Nos últimos anos, o grupo gaúcho reforçou suas vendas no mercado externo, com ênfase no Mercosul, Europa e África. Com isso, as exportações passaram de 35% para 45% do faturamento e poderão aumentar ainda mais se, em algum momento, a demanda nacional por resinas arrefecer. "Quem tem capacidade para exportar está exportando, mas o mercado interno tem de ser a âncora porque as vendas ao exterior apresentam baixa margem de lucro e desencorajam investimentos em modernização", adverte Markus. 

Mais estireno - A Innova irá colocar mais 60 mil toneladas de estireno no mercado brasileiro a partir de 2005. Embora a planta industrial da empresa já tivesse capacidade para produzir 250 mil toneladas/ano do monômero, existiam dois obstáculos para ocupá-la: a Copesul (central de matérias-primas do pólo) não tem eteno para repassar na quantidade necessária, e a capacidade da própria Innova em produzir o intermediário etilbenzeno é limitada em apenas 190 mil toneladas/ano.

O problema foi resolvido no âmbito do Mercosul. A Petrobrás Energia, subsidiária argentina da estatal brasileira que absorveu a petroleira Pérez Companc (antiga dona da Innova), reativou um cracker no país vizinho, onde possui também uma unidade com capacidade de 250 mil toneladas de etilbenzeno. 

Como a empresa no país vizinho pode produzir apenas 110 mil toneladas/ano de estireno, a Innova receberá de lá as 60 mil toneladas/ano do intermediário que faltam para ocupar totalmente a fábrica gaúcha de estireno. Nas contas do gerente de vendas Luciano Nunes Rolla, a empresa é a maior fabricante do produto dentro do mercado nacional e quando passar a produzir a plena carga irá reduzir para 30 mil toneladas/ano as importações do produto, que atualmente estão em 90 mil. "O mercado de estireno é cativo e cresce sem parar, há vários anos", informa Luciano Nunes, referindo-se à produção própria de poliestireno. 

Neste ano, explica Luciano Nunes, a percepção de aquecimento dos negócios com o PS por conta do mercado de eletrodomésticos é evidente devido ao grande movimento de exportação desses produtos. Ele informa que no caso do poliestireno, os transformadores compraram todo o estoque do primeiro trimestre e prosseguiam com as encomendas da resina no segundo.  FERNANDO DE CASTRO
Numes: mais estireno no Brasil a partir de 2005 

"Neste momento, existe uma recuperação da massa salarial do trabalhador e a expansão do crédito por conta da queda dos juros nas compras de longo prazo. Com isso, ele prevê o reaquecimento do mercado consumidor do país que deverá absorver em 2004 300 mil toneladas , 30 mil a mais na comparação com o ano passado, considerado fraco, e só 
5 mil toneladas a mais em relação com 2002. 

De qualquer forma, é um período de vendas altas com margens em baixa, por culpa do benzeno, a matéria-prima básica na obtenção do poliestireno. O aromático ficou caro, pois escalou a planilha de custos, sem dó nem piedade, dos US$ 300 a tonelada para US$ 900 nos últimos 12 meses e, no fechamento desta edição, encontrava-se estabilizado em inflados US$ 750. "Neste segundo semestre crescemos em cima de três fatores: reaquecimento do consumo interno, alta das exportações e formação de estoques reguladores pela indústria de transformação", resume o executivo. 

Estoques esgotaram - O presidente do Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Rio Grande do Sul, Hugo Doormann, confirma as informações dos executivos da indústria de segunda geração. Os transformadores compraram todo o estoque produzido dos três primeiros meses do ano. A partir daí, reconheceu, o mercado enfrentou queda novamente. Para Doormann, o movimento inicial em busca de olefinas indica a formação de estoques pelos transformadores, como forma de se protegerem da alta da nafta, conseqüência natural da instabilidade do preço do petróleo.
"Nós podemos fazer estoques reguladores. É absolutamente normal o transformador comprar as resinas antes do repasse dos preços para que seus produtos se mantenham mais competitivos por mais tempo", exemplifica o empresário. Quando comenta as projeções para o segundo semestre, Doormann também se diz otimista prevendo um ano bom para os negócios, confiando no reaquecimento do mercado interno. 

 

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