, começa o período de implementação das decisões, quando o mercado ao açúcar deverá ser aberto em um período variável de dois meses a um ano”, explicou. Não havendo implementação, é possível retaliar comercialmente, contra qualquer produto daquela região. No cenário internacional, o mercado de açúcar se revela interessante quando se sabe que Índia e Austrália sofreram quebra de safra por motivos climáticos, a Europa já prevê redução dos plantios de beterraba, e a Tailândia anunciou a retirada de incentivos oficiais à produção de cana, que ficarão restritos a 50 milhões de t/ano, para uma expectativa de produção de 75 milhões de t. “O preço de US$ 0,08 a US$ 0,085 por libra peso de açúcar é bom para o produto brasileiro, cujo ponto de equilíbrio se situa perto de US$ 0,05 na região Centro-Sul (granel FOB) para o tipo VHP”, afirmou. O antigo tipo demerara, com 96º pol, perdeu a condição de padrão de mercado para outros açúcares crus com mais sacarose. Produtos com teores entre 96º a 99º pol predominam nos negócios a granel. Há uma escala de prêmios pagos pelos compradores por acréscimos de polarização (maior teor de sacarose) até o topo dessa escala. Imediatamente acima dessa categoria, aparece o tipo VHP (muito alta polarização), de 99,0º a 99,5º pol, ainda na faixa dos crus. “Os produtores brasileiros unidos conseguiram ingressar com um membro no comitê mundial da Bolsa de Mercadorias de Nova York, e incluíram o pagamento de um prêmio para açúcares de 99º a 99,3º pol, adicionando 0,1% ao preço para cada 0,1º pol a mais, a partir em março de 2006”, comentou Nastari. A premiação da qualidade impulsiona investimentos no setor. Para o futuro, desponta o tipo VVHP (polarização muito muito alta), de 99,5º a 99,7º pol, já considerado um tipo intermediário entre crus e refinados. “As refinadoras mais modernas do mundo preferem esse tipo, que é mais fácil para processar”, explicou. Além do VVHP, aparecem os tipos refinados, vendidos ensacados, ou em big bags, e os refinados e granulados, com 99,8º pol, prontos para uso. Nastari acredita que o mercado ainda se concentrará nos granéis, embora nas faixas mais sofisticadas, incluindo controle sobre amido e dextrana. “Já existe estrutura de refino nos países desenvolvidos e o custo logístico favorece os granéis”, explicou, mencionando também a existência de regimes tarifários que favorecem o refino no país de destino. Apesar disso, as restrições aos subsídios europeus abrem novas oportunidades. “Com as restrições que podem advir da decisão da OMC, a Europa deverá deixar de exportar três milhões de toneladas de granulado por ano, abrindo espaço para outros fornecedores, entre eles o Brasil”, explicou. Conceitos revistos – A produção de etanol a partir de cana-de-açúcar é uma atividade na qual o Brasil apresenta domínio total da tecnologia. “Recebemos todos os meses visitantes de vários países interessados no sistema brasileiro de produção, mas sobretudo para ver de perto carros movidos exclusivamente a álcool”, afirmou Olivério. Do ponto de vista do fabricante de equipamentos, não foram introduzidas mudanças significativas nos processos. Mas, recentemente, foram obtidos resultados importantes nos rendimentos das operações industriais, conduzindo a economias de energia. “As utilidades dentro das usinas podem e devem ser otimizadas, principalmente por meio de um projeto integrado de todas as etapas e operações”, recomendou. Além do melhor desempenho energético, as modificações também se refletem em um item ainda pouco considerado nas planilhas de custo do setor: a água. No Estado de São Paulo, por exemplo, já há regiões com limitações para a captação direta nos rios, além da cobrança recente de taxas, dada a concorrência com o abastecimento urbano. “A água ainda é barata para as usinas, que preferem direcionar investimentos para ampliar a produção”, disse Josué Vitti, superintendente de negócios de açúcar e álcool da Dedini S/A . Para ele, a solução do problema da água para as usinas poderá ser encontrada “dentro de casa”. “Cada tonelada de cana fornece, além da sacarose, 300 kg de bagaço e de 500 a 600 kg de água”, informou. “Já existe tecnologia para recuperar essa água e operar em circuito fechado, porém é preciso investir.” Considera-se, atualmente, que 4 milhões de toneladas de cana moídas por safra seja o limite superior de uma usina. Esse limite é dado pelo custo de transporte da cana do campo para o pátio industrial. Olivério ressalta o fato de ser difícil formar um canavial contínuo em regiões tradicionais de produção, pois é preciso competir com outras culturas (como a soja e a laranja), com a presença de cidades e acidentes geográficos, e também com outras usinas. “Em geral, buscar matéria-prima além de 60 km de distância é pouco econômico”, comentou. Já há usinas de capacidade bem acima desse limite, mas que dificilmente rodam cheias. “Em regiões pioneiras, de relevo plano, é possível montar um projeto com a usina situada no centro de um círculo com raio até 60 km, com um canavial praticamente contínuo; nessa situação, uma usina nova poderia pensar em capacidades maiores, com plena viabilidade econômica”, ponderou.
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