A outra observação de que o projeto ainda não está muito definido também recebe resposta do diretor Dagoberto Rocha. Segundo ele, após a liberação do dinheiro da Caixa, a chamada estação de produção de água para fins industriais (EPAI), da Ecosama, pode ser construída em 18 meses. A rapidez se explica pela não-complexidade da obra. Ela contemplará apenas o tratamento primário, com gradeamento fino, e o secundário (biológico), este um sistema diferente com aeração prolongada com balancins móveis, chamado Biolac e da empresa americana Parkinson.
Com a água de reuso de Mauá o pólo não precisa fazer investimentos, à exceção do polimento final que prefere continuar a fazer na
Recap. Inclusive se optasse pela opção anterior de comprar a água pronta, pelo menos de acordo com as informações do diretor geral da
Ecosama, poderia até ter vantagens. Enquanto o efluente secundário da Sabesp tem preço estimado em R$ 2,50 o m3, Rocha afirma que venderia a água pronta para uso industrial, já
desmineralizada, por R$ 2,20/m3. Já o efluente secundário, que está nos planos da petroquímica, a Ecosama acredita vender por R$ 1,20. Um dos motivos do baixo preço é a logística. "Estaremos a 200 metros da
Recap", diz. Não fica difícil, portanto, imaginar mais obstáculos para a concretização dessa que é uma saída inteligente para o gerenciamento da água, sobretudo em uma região problemática como São Paulo. Utilizar água potável para fins industriais, como hoje indiscriminadamente se faz (inclusive no pólo, que ainda precisa para diluir e acertar a qualidade final da água recuperada do Tamanduateí), torna-se no mínimo um contra-senso. É evidente que por princípio a água foi potabilizada para permitir seu uso por seres humanos e não por máquinas. Até mesmo o ponto de vista oficial da PQU é optar pelo reuso em conseqüência de seu caráter "ambientalmente mais correto", segundo afirmou Jorge Rosa. Isso porque, ao se pensar em termos de custos, trata-se de opção mais cara. Conforme diz, para realizar o tratamento complementar do efluente, o custo operacional se elevaria em até 70%. No caso da água de reuso da Sabesp, o problema seria maior, porque viria de esgotos domésticos e industriais de várias procedências, com uma infinidade de contaminantes remanescentes. O da Ecosama, em uma primeira fase, seria o mesmo e ruim oriundo do Tamanduateí, mas com o passar do tempo ao provir de outros esgotos também complicaria o polimento na Recap.
Pela lógica exclusiva do custo, a propósito, o preferível para o pólo seria continuar do jeito atual. Se não houvesse o risco iminente de desabastecimento, seria melhor manter a compra de água potável da Sama (companhia pública de saneamento de Mauá) por R$ 3,50 o metro cúbico (até há pouco tempo era R$ 4,50), utilizada para ser misturada à água tratada do Tamanduateí em percentuais desde 10% no verão, com chuvas, até 30% no inverno e, em casos de maior estiagem, em até 50%. Além de, no final das contas, ficar mais barata, por não demandar mais obras não precisaria do longo prazo de até 15 anos para amortizar o investimento, como ocorrerá com o reuso. O Aquapolo proporciona uma água até mais econômica, a um custo em torno de R$ 1,50 o metro cúbico, e suficiente para as ampliações, pois a outorga é para 500 litros por segundo. A obra também não seria complicada, poderia ser feita em um ano por tratar-se apenas de uma adutora com tubulação de 28 km, nas faixas de servidão dos dutos da Petrobras, até as estações de tratamento da Recap. Segundo Rosa, o Aquapolo é uma opção substituta concreta, apesar de muitos o considerarem engavetado. Prova é já terem sido gastos nele, com a engenharia e as licenças ambientais, cerca de R$ 2,5 milhões. Mas há quem sugira no mercado de que o Aquapolo não é tão concreto assim. Pelo contrário, seria a dúvida quanto a seu futuro a motivadora dos planos do pólo petroquímico em adotar a água de reuso. Gente com experiência no mercado de saneamento básico comenta que a viabilidade do projeto corre risco em virtude da crescente escassez de água para abastecimento na região metropolitana de São Paulo. Isso significa que as necessárias outorgas para exploração do trecho do Tietê, concedidas pelo DAEE, podem não ser facilmente renovadas. Esse local de captação poderia vir a ser utilizado pelo Estado a qualquer momento e a petroquímica perderia seu investimento. Esse risco aventado no mercado tem sentido, pois sabe-se que a região metropolitana de São Paulo precisa trazer água de regiões cada vez mais longínqüas e além disso há previsões sérias de que em 2010 a oferta já não será suficiente para atender todo o consumo paulista. Embora oficialmente o pólo não considere a hipótese, visto que segundo Jorge Rosa a Sabesp não se interessa por esse trecho do Tietê para potabilização, o afã em adotar a água de reuso pode sugerir o contrário.
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