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A Nutrasweet, ex-Monsanto, desde maio de 2000 pertence ao grupo de investimentos J.W. Childs Associates. Neste ano, adquiriu nova planta de aspartame, tornando-se detentora de 65% da capacidade instalada do ingrediente no mundo. Agora são duas fábricas, localizadas nos Estados Unidos, Geórgia, e outra na Coréia do Sul, em Seul. A Ajinomoto também é responsável pelo abastecimento do aspartame. No Brasil, a divisão AminoScience, tradicional fabricante de aminoácidos, como a lisina e o glutamato monossódico, é responsável pelo edulcorante da marca. Presente em 23 países, a empresa conta com 22 subsidiárias e afiliadas, incluindo 106 fábricas em 15 países.
Composto sintético de dois aminoácidos, o ingrediente é tecnicamente considerado calórico. Porém, graças à doçura 200 vezes superior à do açúcar, o seu valor energético se torna desprezível, devido às pequenas quantidades do edulcorante nas formulações. Aprovado pelos órgãos médicos e alimentícios mais respeitados no mundo, como o FDA, JEFCA (Japão), The Scientific Committee for Food of the European Communities, The American Diabetes Association e outros regulamentadores, em mais de 120 países, o ingrediente compõe-se por: fenilalanina (50%), ácido aspártico (40%) e metanol (10%). Estes componentes são unidades funcionais das proteínas, estando presente em vários alimentos da dieta tradicional, contribuindo para a segurança do aspartame.
No entanto, apesar do currículo, os fabricantes desse edulcorante ainda são desafiados a provar que este não é cancerígeno ou pode desencadear processos cerebrais degenerativos. Para comprovar sua segurança, investigações científicas e estudos datados de quase duas décadas foram feitos e refeitos, isentando o aspartame de qualquer suspeita. A restrição de consumo do ingrediente refere-se aos portadores de fenilcetonúria, pois estes devem limitar a ingestão de fenilalanina. Durante os anos 70, a inocuidade da sacarina também foi questionada por suspeitas de provocar câncer. Após diversas verificações por organismos internacionais competentes, nada comprovou-se pela FDA.
O aspartame, de acordo com dados da Nutrasweet, é usado em mais de 5 mil produtos, sendo consumido por cerca de 250 milhões de pessoas. Os adoçantes à base de aspartame, responderam por cerca de 15,7 milhões de unidades e R$ 64,5 milhões, representando em volume, 23% do total, segundo a ACNielsen. Vale ressaltar que o Brasil é o segundo maior mercado de adoçante de mesa, em nível mundial, de acordo com Daniella.
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Além da entrada do aspartame no setor diet/light, segundo o gerente de Produto Sweeteners América do Sul, da Danisco Cultor Ary Bucione, outro fato determinante para a indústria ocorreu em janeiro de 1998, quando o Ministério da Saúde, através de sua então Secretaria de Vigilância Sanitária, publicou mais de uma dezena de portarias, com a definição dos Alimentos para Fins Especiais – Alifins. De acordo com a determinação, os alimentos diet especificados pela Portaria 29/98 são aqueles que foram destituídos de pelo menos um de seus ingredientes constantes da composição original. |
Cuca Jorge |
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| Bucione: regras claras apóiam desenvolvimento
do setor |
Assim, o diet pode ser um alimento sem açúcar, mas pode também ser, de forma alternativa ou concomitante, sem gordura, sal ou proteína. Os alimentos light da Portaria 27/98 são aqueles, em cujas formulações há uma redução de 25% em algum de seus atributos característicos. Conforme explicou Bucione, light não é um alimento isento de um de seus componentes, como alguns consumidores acham. “Com base nesta classificação cria-se a possibilidade de se ter um alimento light em relação ao seu valor calórico, desde que possua 25% menos calorias, no mínimo”, afirmou. Para Bucione, a partir dessa clareza na legislação, houve mais investimentos da indústria. “As empresas se sentiram mais motivadas a lançar novos produtos, por conta de uma regra sustentável”, confirmou. Ele informou que na época esse mercado avançava a taxas anuais de cerca de 25%.
