A migração para linhas sem enxofre também se verifica nos nitro­genados, com prejuízo para o sulfato de amônio, favorecendo o uso do nitrato de amônio e da uréia. Nesses casos, o formulador precisa encontrar outra fonte de suprimento de enxofre para as plantas. “O gesso pode ser usado como corretor de acidez total do solo (remoção de alumínio) e também como fonte de enxofre, e é um material de baixo custo”, comentou. Atualmente, a Copebrás mantém o gesso residual em depósitos revestidos com mantas impermeáveis, evitando problemas ambien­tais. Outra aplicação possível para o sulfato de cálcio seria na construção civil, tanto em edificações como na compactação de estradas de terra. “Essas aplicações estão sendo desenvolvidas no Brasil.”

Dentro do plano de investimentos da Petrobrás até 2011, consta a instalação de unidades de dessulfurização de derivados de petróleo na faixa de destilação do óleo diesel. Cada uma das refinarias da estatal seria equipada com pelo menos uma unidade dessas, muitas das quais dotadas de unidades recuperadoras de enxofre (URE), que poderão atenuar a situação (vide QD-420, pág. 72).

Setor concentrado A produção de intermediários e ingredientes fertilizantes apresenta-se altamente concentrada no Brasil. Nasceu a partir de esforços dispersos na década de 1940 por parte de empresas como IAP, Copas, Manah e Elekeiroz, na etapa de mistura e formulação de ingredientes, usando principalmente itens importados e fosfatos derivados da apatita retirada de Ara­çoiaba da Serra e Jacupiranga, ambas em São Paulo. O sulfato de amônio passou a ser ofertado pela Cia. Siderúrgica Nacional em 1947, permanecendo isolada no segmento até 1958, quando a Refinaria Presidente Bernardes, de Cubatão, começou a produzir o nitro­cálcio, o nitrato de amônio revestido de calcáreo.   Cuca Jorge
Daher: movimentação de cargas do setor atingiu o limite físico

Na década de 1960, contando com incentivos governamentais, vários empreendimentos tomaram vulto, entre eles a exploração de rocha fosfática de Araxá-MG, que permitiu a introdução dos termofosfatos, além de ampliar a oferta de matéria-pirma para as nascentes Ferticap (1964), Copebrás (1966) e Policarbono (1968), respectivamente em Santo André-SP, Cubatão-SP (onde já fabricava negro-de-fumo), e Ipatinga-MG. Na década, os nitrogenados ganharam impulso, com a entrada da Cosipa e da Usiminas no sulfato de amônio, em 1967 e 1963.

Apenas em meados de 1970, com o apogeu da mentalidade de substituição de importações, a atividade tomou impulso, com o deslanche de vários projetos industriais nas linhas N e P. Em 1974, o governo lançou o Profertil, visando a auto-suficiência a ser atingida em 1980, o que quase foi conseguido nas linhas N e P. Um problema desse programa foi ter incentivado a construção de várias unidades de baixa escala produtiva, ou seja, pouco econômicas. O potássio continuou dependente de importações, embora tenham sido iniciados investimentos em Sergipe, a cargo da Petromisa.

A partir de 1985, os planos oficiais passaram a buscar incrementos constantes na produção agropecuária, ampliando o consumo de fertilizantes, cujas indústrias, agora com pesada participação oficial, estavam com capacidade produtiva lotada e sem previsão de investimentos. Para atender às metas de safra cada vez maiores, a importação de fertilizantes foi apontada como saída mais rápida, em detrimento de investimentos industriais. Os vários planos econômicos da década desesti­mularam investimentos no setor, pela fixação oficial de preços de venda quase sempre corroídos pela inflação (alta) do período, além de não apresentarem garantia de desenvolvimento do mercado, pois os preços dos produtos agrícolas também eram igualmente tabelados e contidos.

A chegada do governo Collor de Mello trouxe fortes mudanças no setor. O Plano Nacional de Desestatização incluiu entre os ativos a privatizar grande parte da indústria de fertilizantes. A maior parcela dos ativos da Petrobrás na produção de nitrogenados (em nome da Petrofertil) foi alienada mediante leilão, em 1992, para um consórcio formado por onze empresas produtoras de insumos fertilizantes e formuladores, denominado Fertifos. Movimentos de fusões e aquisições levaram à consolidação dos acionistas, hoje em número de sete. O grupo de origem holandesa Bunge possui 52,31% do capital acioná­rio da Fertifos, seguido pela norte-americana Cargill, com 33,07%, pela nacional Fertibrás, com 12,76%, e pela Fertipar, com 1,37%. Menos de 1% é dividido entre as companhias Campos Gerais, Heringer e Adubos Triângulo.

O consórcio harmoniza os interesses dos grupos concorrentes, sem haver hegemonia do sócio majoritário. Por força dos estatutos do consórcio, as decisões relevantes só podem ser tomadas com aprovação mínima de dois terços do capital, obrigando a compor interesses.

O consórcio Fertifos detém 79,86% do capital da Fosfértil que, por sua vez, possui 99,99% do capital da Ultrafértil, ambas produtoras de insumos nitroge­nados e fosfatados, atuando de forma consolidada e sendo o player mais expressivo do mercado nacional, atendendo a 30,1% do fornecimento de nutrientes fosfatados e 23,3% dos nitroge­nados para as formuladoras das regiões Sudeste e Centro-Oeste. A Fosfertil Ultrafertil produziu 1,4 milhão de toneladas de nutrientes, sendo 869,1 mil t de P2O5 e 570,4 mil t de N.

O conselho de administração da Fosfertil Ultrafertil aprovou, no final do ano passado, um plano para investir R$ 280 milhões na atividade mineradora de Tapira-MG, no complexo mine­roquímico de Catalão-GO e no complexo de industrial de Uberaba-MG, de modo a ampliar a oferta de fertilizantes fosfa­tados para 1,77 milhão de t/ano a partir de 2005. O plano prevê adicionar 330 mil t/ano de concentrado fosfático em Tapira, e mais 143 mil t/ano em Catalão, perfazendo uma capacidade total de 3,2 milhões de t de concentrado.

 

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