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Ferrugem
da soja faz crescer o mercado de fungicidas Aparecimento
da doença altera a distribuição dos negócios com agroquímicos, ainda
liderada por herbicidas RENATA
PACHIONE Causador da ferrugem asiática, o fungo Phakopsora pachyrhizi redesenhou o cenário do agronegócio nacional. De acordo com levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a doença gerou gastos da ordem de US$ 2 bilhões, durante a safra da soja de 2003/2004. Essa soma abarcou as despesas com o controle químico e as perdas na colheita – os agricultores registraram prejuízo de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja. No entanto, nem só infortúnios produz um sinistro. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) estimam aumento da ordem de US$ 300 milhões, nas vendas de fungicidas para soja, entre 2002 e 2003.
Por
conta desse avanço, a participação dos fungicidas também se
reposicionou no setor. No ano passado, o grupo de defensivos respondeu por
23% das vendas totais, representando aumento de 5%, frente a 2002. “Hoje
a demanda maior é de fungicidas”, afirmou o diretor da Milenia Agro Ciências
Luiz César Guedes. Por tradição, os herbicidas bancam a maior parte do
consumo, sobretudo no que tange as culturas de soja, cana-de-açúcar,
milho, arroz e algodão. Em 2003, essa classe continuou com a maior fatia
do mercado: 49% das vendas. Mas perdeu pontos percentuais, em relação a
2002, quando somou 51%. O mesmo aconteceu com a classe de inseticidas; o
consumo passou de 24%, em 2002, para 23% no ano seguinte. O restante do
setor se divide entre os acaricidas (2,5%) e os fitoreguladores e
adjuvantes. Soja em alta - Para Guedes, os ganhos não foram apenas quantitativos, pois a venda de fungicidas requer aparatos sofisticados, ao contrário da dos herbicidas. “Esse defensivo é um produto de alta qualidade técnica”, comentou.
Em
2002, os principais consumidores de defensivos agrícolas foram São Paulo
– responsável por 22% das vendas - e Mato Grosso e Paraná, cada um
respondeu por 16% do total. Não por acaso, esses dois estados são os
maiores produtores de soja no País, nesta ordem. No ano passado, essa
cultura respondeu por 44,2% do total das vendas dos agroquímicos no País.
O algodão veio em seguida, com 10,4%. As culturas de milho e cana-de-açúcar
ficaram logo atrás, com 8,4% e 8,0%, nesta ordem, segundo dados do Sindag.
Na avaliação do diretor de marketing da Syngenta Proteção de Cultivos
Renato Guimarães, em três anos, o plantio de soja e algodão aumentou
mais de 7 milhões de hectares. Esse cenário estimula perspectivas positivas. O presidente executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) Cristiano Walter Simon aponta o avanço das culturas da soja e do algodão, como uma das principais potencialidades do setor. Para a primeira, estima crescimento do valor do mercado de 15%, enquanto para o algodão, a previsão é de 10%. De acordo com ele, a área plantada dessas duas culturas deve expandir até 5%, leia-se nas entrelinhas, aquecimento nas vendas dos agroquímicos. Para Simon, nos últimos três anos, o algodão se mostrou com grande potencial para a ascensão do mercado de defensivos.
Além
das culturas tradicionais, as vendas dos agroquímicos têm apontado novos
rumos para os fabricantes, sobretudo em relação à fruticultura. Na
opinião de Simon, apesar de não ser um mercado novo para o setor, esse
segmento tem evoluído a ponto de ser considerado o de maior potencial de
crescimento para os próximos anos, em função do interesse dos mercados
internacionais pelas frutas brasileiras. |
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