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A necessidade de contar
com capital privado para se alcançar a universalização, para o vice da
Abdib, fica evidente e, de forma contraditória,
também foi confirmada pelo governo. Tanto é assim que o Poder Executivo
vem contando como arma principal para os investimentos de infra-estrutura
as chamadas PPPs (parcerias público privadas). O problema é que sem um
ambiente favorável, o que significa um marco regulatório que proteja os
investidores e privilegie o respeito aos contratos, dificilmente sairão
essas modalidades de gestão. “O capital privado existe, mas está
literalmente parado, esperando para ver o rumo que os planos vão dar ao
setor”, diz. Até mesmo se o governo, o
que não é muito provável, conseguir financiar as obras em saneamento
sem a ajuda dos investidores privados, haveria um outro problema na opinião
de Azevedo. Caso libere o dinheiro diretamente para as companhias de
saneamento, o risco de malversação é muito grande. Isso porque dois terços
destas empresas revelam despesas maiores que as receitas. E de acordo com
um relatório recente da Controladoria Geral da União, após análise de
260 obras do período de 1999 e 2000, 52% das de abastecimento de água e
60% das de esgotamento sanitário têm irregularidades ou impropriedades.
“Isso prova que o dinheiro público foi tratado com descaso”, conclui
o vice da Abdib.
Apesar desse cenário, as
empresas do ramo de água e efluentes não deixam de investir em novas
tecnologias, que normalmente são empregadas primeiro pelo setor privado.
Para iniciar por um exemplo do segmento mais atingido pela crise, o de
equipamentos, a Aquamec está apostando em uma tendência mundial de
utilização de aço inox na caldeiraria para tentar modernizar seus
fornecimentos. Em breve com um prédio próprio em Itu-SP, onde já possui
uma fábrica convencional para preparação de chapas, corte e solda e
montagem de seus equipamentos com capacidade de 150 t/mês, a Aquamec
fundou em setembro de 2002 a Filaqua Laser, empresa equipada com máquinas
de corte a laser específicas para o aço inox. “O aço inox, muito mais
resistente e sem necessidade dos revestimentos, que nem sempre funcionam,
do aço carbono, precisa ser cortado a laser, muito mais preciso e
sem o risco de deformar a peça”, explica Sérgio Ceccato, também
professor de máquinas hidráulicas e mecânica dos fluidos na Escola
Politécnica da USP. Para montar a nova linha, a Aquamec recorreu a
financiamentos externos dos vendedores das máquinas (cada uma chega a 1
milhão de euros), a alemã Trumpf e a suíça Bystronic. Por enquanto,
possuem duas máquinas, mas o objetivo é elevar o parque para cinco
modelos. Segundo Ceccato, muitos consumidores de equipamentos para efluentes já sabem das vantagens do aço inox sobre o aço carbono. “O movimento constante das partes submersas desgastam os revestimentos de epóxi do aço carbono a médio prazo”, diz. A migração só não é maior para o inox porque seu preço ainda é alto no Brasil, de três a seis vezes maior por quilo de aço (o teor de cromo que determina sua qualidade e seu valor).
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