
Ilustração: Martinez
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Tintas automotivas aguardam Baixo
poder Marcelo
Fairbranks O
mercado das tintas automotivas manteve o volume de vendas nos
últimos três anos, tendo por limites a estagnação da produção
nacional de automóveis na faixa de 1,6 milhão a 1,8 milhão de
unidades por ano, e o baixo poder aquisitivo da população, que
procrastina a necessária manutenção da idosa frota rodoviária. A
produção foi sustentada pela exportação que aumentou 27,8% sobre
2002, enquanto o licenciamento de automóveis no País caiu 4,4%. Dados
da Abrafati mostram que as vendas de tintas automotivas originais foram
de 30 milhões de litros em 2001 e 2002. Na repintura, houve um ligeiro
crescimento, de 32 milhões para 33 milhões de litros. Os dados para
2003 ainda não foram fechados, mas a indústria de tintas não espera
grandes alterações no quadro. Também a venda de
tintas para repintura automotiva sai fortalecida, contando com o aval da
montadora. Isso facilita, por exemplo, a entrada nos concessionários da
marca. Elisabeth Azanha,
gerente do departameno técnico de tintas automotivas da Basf S.A.,
comenta que “os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são
elevados e nem sempre possuem retorno garantido a curto prazo, em
especial no mercado atual, no qual nossos clientes brigam por centavos
nas negociações comercias enquanto, na outra ponta, o consumidor final
não vem comprando o volume esperado”. Para que as operações sejam
lucrativas, é preciso que montadoras e fabricantes de tintas formem
parcerias para criar e desenvolver produtos competitivos.
“Por não contar com escala muito grande, não compensava aos
japoneses promover a migração para linhas base água”, disse Akira.
“Eles preferiram manter os solventes, mas buscando a máxima eficiência
do sistema, de modo a evitar desperdício.” Como exemplo, ele citou os
robôs das instalações de pintura, que realizam a pintura das
carrocerias com apenas uma passada, exigindo tintas com desempenho
compatível. A chegada de novas
montadoras foi acompanhada de investimentos por parte de seus
fornecedores, todos frustados com o fraco desempenho do mercado
regional. “Fomos obrigados a buscar mercados complementares para
ocupar a fábrica”, explicou Yamaga, da PPG, instalada em Sumaré-SP.
Entre outros segmentos, ele citou linhas industriais de alta qualidade,
voltadas para exportação de itens como autopeças, produtos
sofisticados de madeira e eletrodomésticos. “Estamos até pensando em
reorganizar os turnos para ampliar a produção.” Da parte das montadoras,
ele afirmou que elas se mantêm ocupadas, diversificando a linha de
produção, principalmente com veículos exportáveis. A indústria
brasileira se especializou no segmento de veículos subcompactos, que
também encontra boas oportunidades de negócios no México, na China e
em países do Oriente Médio. “A cadeia de suprimentos precisa ser
saudável para que as montadoras possam competir em escala mundial, mas
ainda há uma pressão muito forte nos elos anteriores da cadeia, que
dificulta a atualização de produtos”, afirmou Yamaga. A produção de tintas
para montadoras tornou-se altamente concentrada no mundo todo. Basf,
PPG e DuPont atendem a quase todo o mercado ocidental, havendo espaço
para outras duas fabricantes instaladas no Japão. As três primeiras
dividem o mercado brasileiro, com liderança da DPC, com vendas acima de
50% do total, seguida pela Basf, com alegados 30%. Por exclusão, já
que se recusa a citar números, a PPG deve responder por aproximadamente
20% desse mercado. Já o segmento de repintura apresenta diferente
distribuição e outros fabricantes, como a Akzo (inclui a marca Sikkens)
e a Sherwin Williams (adquiriu a Lazzuril), além de diversos
fornecedores regionais, de difícil mensuração. “Alimentamos boas
expectativas para 2004, que poderão apresentar reativação do mercado
de carros, hoje com excesso de oferta”, afirmou Akira. O fornecimento
de tintas para montadoras vem perdendo margens há cinco anos, segundo
informou, recebendo o mesmo tratamento dedicado aos fornecedores de
autopeças. “A pressão pela redução de custos é muito grande no
setor”, comentou. Um problema no relacionamento com os clientes está
ligado com a remuneração das matérias-primas importadas. “Quando o
câmbio sobe rápido demais, como aconteceu em 2002, não conseguimos
nunca repassar a diferença”, lamentou. Considerando a participação
de importados ao redor de 60% do valor dos insumos, Yamaga pondera que o
imposto de importação sobre esses itens deveria ser reduzido ou mesmo
eliminado. “A incidência de impostos sobre produtos que não têm
similar nacional é péssima, pois prejudica a competitividade das
montadoras, que são exportadoras”, criticou.
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