LABORATÓRIO

Empresas investem na nacionalização da vidraria

Produção local de peças e aparelhos de vidro para laboratórios cresce e desafia concorrentes chineses e o uso de materiais plásticos

Hamilton de Almeida

O setor de vidraria para laboratório está em ebulição. Embora o mercado experimente, há anos, um certo declínio, e se considere esgotada a evolução do produto em termos de qualidade, empresas como Astra, Corning e Laborglas estão sacudindo suas próprias estruturas para apresentar novidades aos clientes. Novidades, aliás, que podem representar mudanças significativas nos fluxos de capitais desse segmento que chega a movimentar ao redor de US$ 5 milhões a US$ 7 milhões por ano.

A Laborglas Ind. e Com. de Materiais para Laboratório Ltda. começou, em 1° de outubro, a fabricar no País uma linha de manufaturados com 70 a 80 itens, sob licença da alemã Schott. Provetas, balões volumétricos, pipetas e balões de fundo chato/redondo com junta que, até então, eram totalmente importados da Alemanha, estão sendo, agora, oferecidos ao mercado com a marca “Schott made in Brazil”, informa o sócio-gerente, Walter Pinheiro Teixeira.

A Astra Brasil Ind. de Vidros Ltda., a empresa número um do setor, está na etapa final de negociação de uma parceria com uma empresa estrangeira, que resultará na importação de equipamentos com a marca Thermex. O projeto prevê repasse de tecnologia e o objetivo é passar a fabricá-los no Brasil a partir de 2005. O diretor-presidente Carlos Bodra não revela mais dados porque o negócio ainda não foi totalmente fechado. 

Cuca Jorge
Pinheiro: custos reduzidos sem afetar a qualidade

A Corning, por sua vez, poderá transferir do México para o Brasil o seu centro de distribuição de produtos. “Queremos voltar a ficar mais próximos dos usuários”, justifica o gerente de vendas e marketing para a América do Sul, Jerônimo Figueiredo.

A nova linha de produtos em borossilicato da Laborglas pode ser adquirida com preços de 20% a 30% mais baratos que os importados, afirma Teixeira. Com matéria-prima importada da Alemanha, o executivo garante estar em condições de fabricar produtos idênticos em qualidade aos tradicionais da marca Schott. A empresa já solicitou certificado de adequação às normas da Rede Brasileira de Calibração (RBC), previsto para o início de 2004. Depois, será a vez de caminhar rumo à ISO 9001.


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