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Areia
na moagem – Uma variante de muito sucesso desse novo modelo foram
os moinhos de areia, desenvolvidos pela DuPont de Nemours, no final da década
de 40. Eram moinhos contínuos, carregados com um tipo de areia do Canadá,
denominada sílica de Ottawa, e equipados com um eixo giratório com
discos anulares montados eqüidistantemente, com velocidade periférica
em torno de 10 m/s. Nessa situação, a força atuante nos elementos de
moagem pode ser até 100 vezes maior que a gravidade. A grande novidade,
no entanto, foi o uso de elementos de moagem com diâmetro bem menor que
os predecessores, entre 0,75 mm e 1 mm. Mas os moinhos de areia demandam
alimentação com material homogêneo, seu uso requer a pré-dispersão da
base de moagem e havia outros inconvenientes. O moinho de areia possui fundo fechado, com válvula de
alimentação, e o topo aberto, com uma tela que retém os elementos de
moagem mas deixa passar a tinta. Eventualmente, operações com bombas em
alta vazão provocam a passagem de ambos, elementos e base de moagem. Por
ser aberto, o moinho limita o grau de enchimento da carga de elementos de
moagem a 50% a 70% do volume total, favorece a incorporação de ar ao
produto e a evaporação do solvente. Além disso, a disposição vertical
da câmara cria um perfil decrescente de energia de moagem, da entrada à
saída do moinho. O passo seguinte, então, foi o desenvolvimento de moinhos fechados, cujo advento propiciou o surgimento dos moinhos horizontais. Ao contrário dos verticais, eles proporcionaram distribuição de energia mais homogênea e possibilitaram graus de enchimento de até 85% do volume da câmara. Além disso, a energia cinética das esferas pôde ser duplicada e até triplicada, com o inconveniente do aumento de temperatura da câmara.
“Podem ser necessários sistemas de separação para forças superiores
a 15 vezes a gravidade, em razão de duas necessidades da indústria de
tintas: o uso de esferas de pequeno diâmetro, às vezes de 0,2 mm, e o
processamento de tintas com alto teor de sólidos, de maior
viscosidade”, ressaltou. Segundo ele, os moinhos abertos eram equipados
com peneiras planas ou fendas dinâmicas, adequadas para moinhos de baixa
capacidade. No caso da fenda dinâmica, cuja abertura não pode ser
superior a 25% do diâmetro das esferas, vazões ou capacidades maiores são
inviabilizadas pelo aumento de pressão na fenda e qualquer incremento na
viscosidade da tinta pode causar problemas de operação. “É um
dispositivo adequado para moinhos piloto, impróprio para escalas
industriais”. Sistemas dinâmicos de separação, como peneiras
tubulares, têm melhor desempenho. A Netzsch, aliás, adota, um sistema
ainda mais avançado, as peneiras tubulares com pré-classificação.
“De fendas dinâmicas para peneiras tubulares, a capacidade de vazão
dos moinhos duplicou e pode até triplicar”, afirmou Harbs. A Netzsch é a líder na produção de moinhos para a indústria
de tintas no Brasil, com domínio do mercado superior a 70%, fabricando
equipamentos em aços liga resistentes ao desgaste, que podem ser
internamente revestidos com poliuretano, cerâmicos ou borracha, em casos
de excessivo desgaste mecânico ou químico. Os elementos de moagem são
esferas (a indústria de tintas praticamente não utiliza elementos de
outras formas geométricas, embora eles existam) de vidro, aço ou
materiais cerâmicos, em especial silicatos e óxidos de zircônio ou alumina.
Mas, segundo Harbs, as de vidro (devido ao desgaste) e as de aço (devido
ao desgaste, à contaminação do produto e à falta de disponibilidade de
tamanhos pequenos) começam a entrar em desuso. |
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