GASES INDUSTRIAIS

Especialização é a tática da moda do setor

Economia desaquecida impele companhias aos novos negócios e  intensifica investimento na área de serviços. Com isso, setor agrega valor e fideliza clientes

Renata Pachione

Apesar dos fornecedores de gás industrial serem unânimes quanto à retração do mercado, eles estão a todo vapor. A partir do princípio de que se cada um fizer a sua parte o todo se sustenta, essa indústria evolui a passos largos. Mas não em questões quantitativas e, sim, qualitativas, pois mesmo operando com margens reduzidas, as companhias investem em novos empreendimentos e aperfeiçoamentos tecnológicos, sem perder o foco nas necessidades do cliente. 

Considerado o maior da América do Sul, o mercado brasileiro de gases industriais deve fechar 2003 sem incremento nas vendas, em relação ao ano passado e com faturamento estimado de cerca de US$ 700 milhões. Mesmo assim, os fornecedores de gás apresentam bons prognósticos. Na avaliação deles, esse mercado, que nos últimos cinco anos avançou a taxas de 10% a 15% e chegou a registrar faturamento de US$ 1 bilhão, em 1996, hoje vive um momento peculiar, porém não está apático. Todas as empresas anunciam projeções de crescimento, de pelo menos dois dígitos, para seus negócios em 2004 e reservam novidades tanto em aplicações quanto em unidades de produção.

Novos nichos - Identificar oportunidades é o que mais as companhias têm feito para compensar as mazelas da macroeconomia. Controlada pela Praxair, a maior empresa de gases industriais das Américas e uma das mais importantes em nível mundial, a White Martins tem posto em prática o conceito de agregar valor ao mercado, com a diversificação do seu negócio. Anunciada há dois anos como tendência, essa proposta hoje é pré-requisito frente ao concorrido setor. Por isso, preocupada em satisfazer o consumidor, a companhia investe na criação de novas frentes de atuação. “Fugimos de uma abordagem de commodity para investir na modernização do setor e em tecnologia”, explicou o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da White Martins Murilo Melo. O discurso é o mesmo de dois anos atrás, no entanto, nesse momento de fraca demanda da indústria, os fornecedores de gás buscaram fôlego, avançando para segmentos não-tradicionais do setor. Na White Martins, a área de novos negócios e serviços representa 15% do faturamento. Essa atividade vem em um crescendo. No ano passado, era responsável por 12% das vendas e, em dois anos, Melo prevê elevar esse índice para 25%. 

A partir de uma orientação focada nas reais necessidades do mercado, a companhia investe seu know-how em novos desenvolvimentos. Um exemplo fica por conta da instalação de fábrica de cilindro para gás natural veicular. A empresa produzia cilindros para os próprios gases, porém diante da possibilidade de inovar junto ao aparecimento do mercado de gás natural, investiu em unidade, em Manaus-AM. Segundo expectativa da White Martins, em 2005, mais de um milhão de veículos no País serão movidos por esse combustível. O mesmo mote propiciou a entrada da companhia no negócio de fabricação de componentes para conversão de veículos para gás natural. A White Martins criou uma joint venture com uma empresa italiana, também em Manaus. “Estamos atentos às oportunidades, por isso investimos nesses novos negócios”, justificou Melo.  Divulgação
Melo: mercado morno não impede investimentos

Por conta dessa estratégia, a companhia também ampliou sua participação no segmento de lavanderia industrial. Com a aquisição da lavanderia Chanceller Serviços, passou a utilizar o ozônio, a partir de tecnologia patenteada pela própria White Martins, para atender aos mercados hospitalar e hoteleiro. De acordo com a empresa, o processo de lavagem com o gás proporciona redução de custos operacionais, aumento da produtividade e da qualidade e efluente menos agressivo ao meio ambiente. O ozônio é um agente de desinfecção capaz de substituir o cloro, em função de seu elevado poder de oxidação e mecanismo de destruição dos microorganismos. Segundo a White Martins, durante o processo, essa tecnologia reduz de 50% a 70% a quantidade de produtos químicos e cerca de 60% o consumo de água. A empresa possui seis unidades de lavanderia em operação (são duas em São Paulo e as quatro restantes se dividem igualmente entre Porto Alegre, Salvador, Goiás e Curitiba). Na avaliação de Melo, esse segmento apresenta avanço da ordem de 25% ao ano “Temos expandido nessa área ”, orgulhou-se. Apesar desses novos negócios não serem muito representativos no faturamento da empresa, estes traduzem o foco da White Martins no cliente e não na própria companhia. 

Divulgação

A White Martins avança nos novos negócios

No segmento industrial, investiu em equipamentos para limpeza de tubulações e gasodutos. Parte integrante da operação offshore, a White Martins desenvolveu o deslocamento e a secagem do gasoduto RG2 do Campo de Roncador (Petrobrás), onde a linha de escoamento de gás estava interrompida. A sua liberação se deu por conta de parceria da White Martins com a Halliburton. Na ocasião, foram bombeados 280 mil m³ de nitrogênio. Outro projeto referiu-se ao deslocamento da linha de exportação de gás da Shell (plataforma de Bijupirá/Salema), com mesmo volume, de 280 mil m³ de nitrogênio. A companhia efetuou também o esvaziamento de oleoduto em um trecho de 84 quilômetros para a Transpetro. No local, foi empregado volume de 300 mil m³ de nitrogênio líquido. Essa ação, em particular, contou com a utilização, pela primeira vez, de um dos mais novos lançamentos da White Martins, a carreta SMB 15 mil. 
Trata-se de um equipamento voltado para serviços em tubulações e gasodutos, apresentado ao mercado no início de outubro. Também no mesmo segmento, a White Martins desenvolveu a secagem do etenoduto de 450 km, que liga a Braskem à Cia. Alcoolquímica Nacional, de Pernambuco. Um dos pontos principais da operação ficou por conta da redução do tempo de parada. “Houve uma economia de milhares de dólares para os clientes”, comentou Melo. 

No segmento siderúrgico, a empresa também propôs novos desenvolvimentos. A partir de contratos com a Usiminas-MG e com a Cosipa, em Cubatão-SP, trouxe ao mercado a tecnologia Cojet. Trata-se de sistema de injeção de oxigênio, o qual baseia-se no desenvolvimento de um bocal que produz jato de gás, à velocidade supersônica, reproduzindo um feixe laser dentro do banho de metal fundido. Dessa forma, segundo informações do fabricante, o método fornece precisas quantidades de oxigênio ao banho metálico com superior performance, quando comparado aos equipamentos tradicionais.


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