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Chapas evoluídas
– O
principal substrato a revestir na indústria automobilística são as
chapas de aço, que começam a ser acompanhadas de partes feitas de plásticos
de engenharia. As chapas possuem várias especificações, determinadas
pelos projetistas das montadoras conforme os requisitos de resistência
mecânica e química desejadas. Embora grande produtora de aço, a
siderurgia brasileira ainda recebe críticas quanto à qualidade do
material vendido ao mercado interno. Segundo o especialista, no Japão as montadoras usam chapas revestidas de zinco e ferro (galvanil), com garantia de 18 anos contra corrosão. “O Brasil já fabrica esse tipo de chapa, geralmente destinada à exportação, já que tem preço elevado”, comentou.
“Mudar de material implicaria alterar o projeto dos carros,
o que não é aceitável.” As chapas de aço devem ser avaliadas em
duas características: resistência à corrosão e rugosidade
superficial, influi no resultado final da operação. “Ninguém aceita
uma pintura do tipo casca de laranja”, afirmou. Apesar do revestimento
de zinco, as chapas já dobradas e soldadas pedem um tratamento antes
das etapas de pintura propriamente ditas. A fosfatização em meio
aquoso é uma operação custosa, com alta taxa de extração de
material (que exige reposição) e instalações dispendiosas, porém
necessária para permitir o ancoramento das camadas posteriores, além
de proteger o substrato contra agentes químicos e mecânicos. Há
poucos anos os passivantes crômicos foram substituídos por linhas
ditas “ecológicas”. “O que há de mais novo é o uso de sistemas
tricatiônicos, contendo zinco, níquel e manganês, a melhor
alternativa para a etapa seguinte, de eletrodeposição”, disse Odair
Destro. Essa etapa é realizada
em todas as montadoras no Brasil, mas poderá ser profundamente alterada
nos próximos anos. “As companhias tendem a adotar o conceito de fábrica
short system, pelo qual as instalações são menos complexas,
exigindo menor investimento”, afirmou Destro. Dessa forma, as chapas
deverão ser fornecidas já fosfatizadas pelas siderúrgicas. “Nesse
caso, deve ser preferida a fosfatização orgânica, feita com auxílio
de um copolímero acrílico”, comentou. Nas regiões de solda, porém,
o tratamento é perdido, exigindo reaplicação. “Isso pode ser feito
com apenas três banhos, com grande economia”, explicou. A mudança de
conceitos poderá alterar alguns procedimentos hoje adotados para
garantir a eficiência do tratamento, como a flangeadura (dobra das
bordas) das chapas. |
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Eletrodeposição evolui –
O
padrão de pintura protetiva adotado pela indústria automobilística
mundial é a eletrodeposição cataforética. “A América Latina
ainda usa metais pesados nos banhos, principalmente o chumbo, que já não
é mais admitido na Europa e nos Estados Unidos”, comentou Destro. Por
isso, cada carro tratado contém, em média, 30 gramas de chumbo no e-coat.
Ele
explica que o metal acelera a reticulação da tinta, atua como passivador
na parte interna das peças e oferece boa proteção contra a corrosão.
“A sexta geração de e-coating da PPG substituiu o chumbo pelo
ítrio, mineral nobre ainda mais resistente que o anterior, atendendo
inclusive às normas japonesas”, afirmou. O produto exige a aplicação
de uma carga mineral específica, formulada com cálcio. Outro avanço da
eletrodeposição foi a redução da temperatura de cura para menos de
165ºC por 15 minutos. Essa exigência é explicada pela inclusão cada
vez maior de partes feitas de plástico nos carros. Como o veículo
precisa ser pintado todo de uma vez, foi preciso adequar o sistema de
pintura. “Temos linha para curar a 140°C”, afirmou Destro. Além
disso, os novos sistemas perdem apenas 7,5% de menos massa nas estufas,
enquanto as linhas tradicionais perdem até 15%. A evolução dos e-coatings
permite reduzir a espessura da camada, sem perda de desempenho protetivo.
“Na década de 70 era usual trabalhar com alta camada, ou seja 35 micrômetros”,
disse o especialista. Ao longo dos anos, a espessura foi caindo para uma
faixa intermediária, de 25 micrômetros, enquanto hoje chega a 22
micrômetros, ou menos. “No Japão já se fala em 18 micrômetros de e-coat”,
comentou. A PPG está difundindo o
conceito de e-coating bifuncional, que poderia eliminar a aplicação
dos primers. Com o nome de Duraprimer, esse produto garante
proteção anticorrosiva, resistência ao ultravioleta, agentes químicos
e físicos com uma única camada de 25 micrômetros. A camada usual de primer
tem média de 35 a 40 micrômetros. Segundo Yamaga, já
houve uma evolução significativa nos primers automotivos,
formulados com poliésteres com alto teor de sólidos, de modo a ganhar
produtividade e transferir mais material para o painel tratado. “Primers
diferenciados só são produzidos a partir de exigência dos
clientes”, explicou. Seria possível formulá-los com base em
poliuretano bicomponente, mas haveria necessidade de investir mais em
equipamentos.
Sob a denominação Ecoconcept, a empresa finaliza na
Alemanha, em parceria com montadoras locais, o desenvolvimento de e-coat
formulado à base de epóxi-poliuretano isento de chumbo, incluindo
cargas minerais, que poderá ser adotado em instalações novas. |
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