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SIMULAÇÃO
Eletrólitos em solução podem ludibriar engenheiros precipitados
Artigo especial para QD ensina como lidar com eletrólitos, para a
modelagem correta de sistemas aquosos em simulação computacional de
processos químicos.
Uma grande variedade de atividades
industriais envolve sistemas eletrolíticos em meio aquoso. Tratamento
de efluentes, lavagem de gases em refinarias com DEA (dietanolamina),
purificação de salmoura em plantas de cloro-soda, controle dinâmico
de pH, evaporação e cristalização de soluções na manufatura de químicos
inorgânicos, como de soda cáustica, e engenharia de corrosão para a
predição de incrustações são alguns desses exemplos.
Atualmente, engenheiros químicos confiam quase cegamente em pacotes
computacionais comerciais para a simulação de processos químicos. Na
verdade, esses pacotes permitem que engenheiros estudem novas configurações
de processo, avaliem e otimizem processos já existentes, analisem
problemas operacionais e entendam as suas unidades industriais a ponto
de poder controlá-las melhor.
Para processos não envolvendo eletrólitos, a simulação geralmente é
direta. Infelizmente, a modelagem de processos que envolvem eletrólitos
não é uma tarefa tão simples. Usualmente, os modelos termodinâmicos
de eletrólitos em meio aquoso disponíveis no mercado só são eficazes
para sistemas altamente diluídos.
Para simular com sucesso sistemas eletrolíticos complexos é
fundamental considerar:
- as reações (identificação de todas as espécies) e precipitações
envolvidas;
- as constantes de equilíbrio de reações;
- os coeficientes de atividade para espécies iônicas, moleculares e
solventes (para o cálculo do equilíbrio reacional e o equilíbrio de
fases).
Modelos validados são fundamentais – A termodinâmica fornece
as condições de contorno que governam qualquer processo físico-químico
que venha a ser criado sem violar as leis fundamentais da natureza.
Embora as leis básicas da termodinâmica sejam gerais, elas fornecem
relações, e não modelos. É dos modelos que são obtidas as
propriedades físico-químicas tão importantes para a simulação de
processos químicos. A área da ciência que se preocupa em transformar
as relações gerais termodinâmicas em modelos úteis para a prática
de engenharia é chamada termodinâmica aplicada ou molecular.
Os modelos termodinâmicos utilizados no cálculo de processos são,
freqüentemente, representações simplificadas do comportamento da
natureza. Sendo assim, a qualidade dos resultados que eles fornecem
depende muito do sistema químico onde esse modelo é aplicado, assim
como da temperatura, pressão e composições utilizadas na determinação
dos seus parâmetros.
A compreensão do modelo termodinâmico aplicado ao mundo real, assim
como a sua validação para as condições operacionais desejadas, não
pode ser deixada em segundo plano. Algumas vezes, engenheiros químicos
são tentados a achar que a modelagem adequada da operação unitária
em estudo irá fornecer resultados precisos, porque os balanços de
massa, energia e quantidade de movimento estão escritos corretamente.
Contudo, vamos pensar por um momento. O balanço de massa é dependente
das quantidades de vapor, líquido e sólido presentes, que por sua vez
são determinados pela grandeza termodinâmica denominada fugacidade. O
balanço de energia é função das entalpias das correntes presentes no
processo, e essas grandezas são obtidas através da termodinâmica do
sistema. Propriedades necessárias para o balanço de quantidade de
movimento, como por exemplo a perda de carga, são dependentes da
densidade do fluido em questão, sendo tal propriedade, também,
apontada pela termodinâmica.
Em suma, de qualquer forma que seja abordada a modelagem de um processo,
a qualidade final dos resultados, independentemente da sofisticação
das equações envolvidas na descrição da operação unitária, é função
dos dados obtidos a partir de um modelo termodinâmico. A tabela I
mostra um pequeno conjunto de exemplos de operações usuais nas indústrias
de processos químicos e as propriedades termodinâmicas vitais para a
sua adequada modelagem.
