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Falta de água complica os planos do pólo paulista Acostumado a processar um sem-fim de insumos químicos, muitos deles complexos e perigosos, pode soar contraditório saber que o pólo petroquímico de Capuava, em Mauá-SP, tem como principal problema garantir-se do abastecimento da simples e elementar água. Mas é exatamente isso o que ocorre à central de matérias-primas, a Petroquímica União (PQU), e às demais dez empresas do pólo, que temem em breve ficar sem fornecimento suficiente para seus planos de expansão e até mesmo para tocar o dia-a-dia em uma indesejável pespectiva de estagnação.
Atualmente, o pólo baseia seu abastecimento de água na Refinaria de Capuava
(Recap), da Petrobrás, responsável pelo tratamento do manancial captado do Rio
Tamanduateí, que perpassa seu terreno e do qual possui outorga para retirar 1.300 metros cúbicos por hora. O problema é que cerca de 75% da água captada para abastecer as petroquímicas se origina do esgoto da cidade de Mauá. Com o firme aceno do saneamento básico chegar à região, fato próximo de ocorrer em virtude das metas de universalização que a nova concessão privada de Mauá
(Ecosama) precisa cumprir sob contrato, o rio deixará de ter vazão para atender a demanda atual das empresas, visto que não receberá mais os despejos domésticos e industriais hoje lançados indiscriminadamente.
Embora o pólo não afirme desprezar a água da Ecosama, a menção a um outro novo ponto levantado pode deixar dúvidas. Isso porque faz parte também da nova intenção do pólo bancar os investimentos para viabilizar o outro projeto aventado em reuso: a compra do esgoto da Sabesp. Trata-se de obra avaliada em cerca de R$ 50 milhões, que consiste em construir uma tubulação de 14 km, interligando a ETE ABC situada no bairro do Sacomã, em São Paulo, com a Refap, e ainda uma estação elevatória na unidade da Sabesp. "Temos várias opções de financiamento", diz Jorge Rosa. A companhia de saneamento paulista, aliás, é a que tem a posição aparentemente mais passiva na história. Seu único trabalho seria permitir ao pólo buscar e comprar seu esgoto secundário, aquele que passou por tratamento preliminar com grades e caixa de areia, para remoção de sólidos grosseiros, seguido por uma decantação primária para adensamento de sólidos em suspensão, e por um tratamento biológico em tanques de aeração antes da decantação final para clarificação. Apenas vender esse esgoto é um ótimo negócio. Além de não precisar investir, e também não polir o efluente para uso industrial (o que será feito na Recap), a Sabesp venderá por cerca de R$ 2,50 o metro cúbico do esgoto tratado, que até então vinha sendo descartado no rio. Mesmo sem o pólo afirmar preferir o reuso da Sabesp, o simples surgimento dessa opção pode indicar uma tendência. Apesar de precisar investir, ao contrário do caso da Ecosama que bancaria suas obras com financiamento da Caixa Econômica Federal, as indústrias garantiriam com a ETE do governo do Estado água por muito tempo, segundo explica o gerente de projetos da PQU, Jorge Rosa. Na sua estimativa, quando todos os esgotos da região do ABC estiverem sendo tratados na ETE, haverá uma vazão de 3 m3/s, o que dará de sobra para a demanda atual do pólo (350 litros/s) e para a estimada na expansão (0,5 m3/s). E o melhor é saber que a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto da Sabesp na região está em curso. Atualmente já é tratado cerca de 1 m3/s e até o final do ano estima-se que esse número deva dobrar.
A mesma confiança na disponibilidade de água de reuso da Sabesp Jorge Rosa não demonstra pelo da concessionária de Mauá. Para ele, além do fato de o projeto ainda estar no papel, para chegar às necessidades advindas das futuras ampliações do pólo a Ecosama precisaria contar com 100% da rede coletora de esgoto na cidade, o que de acordo com o gerente ainda está longe de ocorrer e demanda alto investimento. "Em virtude da nossa pressa em resolver o problema, entendemos que a opção ainda não se mostra muito concreta", diz.
A estação terá capacidade total de esgotamento para 1.080 litros por segundo, meta a ser atingida em sete anos, com a coleta ampliada do esgoto da cidade. Nos três primeiros anos, segundo Rocha, há possibilidade de se atingir 530 litros/s, a partir de uma primeira fase operando a 350 litros, justamente para atender à demanda atual do pólo. |
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