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Venda de fertilizantes bate
recorde com apoio externo Marcelo Fairbanks O
consumo nacional de fertilizantes
mantém forte ritmo de crescimento, desde 1991, de modo a permitir a
duplicação da produção de grãos com aumento de apenas 20% da área
cultivada, até a última safra. Embora a atividade agrícola seja forte
exportadora, a importação de intermediários e ingredientes básicos
atende à maior parte do abastecimento local, e já se configura como
desafio estratégico para o futuro da agropecuária local. A dependência de importados é dramática no caso dos
principais ingredientes potássicos, cuja produção local, mantida pela
Cia. Vale do Rio Doce, com minas de silvinita em Sergipe, arrendadas por
25 anos junto à Petrobrás, mal atende a 10% da demanda brasileira, país
listado entre os maiores importadores mundiais de cloreto de potássio. Do Chile vem o salitre de potássio, em baixo volume. O
Brasil também importa pequena quantidade de sulfato de potássio,
destinado a culturas como a do fumo e da videira, pouco afeitas ao outro
sal. Em 2003, o cloreto de potássio foi o insumo químico mais importado
pelo Brasil, uma conta de US$ 623 milhões (FOB). A relação de importados mais significativos, elaborada pela
Abiquim a partir dos dados do Sistema Alice do governo federal, traz na
segunda e terceira colocações outros importantes fertilizantes,
respectivamente, o diidrogeno-ortofosfato de amônio (mais conhecido
como monoamônio fosfato ou MAP), mesmo com mistura com diamônio fosfato
(DAP) e a uréia. Somados, os dois representaram uma despesa de US$ 586
milhões. Ambos refletem a baixa produção de insumos nitrogenados no País,
prejudicada pelo alto custo de gás natural e de derivados de petróleo
necessários para a síntese da amônia, a pedra angular dessa família de
adubos. As importações não ofuscaram o brilho do setor. “Em 2003,
as indústrias de fertilizantes entregaram aos produtores agropecuários
do Brasil 22.796 mil t de produtos acabados, um recorde fantástico”,
comemorou Eduardo Daher, diretor da Associação Nacional para Difusão de
Adubos (Anda). O entusiasmo se justifica pelo aumento de entregas de 19,3%
ter sido obtido sobre o resultado de 2002, que já era recordista. Em
termos de nutrientes (N, P2O5 e K2O), o crescimento de demanda foi de 23%, evidenciando uma
evolução qualitativa, em favor de produtos mais concentrados, ou seja,
de maior conteúdo tecnológico. A base desse crescimento foi obtida com
insumos trazidos do exterior. A dependência de importações tem a desvantagem óbvia de
prejudicar o desempenho da balança comercial brasileira. Além disso,
introduz um fator de risco na cadeia produtiva, representado pela
possibilidade de variações cambiais, que podem amplificar os efeitos de
súbitas elevações de cotações internacionais dos produtos. Há também
a considerar o peso crescente do custo dos fretes marítimos
internacionais no custo dos ingredientes importados, que acaba sendo
transferido para o formulador de fertilizantes e, por conseqüência, para
os agricultores. Sem falar no fato de a cadeia logística dos insumos
estar operando no limite de capacidade, pressionada pela baixa qualidade
da infra-estrutura de transporte e armazenamento do País. Já no campo dos ingredientes fosfatados, a situação é
quase tranqüila, com a produção brasileira respondendo por mais da
metade do consumo nacional (em termos do nutriente P2O5). A situação deve ficar ainda mais favorável com a
concretização dos investimentos anunciados pela Fosfértil/Ultrafértil,
maior produtor nacional, e da Copebrás para os próximos anos. A produção de fosfatos já conseguiu reverter seu maior
problema, a baixa concentração de fósforo das jazidas locais, que exige
uma flotação anterior ao processamento químico do material. Aliás, o
custo de mineração é mais alto no Brasil, enquanto no Marrocos, China,
Rússia e Estados Unidos (juntos esses países detém 67% das jazidas
mundiais) são obtidos minérios com mais de 20% em P2O5, contra a média brasileira de 10% a 12%. Resta conviver com o curto suprimento de enxofre e ácido sulfúrico,
sem fonte natural no Brasil. O desenvolvimento econômico da China arrasta
para a Ásia a maior parte da oferta mundial desses itens. A partir do
enxofre, obtém-se o ácido sulfúrico com o qual é solubilizado o
fosfato presente na rocha (fluorapatita) moída. Por via úmida, a mais
freqüente, conforme o processo utilizado, podem ser obtidos dois
resultados: o superfosfato simples, ingrediente de fertilizantes para uso
em fórmulas NPK, ou mesmo de aplicação isolada, consistindo fonte de fósforo
e enxofre para plantas; e também ácido fosfórico (tendo por subproduto
o gesso – sulfato de cálcio). O ácido fosfórico encontra emprego
industrial amplo, além de também atuar como solubilizador de fosfato da
rocha original, dessa feita conduzindo à fabricação do superfosfato
triplo, mais concentrado que o anterior.
O encarecimento do enxofre afeta a demanda do superfosfato simples, deslocando-a na direção de outros produtos mais concentrados, como o MAP, o DAP e o super-triplo, todos obtidos a partir do ácido fosfórico. “Isso nem sempre é interessante, pois os solos brasileiros, em geral, são carentes também em enxofre, um macronutriente secundário dos vegetais”, explicou o agrônomo João Bosco Olivito Nonino, gerente-geral de vendas da Copebrás, empresa do grupo Anglo American. Ele estima a necessidade brasileira em enxofre entre 2,5 milhões e 3 milhões de t/ano. |
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