Novos ativos para reformular o fármaco nacional

Em sua nona edição, a principal feira do setor farmacêutico foi palco de vários lançamentos de ativos e outros insumos

Rose de Moraes

Novos ativos farmacêuticos, aminoácidos, revestimentos, excipientes, além de uma grande mostra de equipamentos, marcando tecnologias e tendências, estiveram em evidência durante a 9ª FCE-Pharma, feira internacional de tecnologia para a indústria farmacêutica, realizada junto com a HBA em maio no Transamérica Expo Center, em São Paulo, sob a organização e promoção da VNU Business Media.

Entre as principais novidades, medicamentos veiculados em cremes, pomadas e cápsulas moles já podem contar com o antioxidante Ionol, marca registrada do BHT, hidroxi butil tolueno, produzido pela Degussa. “A empresa mantém estoques regulares do Ionol há muitos anos, visando atender aos setores de alimentos, principalmente envolvendo a fabricação de maioneses e margarinas, rações animais, plásticos e borrachas, mas agora vamos ofertar esse antioxidante também para o setor farmacêutico”, afirmou Irlaine Jorge, chefe de produto da área farmacêutica da Degussa.  

Produzida atualmente na Espanha, a linha Ionol originou-se na Shell. Em 1996, passou a ser comercializada pela Inspec e três anos depois pela Laporte, estando desde 2000 sob controle da Degussa, que a distribui ao mercado brasileiro por intermédio do centro de Guarulhos–SP.  

Cuca Jorge
Irlaine: Degussa lança antioxidante

Com teor de pureza de 99,8%, o antioxidante na forma de pó cristalino atende às normas internacionais de saúde e segurança e os regulamentos do FDA (Food and Drug Administration). Uma das grandes vantagens associadas ao seu uso é que, além de evitar a oxidação dos medicamentos, esse  ativo também auxilia na estabilização da vitamina E e aumenta a estabilidade da vitamina A e de seus derivados, trazendo benefícios para a saúde humana. Sob o aspecto farmacológico, o BHT Ionol também produz efeitos sinérgicos com vários outros antioxidantes, inclusive com tocoferóis, e apresenta resultados efetivos em baixas concentrações, como em dosagens de 0,03% a 0,1% em óleos e gorduras e de 0,01% a 0,02% em óleos essenciais.

Por ocasião da feira, a Degussa também destacou os efeitos positivos do agente esfoliante à base de peróxido de benzoíla. Com produção local, na fábrica de  Santo André-SP, trata-se de fármaco originário da Laporte, com potente ação queratolítica e antibacteriana para tratar acne, em formulações de cremes, loções e sabonetes, inclusive sem contra-indicação em tratamentos que fazem uso de antibióticos, ácidos retinóico e salicílico, e enxofre.

Bastante ampla, a linha da Degussa envolve aminoácidos utilizados em medicamentos, suplementos alimentares, intermediários, catalisadores químicos para sínteses de fármacos, sais de clorexidina para degermantes e sabonetes de uso hospitalar, sílicas para cremes dentais, excipientes para comprimidos, cápsulas, pomadas, géis, suspensões, supositórios e aerossóis, cabendo destaque especial para o dióxido de silício coloidal, matéria-prima que confere à empresa liderança mundial. Além de apresentar ao público suas próprias formulações, a empresa divulgou  substâncias ativas para medicamentos, produzidas pela Boehringer Ingelheim, BK-Giulini, Buchler e Kronos Titan, parceiras alemãs, há duas décadas por ela representadas.

Da Boehringer Ingelheim, divisão química, todos os anos chegam ao mercado brasileiro fitoquímicos, polímeros bioabsorvíveis utilizados em implantes dentários e próteses ósseas, além de minerais orgânicos e substâncias ativas farmacêuticas. Da BK-Giulini, maior fabricante mundial de substâncias antiácidas, utilizadas no tratamento de problemas gástricos, o mercado local é suprido com hidróxidos de alumínio e magnésio. Da Buchler, fabricante de derivados de quinina, fitoquímicos extraídos da casca da árvore quina, muito utilizados como agentes amargantes de águas, vêm os sulfatos e os cloridratos de quinina, empregados principalmente no tratamento da malária.

Nova fábrica – Depois de firmar-se como distribuidora de mais de mil diferentes insumos químicos importados que abastecem o setor farmacêutico, e produzir matérias-primas em sua sede, em Campinas-SP, a Galena aproveitou a repercussão da feira para anunciar a construção de nova fábrica junto ao pólo farmacêutico de Anápolis-GO, prevendo substituir até o final deste ano importações no montante de US$ 5 milhões, somados a mais de US$ 10 milhões que serão revertidos ao longo de 2005.

Numa primeira fase, cerca de 40 fármacos deverão compor o primeiro lote a entrar em produção local. Algumas das substâncias, conforme antecipado pela gerente de marketing da empresa Sílvia de Castro Andrade, terão ação antiinflamatória.

Cuca Jorge “A estratégia da Galena baseia-se em lançamentos de matérias-primas qualificadas e de alto valor agregado, visando oferecer diferenciais para a produção de medicamentos no País”, afirmou Sílvia. Para produzir insumos na fábrica de Goiás, com os mesmos padrões de qualidade de laboratórios internacionais, mas a custos menores, a empresa empregará tecnologias da Europa e Japão.  
Silvia: Inauguração de fábrica em Goiás

Mas além de divulgar ativos e matérias-primas provenientes de empresas parceiras com renome mundial, como Wolff Cellulosics/Bayer e Symrise, da Alemanha; Interchemical, da China; Biotron, dos Estados Unidos; e Vevy, da Itália; a Galena destacou a linha de fitoterápicos, como uma das mais fortes tendências em princípios ativos para a produção de medicamentos.

No rol dos fitocêuticos, os destaques ficaram por conta de ativos na forma de extratos que atendem à resolução da Anvisa RDC 48/04. Esse é o caso da Ginkgo biloba, de efeito vasodilatador; bem como do Hypericum perforatum, com efeitos antidepressivos comprovados; Tanacetum parthenium, para a profilaxia de enxaquecas; Panax ginseng, antiestresse e anti-radicais livres; Serenoa repens, utilizado no tratamento de hiperplasia benigna da próstata; e Valeriana officinalis, substância de efeitos terapêuticos calmante, sedativo, ansiolítico, espasmolítico e relaxante.

Entre os avanços tecnológicos, um dos feitos de maior importância da empresa foi desenvolver a microencapsulação da Aesculus hippocastanum, conhecida como castanha da Índia, o primeiro fitoterápico a ser microencapsulado no Brasil, com a finalidade de garantir maior eficácia do seu princípio ativo, envolvendo a escina.

Desenvolvida para liberar gradualmente as drogas no organismo, a tecnologia de microencapsulação de princípios ativos da Galena, patenteada sob a marca de Microgranulosix, até então vinha sendo aplicada em produtos como a vitamina C (Redoxon) e Voltaren Retard, ambos da Roche. Mas, recentemente, começou a se estender a outros fármacos e fitocêuticos, como é o caso do diclofenaco sódico, ativo de ampla utilização por seu efeito antiinflamatório. Outros produtos que também já têm seus princípios ativos microencapsulados são o diltiazem HC (antianginoso e anti-hipertensivo), o dinitrato de isossorbida (antianginoso e vasodilator), o mononitrato de isossorbida (antianginoso) e a nifedipina (bloqueador do canal de cálcio).

 

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