TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE

Apelo ecológico predomina nos novos produtos

Linha “verde” é a principal tendência em mercado com dificuldade para inovar  

Márcio Azevedo

A principal briga de quem realiza tratamentos de superfície é contra a corrosão. No entanto, para sobreviverem em um mercado com faturamento pequeno e disputado por uma infinidade de concorrentes, as empresas de tratamento de superfícies precisam buscar diferenciais econômicos e tecnológicos que garantam seus lugares ao sol. Essa busca, entretanto esbarra em algumas idiossincrasias do setor. As novidades tecnológicas rareiam e há muito não se noticia grande mudança de paradigma. A descoberta de novas aplicações é árdua, e um gigante – antes fosse de contos de fadas – ameaça abocanhar de vez a galvanoplastia mundial: a China está tomando de assalto mais um quinhão da economia, acontecimento cada vez mais comum desde que os asiáticos aderiram, pero no mucho, às regras do comércio internacional.

A despeito dos percalços, os fabricantes de produtos químicos para banhos eletrolíticos continuam a tocar suas naus. Uma das representantes da indústria nacional é a Tecnorevest, de Barueri-SP. Com capital nacional e 35 anos de atuação, a empresa vende produtos de toda a linha de tratamento de superfícies metálicas, desde desengraxantes até banhos de zinco, níquel, cobre e cromo, incluindo nesse rol também alguns metais preciosos (ouro, prata e paládio).

A luta da Tecnorevest pelos tais diferenciais tecnológicos é bem expressa pelas várias representações comerciais que a empresa conquistou. É por meio delas que oferece ao mercado brasileiro algumas novidades, como banhos de cobre alcalino, desengraxantes e mordentes de alumínio isentos de cianetos.

Também compõem suas linhas os produtos para o segmento de circuitos impressos, os especiais para acabamento (da francesa LC Systeme) e os vernizes eletroforéticos (da inglesa LVH Coatings). Os novos mordentes de alumínio, diz Carlos Alberto Amaral, gerente comercial da empresa, possibilitam a deposição eletrolítica de cromo sem a necessidade usual de uma pré-camada metálica de deposição química.

Embora todo metal seja recobrível por outro, o acabamento esperado é obtido pela deposição de várias camadas metálicas. Em outros casos, como quando se deseja cromar peças confeccionadas no metal denominado zamack, é necessário o depósito de uma primeira camada de cobre alcalino (a bem da verdade, a solução que contém os sais de cobre é alcalina), seguida por outra de cobre ácido e depois por níquel e cromo. Fosse o cobre ácido o primeiro depósito, o zamack seria corroído pela solução ácida. 

No caso do latão, ao contrário, pode ser recoberto diretamente com banho de cobre ácido, mas ainda assim, explica Amaral, é desejável uma cobertura com cobre alcalino para refinar a camada que servirá de substrato para os depósitos de níquel e cromo.

Mas nem sempre as camadas são depositadas eletroliticamente. Empresas do ramo de aviação operam com pequenas galvânicas para repor peças de fuselagem, utilizando em geral níquel de deposição química, cuja dureza e resistência à corrosão são bastante elevados por um processo final de têmpera (aquecimento em estufa). Mais comum, entretanto, é a necessidade de uma primeira deposição química em superfícies não condutoras de eletricidade para que sejam convertidas em condutoras e, então, possibilitem a deposição eletrolítica. Em plásticos, é praxe depositar-se paládio, capaz de ativar o níquel químico em solução. Somente após a ativação com paládio e a deposição química do níquel se torna factível a deposição eletrolítica do mesmo metal.

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