Triunfo prepara expansões para atender mercado em crescimento

Fernando de castro

As novas alternativas para aplicações de resinas, a expectativa de crescimento da renda per capita da população e o aumento das exportações impulsionam a indústria petroquímica em 2004 e deverão garantir seu crescimento acima do PIB nacional. Nos primeiros três meses foram produzidas mais de 880 mil toneladas, superando as 860 mil do primeiro trimestre de 2003. No mesmo tom, os principais players do Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, recebem investimentos, inclusive para ampliação da capacidade de processamento dos derivados da nafta. A partir de julho a Braskem aumentará em 100 mil toneladas/ano de polipropileno a sua capacidade de produção no pólo. A Ipiranga Petroquímica voltou a bater seu recorde mensal de produção, agora fixado em 53 mil toneladas por mês, levando em conta as três resinas que fabrica - o polipropileno, o polietileno de alta densidade e o polietileno de baixa densidade linear. São três mil toneladas a mais em relação à mesma média do ano passado, também recorde. A Innova prepara-se para aumentar a quantidade de estireno, reduzindo em dois terços a necessidade de importação do monômero pelo Brasil.

Para Alexandrino Alencar, vice-presidente de relações institucionais da Braskem, as perspectivas da petroquímica brasileira a partir do surgimento de novas aplicações, como o aumento do uso de lonas de polietileno para revestimento de reservatórios e tanques de aqüicultura, a substituição do amianto pela fibra de polipropileno na confecção de caixas da água, e o crescimento do uso do PP e PVC para a confecção de tubulações para irrigação de lavouras, já não são mais uma expectativa, mas uma realidade. Ele salienta o crescimento acima de 10% dessas resinas, nos últimos meses, no Centro-Oeste, voltado justamente para o uso em agricultura, embora o consumo da região seja bem inferior ao do Sul e Sudeste, as duas principais áreas consumidoras. 

Conforme Alencar, existem boas perspectivas também para as embalagens de frutas e para a crescente substituição dos vidros de requeijão por recipientes à base de resinas de PP. "As previsões da petroquímica são promissoras", assinala Alencar. Segundo ele, o segmento deverá crescer de duas a três vezes em relação ao PIB brasileiro em 2004, lembrando que o consumo de resinas já obteve um acréscimo de 3% nas vendas nos quatro primeiros meses do ano, quando comparada com a média de 2003.  CUCA JORGE
Alencar: novas aplicações influenciam a retomada

De olho nesse crescimento, a Braskem irá ampliar de 550 mil toneladas/ano para 650 mil a produção de polipropileno de sua unidade de Triunfo. Já a sua fábrica de PVC em Alagoas, de 240 mil toneladas ano, irá ofertar mais 50 mil. Alexandrino Alencar aponta como outro fator de desenvolvimento da petroquímica a entrada em operação da Rio Polímeros em 2005, produzindo resinas a partir do gás natural. 

Fernando de Castro O vice-presidente adiantou ainda que a Braskem e a Petrobrás estão adiantadas nas conversações para a construção de uma nova unidade de polipropileno em Paulínia, São Paulo, com capacidade para 250 mil toneladas/ano, a partir de 2006. 

Para Geraldo Markus, responsável pelas áreas de marketing e exportações da Ipiranga, os números de 2004 evidenciam crescimento, mas aquém da expectativa, por conta do consumo fraco no mercado interno. 

Markus: recorde da Ipiranga visa atender exportações

Em sua opinião, fica difícil comparar porque, entre janeiro e fevereiro de 2003, os transformadores resolveram realizar grandes pedidos com receio de desabastecimento da nafta às vésperas da guerra no Iraque e antevendo um aumento dos preços pelo mesmo motivo. O executivo explica a produção recorde da Ipiranga pelo aumento das exportações.

 

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