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Aditivos de alimentos Desequilíbrio climático abre mercado para novos hidrocolóides Escassez de de gomas vegetais importantes incentiva o desenvolvimento de novas alternativas para espessamento e gelificação MARCELO FURTADO Uma peculiaridade do mercado de hidrocolóides, polímeros de cadeia longa e alto peso molecular que se dispersam em água para dar o efeito de espessamento ou de aumento de viscosidade a alimentos e bebidas industrializadas, tem incentivado sua evolução tecnológica. Por serem aditivos principalmente extraídos de algas marinhas, exsudados de árvores e sementes, a característica sazonal dessas atividades extrativistas vem obrigando produtores e clientes a procurarem alternativas tecnológicas para combater os cada vez mais freqüentes desabastecimentos de importantes gomas vegetais utilizadas no setor. A oferta ciclotímica de hidrocolóides de origem vegetal tem se acentuado sobretudo nos últimos anos, em decorrência de desequilíbrios climáticos registrados em todo o planeta. Há no momento três casos importantes de quebras de safra de gomas, que provocaram aumento de preços e forçaram a busca por substituições. Para começar, chuvas demais na Índia e Paquistão diminuíram a oferta da bastante popular goma guar, extraída do endosperma da semente da leguminosa Cyamopsis tetragonolobus. Já o verão muito forte na costa do Mediterrâneo, em países como Espanha, Portugal e Marrocos, prejudicou a colheita da LBG (locust bean gum), a chamada goma locusta ou alfarroba, extraída do endosperma da semente da árvore carob, a Ceratonia siliqua. A quebra da safra aumentou o preço da LBG em 30% em 2003. Além das originárias de sementes, uma terceira goma vegetal, considerada a mais antiga e conhecida de todas, a arábica ou acácia, oriunda da seiva exsudada de espécies de plantas do gênero Acacia, também sofre com as intempéries climáticas. Com uma queda de 5ºC na temperatura média da região subdesértica do Saara, que oscila normalmente em cerca de 35ºC em países africanos como Sudão, Mali, Mauritânia e Somália, a disponibilidade da goma acácia tipo Senegal, cujas árvores se concentram nessa região, caiu em 60%. O resultado foi o aumento do preço em praticamente no mesmo percentual.
Aliás, a primeira empresa a vender a Tara no Brasil, a distribuidora Makeni Chemicals, de Diadema-SP, pretende difundir o seu uso como opção a vários outros hidrocolóides. Desde 2003 sob contrato com a produtora peruana Transformadora Agricola, de Lima, a Makeni, segundo a engenheira de alimentos responsável pelo produto, Adriana Leite, oferece para seus clientes a Tara como opção também a pectinas, goma xantana e CMC (carboximetilcelulose).
Um exemplo de aplicação já vendida no Brasil foi para substituir um blend de CMC e guar em mistura para shake achocolatado em pó. Nesse caso a vantagem foi de melhora de desempenho. “O cliente conseguiu estabilizar a espuma com a Tara”, explica Adriana. Além desse exemplo, e das aplicações comuns em sucos e molhos, a engenheira confia em vendas para aditivações, segmento em que até agora negociava mais a goma xantana da Rhodia (agora da Danisco), representada pela Makeni. São exemplos as aplicações no mercado de panificação, onde os hidrocolóides vêm cada vez mais sendo usados para retenção de umidade em pães de forma e bolos, para aumentar a vida útil (shelf life) dos produtos.
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