Termodinâmica de Eletrólitos é especial – Eletrólitos
adicionam uma nova dimensão à modelagem termodinâmica. Problemas
específicos surgem na modelagem de eletrólitos em meio aquoso por
causa da diferença entre lidar com soluções “moleculares” e soluções
eletrolíticas. Os sistemas eletrolíticos devem levar em conta a produção
de íons positivos (cátions) e negativos (ânions), além da
neutralidade elétrica do sistema como um todo.
A existência de íons e suas interações em um meio aquoso podem
resultar no surgimento de um grande número de espécies importantes –
algumas podem não ser óbvias – na condução do equilíbrio entre as
fases aquosa (líquida), vapor e sólida. Por exemplo1, em um sistema
aquoso contendo cloro (Cl2), a fase vapor contem as espécies
moleculares H2O e Cl2. A concentração dessas espécies na fase vapor
é determinada não só pela concentração das espécies H2O, Cl2 e
HClO presentes na fase líquida (aquosa), mas também de espécies iônicas
presentes em solução: H+, OH-, Cl- e ClO- (ver tabela II).
Cabe mencionar que a inclusão do ânion ClO- poderia muito bem ser
esquecida por muitos engenheiros de processo! Portanto, para esse
sistema binário (H2O-Cl2), a uma dada temperatura, pressão e concentração
total de Cl2, dez equações (a maioria não-linear) necessitam ser
resolvidas a fim de se encontrar a composição de cada espécie em cada
fase.
Eletrólitos representam uma classe especial de misturas não-ideais
resultantes de fenômenos físico-químicos como dissociação completa
de eletrólitos fortes, dissociação parcial de eletrólitos fracos,
reações iônicas e formação de íons complexos2. Conseqüentemente,
modelos termodinâmicos especiais são necessários para descrever esses
desvios de comportamento em relação a uma solução ideal. O grande
desafio dos pesquisadores e responsáveis pela modelagem dessa classe de
sistemas é fornecer uma metodologia para a predição das diversas
propriedades termodinâmicas necessárias para o entendimento do fenômeno
físico-químico.
Validação de modelos – As reações eletrolíticas em solução
podem acarretar o surgimento de muitas espécies. Conseqüentemente, o número
de parâmetros de um modelo termodinâmico pode subir rapidamente. É,
então, importante ser capaz de classificar quais parâmetros são
essenciais para uma adequada descrição do processo. Esse conhecimento
minimizará o esforço de obtenção de um modelo correto sem sacrificar
a qualidade dos resultados.
Diferente de um sistema não-eletrolítico, nos sistemas eletrolíticos
o processo de classificação não é direto. Embora uma cuidadosa
pesquisa bibliográfica nos permita identificar as espécies químicas
envolvidas no sistema, as suas concentrações no equilíbrio não são
conhecidas a priori. Portanto, experiência e conhecimento do sistema
eletrolítico em estudo são fundamentais no processo de classificação
das espécies e parâmetros, principalmente se o sistema em questão for
complexo.
Contudo, as seguintes regras gerais ajudam a guiar o processo de
classificação das espécies moleculares e iônicas3:
1. O eletrólito que sofre uma reação de dissociação completa pode
ser classificado como menos importante;
2. Os parâmetros referentes às propriedades (em fase sólida) de um
eletrólito que precipita em forma de sal devem ser classificados como
importantes;
3. Em sistemas aquosos, geralmente, os parâmetros binários e ternários
envolvendo água são mais importantes do que aqueles que não a
envolvem;
4. Caso um eletrólito sofra múltiplas reações de dissociação, as
espécies iônicas criadas a partir de uma dissociação prévia são
sempre mais importantes do que as criadas em reações subseqüentes;
5. Qualquer espécie que tenha uma pureza especificada é importante,
mesmo que essa concentração seja bem pequena.
...continua >>>
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