Um
cenário especialmente feliz para o mercado de petróleo deve justificar o
investimento feito pelos 800 expositores para garantir um estande na Rio
Oil and Gas Conference, marcada para 4 a 7 de outubro, no Centro de Convenções
do Riocentro, no Rio de Janeiro. O barril a preço recorde, na casa dos 40
dólares, e os lucros estratosféricos da principal compradora da feira,
a Petrobrás, que apenas no primeiro semestre ganhou mais que os sete
maiores bancos brasileiros juntos (R$ 7,8 bilhões), são apenas os
fatores mais evidentes para suscitar a previsão de bons negócios no
evento, que ocupará 30 mil m2 do tradicional
centro de exposições do bairro do Jacarepaguá, na zona oeste carioca. Uma
outra motivação não tão clara como as anteriores, mas de mesma importância,
é o recente sucesso da sexta rodada de leilão de áreas para exploração
de petróleo no Brasil, realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)
nos dias 17 e 18 de agosto, também no Rio. Por uma simples razão: o
mercado nacional de óleo e gás vai receber ainda mais aportes nos próximos
anos. Ao bater final do martelo, os vencedores do conturbado leilão,
que esteve sob risco de não ocorrer em virtude de numerosas ações na
Justiça, se comprometeram a investir, no mínimo, mais R$ 2 bilhões na
fase exploratória. Nada mal para uma licitação que arrecadou para a União
R$ 665,3 milhões, também cifra recorde desde que o primeiro leilão para
flexibilização do monopólio foi realizado em 1998. Se
o leilão foi positivo para o governo, certamente também o será para os
fornecedores de equipamentos, produtos e serviços da indústria do petróleo
presentes na Rio Oil & Gas. Para começar, a concessão de mais 154 áreas
leiloadas para exploração aumenta os planos de investimento da estatal
brasileira que, sozinha ou com parceiros, foi responsável pelo desembolso
de R$ 437 milhões do total arrecadado e pela participação em 107 áreas.
Some-se a esse novo montante o planejamento da Petrobrás até 2010
de aplicar US$ 32,1 bilhões em E&P (exploração e produção) e mais
US$ 20 bilhões em refino, transporte, petroquímica, gás, energia e
distribuição, e fica possível se ter uma idéia do quanto a estatal vai
ainda render em negócios. Aliás,
o propósito de flexibilização do monopólio desses leilões é o outro
lado positivo a ser aproveitado pelos 800 expositores, oriundos de 35 países
além do Brasil. Nesta última rodada, afora a Petrobrás, mais 17
empresas nacionais e estrangeiras conseguiram áreas para exploração.
Isso significa mais compradores potenciais, entre os 35 mil visitantes
aguardados pela organização, passeando pelos corredores do Riocentro.
Um novo tempo para a Rio Oil & Gas, que deixa de ser uma feira para
apenas um comprador, a Petrobrás, como era em suas primeiras edições.
(Mas mesmo assim é bom lembrar que o maior estande da exposição é o da
estatal, com 984 m2,
o que reitera a sua importância ). E
nesse aspecto de flexibilização o sexto leilão foi também
coincidentemente positivo para a 12ª edição da Rio Oil & Gas. Isso
porque desde a quarta rodada, em 2002, os investidores estrangeiros, com
mais peso econômico, não participavam dos leilões. Dessa vez, 11 grupos
transnacionais, desde a gigante anglo-holandesa Shell, ou a norueguesa
Statoil, até as pequenas SK Corporation, da Coréia, e a australiana
PortSea, ganharam lotes e passam a ser investidores no promissor mercado
brasileiro de petróleo, que caminha para a auto-suficiência em 2005. Entre
os investidores do exterior, os portugueses foram os maiores vencedores do
leilão e, em virtude desse interesse, devem circular com freqüência no
Riocentro. As petroleiras lusitanas Partex e Petrogal ganharam 24 blocos,
todos em bacias terrestres e em parceria com a Petrobrás. Também foi
agressiva na rodada a
canadense EnCana, responsável pelo arremate de oito blocos nas bacias de
Campos, Espírito Santo e Alagoas. A
internacionalização do mercado não fica visível apenas nas concessões
de explorações e no provável aumento de compradores estrangeiros que
passaram a visitar mais a feira. Há nessa edição da Rio Oil um número
considerável de pavilhões específicos de alguns países. Já reservaram
áreas onde várias empresas de mesma nacionalidade dividirão espaço a
Áustria, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Reino Unido, Itália
e Noruega. Merecem destaque o pavilhão britânico, com 630 m2 e 30 empresas, e o
norueguês, com 400 m2. Acrescentem-se a
esses pavilhões os estandes próprios de corporações estrangeiras e a
feira com certeza será uma torre de babel com bastante negócios a se
discutir. Para ter uma
amostra do que será apresentado na Rio Oil & Gas, Química e
Derivados publica a seguir os lançamentos de alguns importantes
expositores.
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