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Sebo garantido – A expansão do setor de proteínas animais (suínos, bovinos e aves) no Brasil garante a oferta de matérias-primas oleoquímicas, com custos satisfatórios. “Só usamos sebo comprado diretamente de frigoríficos, de primeira qualidade”, afirmou Admir Lovato, diretor da Almad Óleos, Gorduras e Derivados, com fábrica em Araçatuba, no Oeste paulista. Para Lovato, o uso de sebo de boi limpo, sem contaminações, por apresentar cadeias carbônicas melhor definidas permite reduzir o tempo de residência no hidrogenador e economizar no catalisador, com vantagem evidente. No caso dos produtos de graxaria, sempre há mistura de material com restos suínos e vísceras, produzindo variações de qualidade. Já os resíduos de curtume, trazem contaminações atribuíveis ao processamento das peles.
A importância de manter qualidade consistente é explicada pelo fato de a Almad contar com contratos de fornecimento com especificações determinadas por clientes, que não admitem variações. |
Cuca Jorge |
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| Lovato: pedidos em carteira já absorvem toda a
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“Temos produtos de prateleira, mas desenvolvemos produtos de acordo com as necessidades de clientes”, comentou. A hidrogenação, por exemplo, é conduzida a partir dessas encomendas. Nas linhas padrão, o processo é orientado de duas formas: a primeira proporcionando produtos com índices de iodo de 1 a 3, destinadas a usos mais específicos, e outra, indicada para a indústria de borracha, com índices variando de 3 a 8. “Fazemos, em alguns casos, até a bidestilação do ácido graxo”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Lovato identifica forte pressão para a redução de preços no setor, com base na ampla disponibilidade de produtos no mercado. “Existem até fornecedores informais, que aparecem e desaparecem com facilidade, mas acabam prejudicando as empresas mais sérias”, criticou. Daí a importância estratégica de atuar em produtos menos convencionais. Basta lembrar que, há pouco tempo, o sebo estava cotado a R$ 1,50 por kg, enquanto a estearina saía por R$ 2,00. “Nessa base, era melhor revender o sebo do que produzir o ácido graxo”, explicou, salientando que o preço do sebo já voltou ao normal. Já as cotações dos principais oleoquímicos básicos continuam deprimidas. Com isso, embora tenha rodado com a fábrica cheia em 2002, os resultados financeiros da Almad “não foram muito bons”.
A empresa está equipada para produzir 10 mil t/ano de ácidos graxos na forma bruta, incluindo o processamento de óleos vegetais, como soja e babaçu. “Se fizermos só ácidos destilados, essa capacidade cai para 5 mil t/ano”, comentou Lovato. Caso operasse apenas com hidrogenados, seria de 6 mil t/ano. O equilíbrio varia conforme a demanda. Embora busque produtos customizados, a Almad embasa boa parte da produção nos ácidos gaxos brutos e destilados. “Muitas empresas oleoquímicas nos procuram porque têm dificuldades crescentes em realizar essas operações por estarem localizadas perto de zonas urbanas, que reclamam contra o mau cheiro”, explicou.
A Almad foi montada em 1993, e depois adquirida por Lovato, que precisou investir em sistemas de proteção ambiental para atender aos requisitos ambientais do Estado de São Paulo. “Tenho concorrentes em outros estados que operam sob fiscalização menos severa, mas estão, com certeza, criando um problema para o futuro”, afirmou. Em 1998, a empresa instalou dois hidrogenadores e um destilador, comprado usado, no qual foram feitas algumas alterações para ampliar a capacidade produtiva e reduzir o consumo de vapor.
No processo da Almad, o resíduo ácido é neutralizado e tratado dentro dos parâmetros legais. O material residual sólido é tratado e depositado em aterro classe II. “Estamos desenvolvendo uma aplicação desse resíduo tratado como fertilizante, mas ainda não está em fase comercial”, comentou.
A empresa também revende óleos de babaçu, palma, linhaça e tungue, além de outros, em menor volume. No caso do babaçu, segundo Lovato, podem ser feitas hidrogenação e destilação, conforme a necessidade dos clientes. O problema da sazonalidade é marcante nessas linhas. “A indústria de tintas e vernizes usa muito óleo de tungue como secativo, mas a produção nacional se concentra em apenas três meses do ano”, afirmou.
Recentemente, a Almad ingressou no mercado de ingredientes para domissanitários, com destaque para o ácido sulfônico, o lauril éter sulfato e amidas, importadas a partir do Uruguai. Também álcoois graxos estão sendo importados, sempre com o objetivo de agregar valor à linha de produtos. Também por isso, está investindo em linha própria de oleoquímicos para cosméticos. “Investimos sempre com base no capital próprio a partir da geração de caixa; vamos devagar, mas de forma contínua”, explicou.
Depois de ter verificado forte aumento de demanda pelos ácidos destilados, em 2002, Lovato alimenta boas expectativas para os resultados de 2003. “Nossa capacidade já está toda comprometida com os pedidos em carteira”, informou. A preocupação é garantir o estoque de matérias-primas junto aos fornecedores habituais.
Origem vegetal – A queixa contra concorrentes informais é reforçada por Ricardo Silva, diretor da SGS Oleoquímica, de Ponta Grossa-PR, operando 750 t/mês de capacidade de destilação, a partir de óleo de soja e borra de refino (soap stock). “Tem empresas trazendo ácido esteárico da Argentina com preços inferiores aos praticados lá, e nem sequer apresentam registro no Conselho Regional de Química”, criticou. Segundo informou, essas empresas aparecem e somem com grande rapidez, não sem criar estragos no mercado.
“Junto com elas, há empresas em situação financeira difícil, que acabam vendendo produtos abaixo do nível mínimo de rentabilidade”, disse. Nesses casos, ele espera que a fiscalização de órgãos como a Receita Federal, CRQ e o controle de fronteiras torne-se mais rígida, apoiando a competição saudável.
Silva salienta o bom desempenho da demanda por produtos oleoquímicos no Brasil, em contraste com o mercado dos países vizinhos, muito deprimido.
“Estamos estudando a colocação de mais um destilador, com encomenda a ser fechada no final deste ano ou no início de 2004”, afirmou. Conforme explicou, a unidade de Ponta Grossa transfere a metade da produção de ácidos graxos destilados para sua unidade de produção de resinas alquídicas situada no Rio Grande do Sul. Como esta foi recentemente duplicada, a destilaria não consegue atender à demanda de mercado. Segundo Silva, os destilados representam 60% dos negócios de ácidos graxos da SGS.
A hidrólise do óleo de soja oferece produtos de uso alimentícios de alta qualidade, como gorduras vegetais, óleos hidrogenados, e ácido graxo para preparação de lecitina, aplicação esta desenvolvida na Europa. “Temos certificação de produto isento de organismos geneticamente modificados e também de produto kosher”, afirmou. A obtenção de ácido esteárico a partir de óleo de soja é feita tendo por alvo o mercado de aditivos alimentares.
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