De geração em geração – Hoje consolidado, o mercado de edulcorantes, na avaliação de Daniella, divide-se da seguinte forma: a sacarina representa 60% do volume total; aspartame fica com 24%; ciclamato, 10%; acessulfame-k, 5%; sucralose 0,5%; e 0,5% stevia. De responsabilidade da Danisco Cultor, existe o Alitame, edulcorante de alta intensidade, cujo poder adoçante se sobressai em relação a qualquer outro, chega a ter doçura 2 mil vezes maior do que a sacarose. Suas principais características ficam por conta de sua estabilidade a altas temperaturas e da versatilidade, pois pode ser incorporado a diversas formulações, sobretudo, em produtos derivados de panificação. Conforme explicou Bucione, o Alitame possui o mesmo princípio ativo do aspar+tame, é formado por ácido aspártico com d-alanina, porém não contém fenilalanina.

De acordo com informações da Danisco, o Alitame é sinérgico em relação ao acessulfame-k, ciclamato e o aspartame. Aprovado para o uso em países como México, Colômbia, Indonésia, Austrália e Nova Zelândia, o edulcorante figura no Codex Alimentarius General Standard for Food Additives (GSFA). Para o Brasil não há previsão de aprovação. De acordo com Bucione, a comercialização em âmbito nacional não é prioridade, para a Danisco. “Por enquanto, não pensamos na venda do Alitame no País, nossa pretensão é em termos mundiais”, afirmou.
Já o representante líder da segunda geração de edulcorantes, o aspartame há pouco tempo ganhou um novo concorrente direto. Trata-se da Splenda, nome registrado da sucralose. Esta tem sido a menina dos olhos do momento, anunciada por seu fabricante como representante da terceira geração de edulcorantes. Fundamentado pela sua versatilidade, o ingrediente está presente em mais de 3 mil produtos no mundo, sendo comercializado pela Splenda Inc, uma aliança entre McNeil Nutritionals e Tate&Lyle, com planta nos Estados Unidos, no Estado do Alabama. No Brasil, chegou em 1999, por meio da representação da Tovani Benzaquen. Hoje está na formulação de mais de 500 produtos brasileiros. A sucralose, na avaliação de seu fabricante, representa uma nova era na indústria, sendo tão importante quanto um dia foi a entrada no mercado da sacarina/ciclamato e do aspartame.
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Na opinião do diretor de negócios da América Latina da McNeil Nutritionals Mauricio Bacigaluppo, a Splenda tem apresentado taxas de crescimento de 40% ao ano. “Esse edulcorante é voltado para toda a família e ideal para as mais diversas aplicações”, justificou Bacigaluppo. Uma das características marcantes da sucralose é o sabor agradável. Por conta dessa particularidade, dois terços dos atuais consumidores da Splenda migraram do açúcar, ou seja, o ingrediente tem se sustentado a partir de sua similaridade à sacarose, conforme explicou o diretor-presidente da Tovani Benzaquen, Moses Benzaquen. A fabricação da sucralose se baseia na substituição de três grupos de hidroxilas da molécula de sacarose, daí a semelhança entre os dois ingredientes. |
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| Bacigaluppo: sucralose mantém gosto de açucar |
Apesar de ter sua origem ligada ao açúcar, de forma direta, a Splenda não é calórica, pois não é quebrada ou metabolizada em energia. Além disso, pode ser ingerida por diabéticos e não é reconhecida pelo organismo como um carboidrato. Outro ponto forte da marca é seu alto dulçor.
Com poder adoçante 600 vezes maior do que a sacarose, este se mantém em altas temperaturas e por longos períodos de armazenamento, mesmo com a incorporação de ingredientes a produtos com baixo nível de pH.
Órgãos reguladores aprovaram o uso da sucralose, em mais de 50 países, começando pelo Canadá, em 1991. A FDA permite a utilização da Splenda como um adoçante de uso geral em alimentos e bebidas convencionais, produtos farmacêuticos, suplementos vitamínicos e dietas médicas. O United States Department of Agriculture (USDA) também autoriza a sucralose em produtos derivados da carne e de aves. Na avaliação de Bacigaluppo, a principal vantagem da Splenda se concentra no fato de não possuir qualquer tipo de restrição ao uso, abrindo dessa forma um mercado, sem limites de crescimento, para esse ingrediente. |
Cuca Jorge |
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| Benzaquen: sucralose derivou da sacarose |
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