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Recap trabalha para racionalizar o seu tratamento de água Não é só no aspecto político que os colaboradores do pólo de Mauá estão se movimentando para tentar diminuir os riscos de um temido desabastecimento de água. Conscientes há algum tempo de que o preço e a pouca disponibilidade do insumo já são fatores de perda de competividade, visto que sua limitada fonte gera uma água até três vezes mais cara em comparação a dos outros dois pólos petroquímicos do País, os profissionais de Capuava se esmeram também tecnicamente para minimizar os impactos negativos. Responsável pelo tratamento e o abastecimento de água para as empresas do pólo, a Refinaria de Capuava (Recap), da Petrobrás, é o símbolo maior de todo esse esforço. Empenhada em reduzir o consumo e introduzir tecnologias para melhorar o gerenciamento da água, a Recap chegou até a criar recentemente um grupo de trabalho, o Gota (sigla de "grupo de otimização da água"), para coordenar a tarefa. Apesar da má fama que os grupos de trabalho normalmente têm, este já demonstra bons resultados. Uma primeira conquista foi permitir à Recap não precisar mais utilizar a água potável comprada da Sama para diluir a empregada no processo de refino e em resfriamento. "Somos a única unidade do pólo que usa a água da rede concessionária apenas para uso humano", comemora o gerente da área de utilidades da Recap, Mauro Lopes.
A Recap divide a sua operação em duas ETAs (estações de tratamento de água), alimentadas também por duas represas que recebem a "água" do rio. A represa 2 atende a ETA 2, responsável pelo abastecimento da PQU, Polietilenos União, White Martins e União Química. Nela são tratados 750 m3 por hora. Já a represa 1, que recebe água da represa 2, alimenta a ETA 1, por sua vez responsável pela produção de 450 m3 por hora que abastecem a própria Recap, a Oxiteno, a Polibrasil e a Oxicap. O trabalho para administrar a poluída água do Tamanduateí, rio classe 4, é evidente. Por receber não só efluentes domésticos, mas também industriais, o grau de complicação aumenta. Há contaminantes extremamente difíceis de serem tratados, como a amônia, resultante dos descartes domésticos, que chega a teores elevadíssimos de até 130 ppm e em média fica em torno de 70 ppm. O ideal seria o teor de amônia estar próximo de zero, para não afetar com sua alta corrosividade os equipamentos. O outro complicante com importância é a elevada contaminação microbiológica, com DBO de 150 mg/l. Essa crescente contaminação orgânica faz a refinaria precisar muitas vezes renovar-se em tecnologia. Um exemplo mais recente ocorreu porque o gás cloro normalmente utilizado para desinfecção e clarificação da água de entrada das estações começou a não funcionar a contento. A saída foi buscar um oxidante mais forte. Ainda em teste, uma alternativa com boa aprovação, e provavelmente a ser adotada oficialmente, é o dióxido de cloro. Especificamente na ETA 1, onde são tratados 450 metros cúbicos, a Recap instalou um gerador de dióxido de cloro líquido, da empresa Prominent, o qual produz o oxidante a partir de ácido clorídrico e clorito de sódio. O produto passou a ser empregado em conjunto com o coagulante PAC (policloreto de alumínio), fornecido pela Clariant, substituto do sulfato de alumínio com a vantagem de ser menos dosado (1/3 do outro) e de aglutinar melhor os sólidos suspensos. "Ganhamos uma água de melhor qualidade, elevando os ciclos de concentração das torres, diminuindo a necessidade de limpeza de trocadores de calor e gerando menos lodo", lembrou Mauro Lopes.
Os técnicos da Petrobrás prometem mais novidades para melhorar o tratamento de água de Capuava. É uma meta do grupo de estudo Gota incluir outras tecnologias nas duas estações. Estão sendo feitos estudos de custo-benefício, por exemplo, das tecnologias de desinfecção por raios ultravioleta ou por geração de ozônio. "A idéia é complementar com novas técnicas o que já desenvolvemos até agora, para ficar cada vez menos dependentes de situações externas e garantir água para as futuras ampliações do pólo", diz Mauro Lopes.
Segundo explica o diretor da Okte, Olli Kallervo, a engenharia envolve seis colunas de oxidação alimentadas com um gerador de ozônio de 250 kg/hora, complementadas com uma estrutura de concreto de filtros de areia por gravidade. Esses filtros foram adaptados recentemente pela Okte para uso conjugado com ozônio, a partir de um projeto antigo da empresa americana Permutit, dando origem a uma tecnologia denominda pela empresa como ozonofiltração. Trata-se de filtro autolavável que trabalha continuamente, sem válvulas, funcionando por meio de sistema de sifão.
Também conta a seu favor a redução de trialometanos, gerados por seu oxidante concorrente, o cloro. Essa amplitude de atuação da ozonofiltração da Okte fez a empresa também ofertá-la em unidades pequenas, para potabilização de água em comunidades. |
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